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BETTY COOPER

Acordei antes mesmo do despertador tocar.

Fiquei sentada na cama, com as pernas dobradas e o olhar perdido na parede, tentando organizar a cabeça. Às vezes parece que minha vida anda rápido demais... e outras vezes parece que está prestes a sair completamente do controle.

Olho o celular. 8h30.

Eu deveria estar aproveitando para dormir mais um pouco, mas tenho um compromisso. Preciso ir até a casa do FP buscar o restante do pagamento.

Levanto com um suspiro e sigo para o banheiro. O chão frio desperta o que restava do meu sono. Tiro o pijama e entro no chuveiro assim que a água esquenta. O vapor toma conta do espaço, e por alguns minutos eu deixo que o barulho da água abafe qualquer pensamento insistente.

{...}

Depois de pronta, desço as escadas ajeitando a bolsa no ombro.

Minha mãe já está na cozinha, como sempre. Café passado, mesa arrumada, janela aberta. Ela vive em um ritmo que eu nunca consegui acompanhar.

- Bom dia, filha.

Dou um beijo no rosto dela.

- Bom dia. Vou sair rapidinho.

- Onde você vai essa hora?

- Na casa do FP. Ele pediu para eu buscar o restante do dinheiro ontem.

Ela me olha por cima da xícara.

- Vá com cuidado. E me manda mensagem quando estiver voltando.

Sorrio.

- Pode deixar. Eu te amo.

- Também te amo.

Saio de casa sentindo o ar fresco da manhã tocar meu rosto. O bairro ainda está tranquilo, poucas pessoas na rua. Gosto dessa sensação de silêncio antes do movimento do dia começar.

A caminhada até a casa dos Jones não leva nem dez minutos. Vou pensando nas contas, nas coisas que minha mãe precisa pagar, no alívio que esse dinheiro vai trazer.

Quando percebo, já estou diante da porta.

Toco a campainha.

- Florzinha! - Rita abre com aquele sorriso que sempre aquece meu coração.

Ela me envolve em um abraço apertado. Retribuo na mesma intensidade.

- Oi, pãozinho de mel - digo, arrancando uma risada dela.

- Eu ainda não me acostumei com esse apelido - ela comenta divertida. - Veio falar com o FP?

- Vim sim.

- Está no escritório, pode subir.

Subo as escadas já familiarizada com o caminho. Bato na porta.

- Entre.

FP ergue os olhos quando me vê.

- Betty. Sente-se.

Obedeço, mantendo a postura.

- Revisei os valores. Faltavam quinze mil, mas decidi acrescentar mais cinco. Você fez mais do que o esperado com a Jelly.

Ele assina o cheque com firmeza.

Meu coração dispara.

- Não precisa disso, eu realmente só cumpri meu papel.

Ele balança a cabeça.

- Precisa sim. E me chame de FP. Você já é praticamente da família.

A palavra família ecoa dentro de mim.

Ele estende o cheque. Eu hesito por um segundo... mas aceito.

- Obrigada. De verdade.

- Eu que agradeço.

Saio do escritório sentindo o peso simbólico daquele papel dentro da bolsa.

Rita me espera na sala.

- A casa fica vazia sem você aqui.

O jeito como ela fala me faz sorrir com carinho.

- Eu volto logo. E você ainda vai se cansar de mim.

Ela ri, mas seus olhos brilham.

- Se cuida, florzinha.

- Sempre.

Deixo a mansão com um sentimento agridoce. É estranho como me apeguei tão rápido.

{...}

Estou caminhando distraída quando uma buzina alta corta o silêncio da rua.

Dou um salto.

Um carro para ao meu lado e o vidro desce lentamente.

Charles.

- Que susto! - digo, respirando fundo. - Achei que fosse outra coisa.

Ele sorri daquele jeito que antes eu achava encantador.

- Entra. Vamos adiantar nosso passeio.

- Agora? Não era mais tarde?

- Resolvi mudar os planos. Você tem algo pra fazer?

Penso por um instante.

- Não...

Ele destrava a porta.

Entro no carro, ainda com uma pontinha de dúvida.

- Só preciso avisar minha mãe - falo, abrindo a bolsa.

E então tudo acontece rápido demais.

A mão dele segura meu queixo.

Um pano pressiona meu nariz.

O cheiro forte invade minhas narinas.

Tento empurrá-lo, meu corpo reage, mas perde força a cada segundo. Minha visão começa a escurecer nas bordas. O som da rua desaparece.

- Calma... - ele murmura.

Minha cabeça gira.

As imagens ficam distorcidas.

E então...

Nada.

___

Notas da Autora

Ok... agora a história realmente mudou de rumo.

Nada é por acaso. Cada detalhe importa - até os que parecem pequenos demais.

Vocês confiavam no Charles? 👀
Ou já estavam desconfiando?

A partir daqui, o ritmo vai acelerar bastante. Preparem o coração.

Votem, comentem e me contem as teorias de vocês 💛

𝐀 𝐁𝐀𝐁𝐀́ -  ᵇᵘᵍʰᵉᵃᵈ シ︎Onde histórias criam vida. Descubra agora