BETTY COOPER
Assim que chego em casa, subo direto para o meu quarto. Me jogo na cama e coloco qualquer filme na televisão, mais para distrair a cabeça do que por real interesse.
Minha mente ainda estava presa na imagem da minha mãe com F.P. no Pop's.
Quando o filme termina, fico encarando a tela desligada por alguns segundos. O silêncio da casa dura pouco.
Ouço a porta da frente abrir.
Passos na escada.
— Betty? Você está em casa? — a voz da minha mãe ecoa pelo corredor.
Deito rapidamente e fecho os olhos, fingindo estar dormindo.
A porta do quarto se abre.
— Filha? — ela se aproxima. — Eu não acredito que você ainda está dormindo.
Finjo despertar, esfregando os olhos.
— Oi, mãe... que horas são? Onde você estava?
Ela suspira, mas não parece irritada. Pelo contrário — está diferente. Animada. Nervosa.
— Eu preciso conversar com você. Pode ser agora?
Sento na cama.
— Claro. Só vou lavar o rosto e já desço.
— Não demora — ela responde antes de sair.
Assim que a porta fecha, solto o ar devagar.
Ela vai contar. Tenho quase certeza.
Vou até o banheiro, jogo um pouco de água no rosto só para manter a encenação e desço.
Minha mãe está na sala, andando de um lado para o outro.
— Então... — digo, tentando soar casual — sobre o que você queria falar?
Ela para e me encara.
— Eu estive no Pop's hoje mais cedo... com o F.P.
Confirmado.
Cruzo os braços, esperando o resto.
— Ele vai viajar para o Canadá a trabalho. Deve ficar fora por três ou quatro meses. E... ele me fez uma proposta. Na verdade, fez uma proposta para você.
Franzo a testa.
— Para mim?
— Ele quer que você cuide da filha mais nova dele enquanto estiver fora. Ele disse que pagaria muito bem.
Fico alguns segundos em silêncio, processando.
— Espera. Vocês querem que eu seja babá por quatro meses?
— Não "vocês". Ele precisa de ajuda — ela corrige com calma. — E é uma boa oportunidade, Betty.
Passo a mão pelo cabelo, já sentindo a irritação crescer.
— Mãe, você sabe que eu não suporto o Jughead. Eles moram na mesma casa. Como você acha que isso vai funcionar?
— Jughead quase não para em casa — ela responde. — Pelo menos é o que o pai dele diz.
Solto uma risada sem humor.
— E desde quando isso é reconfortante?
Ela suspira.
— Eu não sei por que vocês se odeiam tanto. Mas isso não tem nada a ver com você cuidar da irmã dele. São só alguns meses.
Olho para ela. Vejo a expectativa. A esperança.
E é isso que me desmonta.
Eu não gosto da ideia. Não gosto nem um pouco. A última coisa que eu quero é conviver, mesmo que indiretamente, com Jughead Jones.
Mas minha mãe parece genuinamente empolgada. E, acima de tudo, feliz.
Respiro fundo.
— Tá bom. — Minha voz sai mais baixa do que eu esperava. — Eu aceito.
Os olhos dela se iluminam.
— Eu sabia que você entenderia.
Entender não é exatamente a palavra, mas não digo isso.
— Vou ligar para o F.P. agora mesmo — ela diz, pegando o celular. — Depois sobe e toma um banho. Já está quase na hora do almoço.
Assinto e subo para o quarto.
Assim que fecho a porta, me encosto nela.
Quatro meses.
Quatro meses tendo que lidar, mesmo que à distância, com Jughead Jones.
Por um segundo, penso em descer e dizer que mudei de ideia.
Mas não vou fazer isso com a minha mãe.
Então respiro fundo outra vez e começo a procurar uma roupa para o banho.
Pelo visto, minha vida acabou de ficar muito mais complicada.
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𝐀 𝐁𝐀𝐁𝐀́ - ᵇᵘᵍʰᵉᵃᵈ シ︎
FanfictionNo terceiro ano do ensino médio, Betty Cooper e Jughead Jones têm apenas uma coisa em comum: o ódio que sentem um pelo outro. Elizabeth Cooper é a definição de garota perfeita - meiga, tímida, extremamente inteligente e a melhor aluna da turma. Enqu...
