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BETTY COOPER

Depois de alguns minutos, vejo Veronica entrando no Pop's. O sininho acima da porta toca e, só de olhar para o rosto dela, meu estômago já afunda.

Ela vem até mim em silêncio e se senta.

— Oi, Vê... — digo, tentando manter a calma.

— Oi, Betty. — A voz dela sai baixa, diferente do normal.

— Fala logo. Você está me assustando.

Ela respira fundo antes de falar.

— O que eu vou te contar não é nada bom.

Meu coração começa a bater mais rápido.

— Veronica...

Ela segura minha mão por cima da mesa.

— Chuck fugiu da prisão.

O nome dele é o suficiente para fazer meus olhos encherem de lágrimas.

— O quê? — minha voz quase não sai.

— Os caras que dividiam cela com ele disseram que, todos os dias, ele fazia um risco na parede... e falava o seu nome. O delegado acha que ele pode querer ir atrás de você.

Eu sinto o mundo girar.

— Isso é algum tipo de piada?

— Não. E tem mais... Se ele não conseguir chegar até você, pode tentar atingir sua mãe.

Levanto da cadeira abruptamente.

— Não. Não. Ele sabe onde a gente mora.

— Betty, você pode ficar lá em casa. Tem espaço, meus pais não vão se importar.

Balanço a cabeça.

— Ele também sabe onde você mora. Eu não vou colocar mais ninguém em risco.

— Então o que você vai fazer?

Eu não sei. Não faço ideia.

— Eu... eu dou um jeito. Preciso ir.

Saio do Pop's antes que ela tente me impedir.

O caminho até a mansão Jones parece mais longo do que nunca. Olho para trás várias vezes, paranoica. Cada carro que passa parece suspeito. Cada pessoa na calçada parece uma ameaça.

Quando finalmente entro em casa, subo as escadas quase correndo. Não quero que ninguém me veja assim.

Entro no meu quarto, tranco a porta e só então deixo as lágrimas caírem.

Eu achei que esse capítulo da minha vida tinha acabado.

Mas ele voltou.

Uma batida na porta me faz estremecer.

— Betty? — é a voz de Jughead. — Você está bem?

Limpo o rosto com a manga da blusa.

— Estou.

— Não está. Eu tô ouvindo você chorar. Abre a porta.

— Não precisa. Só me deixa sozinha.

Do outro lado, ele suspira, impaciente.

— Betty, para de ser teimosa. Abre essa porta. Eu só quero ajudar.

Algo dentro de mim explode.

Abro a porta de uma vez.

— Você quer ajudar? Ótimo. Então me deixa em paz! Eu sei como você é, Jughead. Você adora quando alguém está fraco, né? Aí você se aproxima, faz charme, e depois sai contando vantagem pros seus amigos!

As palavras saem antes que eu consiga pensar.

O rosto dele muda na hora.

— Você acha mesmo que eu sou isso?

Eu não respondo. Só estou tremendo.

Ele dá um passo para trás.

— Você não faz ideia do que está dizendo.

E então ele vai embora. O som da porta batendo ecoa pelo corredor.

No mesmo instante, o arrependimento vem como um soco.

Que merda, Elizabeth.

Eu deslizo pela porta até sentar no chão e começo a chorar de novo. Não era sobre ele. Nunca foi.

Era medo.

Era pânico.

Era o passado voltando para me assombrar.

Em algum momento, entre lágrimas e pensamentos confusos, o cansaço me vence.

E eu acabo dormindo ali mesmo.

Nota da autora 🤍

Eu já tinha escrito esse capítulo antes... mas apaguei sem querer (sim, eu surtei). Então mudei algumas coisas.

Espero que tenham gostado dessa nova versão.
E me contem... vocês acham que a Betty pegou pesado com o Jughead?

Prometo que ainda vem muita coisa por aí.

𝐀 𝐁𝐀𝐁𝐀́ -  ᵇᵘᵍʰᵉᵃᵈ シ︎Onde histórias criam vida. Descubra agora