BETTY COOPER
O "grande dia" finalmente chegou.
Hoje eu oficialmente vou me mudar — ou quase isso — para a casa dos Jones. Durante a semana, vou ficar lá. Nos fins de semana, volto para casa para ficar com a minha mãe.
Ainda soa estranho na minha cabeça.
Meu quarto está uma bagunça organizada: roupas dobradas na mala, sapatos separados, alguns livros que eu decidi levar porque "vai que eu preciso", mesmo sabendo que provavelmente não vou tocar neles.
Estou fechando o zíper da mala quando escuto uma batida leve na porta.
— Posso entrar? — minha mãe pergunta.
— Claro.
Ela entra devagar, como se quisesse prolongar cada segundo ali dentro. Os olhos dela estão levemente marejados, mas ela tenta disfarçar.
— Eu vou sentir saudades — ela diz, simples assim.
Aquilo aperta meu peito mais do que eu esperava.
— Mãe... eu não estou indo pra outro país — tento brincar, mas minha voz sai mais suave do que irônica. — Todo fim de semana eu vou estar aqui. Você vai enjoar de mim.
Ela ri pelo nariz, mas logo me abraça. Um abraço demorado, daqueles que dizem mais do que qualquer discurso.
— Eu sei. Só... se cuida, tá?
— Sempre.
Ela enxuga os olhos rapidamente.
— Termina de arrumar suas coisas. Depois desce pra tomar café.
Assinto, e ela sai.
Fico alguns segundos parada no meio do quarto, olhando em volta. Nunca pensei que sair de casa — mesmo que temporariamente — fosse me deixar assim.
Depois de terminar tudo, desço.
Tomamos café quase em silêncio. Um silêncio confortável, mas carregado.
Não demora muito para a campainha tocar.
Claro que não podia ser só o motorista.
Jughead está lá.
Encostado no carro, com aquela expressão neutra que parece permanente no rosto dele.
Me despeço da minha mãe com mais um abraço apertado e entro no carro.
O caminho inteiro é silencioso. E, sinceramente, prefiro assim. Não estou com energia para provocações hoje.
Olho pela janela, vendo Riverdale passar devagar, enquanto tento me convencer de que isso é só um trabalho. Só quatro meses.
Nada demais.
Depois de um tempo, o carro para.
A casa dos Jones — ou melhor, a mansão — é ainda maior de perto. Imponente, silenciosa, quase intimidadora.
O motorista desce para abrir a porta, mas Jughead o interrompe.
— Deixa que eu abro. Pega as malas.
Ele abre a porta para mim.
— Não precisava. Eu tenho duas mãos! — digo, saindo do carro.
Ele ignora o comentário, como se eu não tivesse falado nada.
Entramos.
F.P. está na sala e me recebe com um sorriso educado.
— Betty. Que bom que você veio.
— Obrigada pela oportunidade, senhor Jones.
Ele pede para Jughead me mostrar o quarto.
Eu estava preparada para algo simples, talvez até improvisado. Mas quando a porta se abre, eu fico surpresa.
As paredes são em um tom suave de lilás. A cama é grande, com detalhes dourados na cabeceira. Há uma escrivaninha perto da janela e um closet organizado.
Definitivamente não parece um "quarto de empregada".
— Surpresa? — Jughead comenta, apoiado na porta.
— Um pouco.
Ele dá de ombros e sai, me deixando sozinha.
Organizo minhas coisas com calma, tentando me familiarizar com o espaço. Ainda parece estranho pensar que esse será meu quarto pelos próximos meses.
Depois de guardar tudo, desço para conversar com F.P.
— Onde está a sua filha? — pergunto.
— Ela foi passar a última tarde com a antiga babá. Ela conseguiu um emprego como psicóloga e precisou sair.
Assinto.
Passamos boa parte da tarde conversando sobre detalhes importantes. Ele me explica que Jellybean — ou Jelly — tem asma. Mostra onde ficam os remédios, a bombinha, as reservas guardadas no kit de primeiros socorros em cima da geladeira.
Também fala sobre a rotina dela, horários, escola, alimentação.
Falamos brevemente sobre o pagamento. Ele diz que acertamos com calma nos próximos dias.
Quando a conversa termina, eu já estou mentalmente esgotada.
— Pode descansar — ele diz. — Amanhã você conhece a Jelly.
Subo para o quarto.
O banheiro é enorme. Mármore claro, espelho grande demais, uma banheira que eu provavelmente nunca vou usar.
Tomo um banho morno, deixando a água aliviar a tensão do dia.
Coloco meu pijama, deito na cama e fico encarando o teto por alguns minutos.
Estou oficialmente morando na mesma casa que Jughead Jones.
Ótimo.
Viro para o lado, puxo o cobertor e fecho os olhos.
Amanhã começa de verdade.
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𝐀 𝐁𝐀𝐁𝐀́ - ᵇᵘᵍʰᵉᵃᵈ シ︎
FanficNo terceiro ano do ensino médio, Betty Cooper e Jughead Jones têm apenas uma coisa em comum: o ódio que sentem um pelo outro. Elizabeth Cooper é a definição de garota perfeita - meiga, tímida, extremamente inteligente e a melhor aluna da turma. Enqu...
