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⚠️ Aviso de Conteúdo Sensível

Este capítulo contém cenas e pensamentos relacionados a sofrimento emocional, autodepreciação e automutilação.

Se você é sensível a esses temas ou está passando por um momento difícil, talvez seja melhor ler com cautela — ou até pular este capítulo e voltar quando se sentir preparado(a). Sua saúde mental vem sempre em primeiro lugar.

Se algo aqui te causar desconforto, por favor, procure alguém de confiança para conversar. Você não precisa lidar com tudo sozinho(a).
——

BETTY COOPER

Acordo sentindo um peso em cima de mim. Abro os olhos devagar e dou de cara com a perna da Veronica jogada na minha barriga, enquanto ela dorme profundamente, abraçada no travesseiro como se nada no mundo pudesse perturbá-la.

Me mexo um pouco, tentando ver se ela acorda.

Nada.

Se o mundo acabasse agora, Veronica Lodge continuaria dormindo.

Com cuidado, tiro a perna dela de cima de mim e me levanto devagar para não acordar ninguém. Vou até o banheiro, ainda meio grogue. Escovo os dentes com o dedo mesmo, lavo o rosto e penteio o cabelo tentando organizar não só os fios, mas também os pensamentos.

Quando volto pro quarto, vejo Cheryl e Toni dormindo abraçadas. Cheryl com o rosto afundado no pescoço da Toni, e Toni segurando a cintura dela como se tivesse medo de que ela desaparecesse.

Elas são tão... certas uma pra outra.

Sorrio sem perceber.

Me aproximo da cama.

— Chery... — sussurro baixinho.

Ela se remexe, abre um olho só e solta um "hm?" sonolento.

— Eu já vou pra casa. Preciso resolver umas coisas. Depois você avisa a Veronica que eu fui, ok?

Ela concorda com a cabeça, ainda quase dormindo. Dou um beijo leve na testa dela.

— Até amanhã.

Saio do quarto em silêncio.

Quando chego à mansão dos Jones, entro pela porta dos fundos e tento subir as escadas na ponta dos pés.

— Por que está andando desse jeito, Betânia?

Fecho os olhos por um segundo antes de virar.

Jughead está encostado na parede, com um meio sorriso no rosto.

— Porque achei que você estivesse dormindo. E não me chama assim, você sabe que eu não gosto.

Ele ri baixo.

— Tá bom, Elizabeth.

Ele começa a passar por mim, mas eu seguro seu braço. Meu coração acelera.

— Será que... a gente pode conversar?

Ele me encara por alguns segundos e assente. Nos sentamos no sofá.

Respiro fundo.

— Aquele dia... quando você tentou me ajudar... eu falei coisas horríveis. Descontei tudo em você. E você não merecia ouvir nada daquilo. Eu só... — engulo seco — eu só queria pedir desculpa.

Ele me observa em silêncio antes de responder.

— Tá tudo bem. Eu sei que você não falou aquilo do nada. Você tava machucada.

Desvio o olhar.

— Que problemas são esses, Betty? — ele pergunta mais baixo agora. — É família? Se for dinheiro, eu..

— Não! — interrompo rápido demais. — Não tem nada a ver com dinheiro. E não é exatamente família... é... pessoal.

Minha voz falha na última palavra.

— Eu não quero envolver mais ninguém nisso.

— Você não precisa carregar tudo sozinha. — Ele fala sério agora. — Eu posso ser idiota às vezes, mas eu sei escutar.

Ele segura minha mão por um segundo. O toque é quente. Seguro. Mas eu puxo de volta antes que ele perceba minhas mãos tremendo.

Meus olhos ardem.

— Eu não consigo falar sobre isso, Jughead. — Minha voz sai pequena. — Eu só... não consigo.

Ele percebe que estou à beira de desabar e não insiste.

— Ok. — ele diz, suave. — Mas eu tô aqui. Quando você quiser.

Assinto e subo as escadas antes que as lágrimas caiam na frente dele.

Entro no meu quarto e fecho a porta. Encosto as costas nela e deixo o choro escapar.

Vou até o banheiro e me olho no espelho.

Meu reflexo parece distante. Cansado. Estranho.

— Eu tenho nojo de você — digo para mim mesma, olhando meu próprio reflexo — sua nojenta

Começo a chorar baixinho, e então acho gilete na última gaveta da pia.

Subo a manga da minha blusa, deixando o braço a mostra.

No mesmo instante, passo o objeto pela minha pele.

——

Oii meus amores 🫶🏻

Eu sei que esse capítulo ficou um pouco mais intenso... mas eu senti que precisava escrever algo mais profundo pra vocês entenderem melhor o que está passando na cabeça da Betty. Às vezes a gente carrega tanta coisa por dentro que parece que vai explodir, né? E eu quis mostrar exatamente isso.

Prometo que não vou deixar a história pesada demais, tá? Ainda temos muita coisa pra acontecer ✨ Mas alguns momentos são necessários pro crescimento dos personagens (e talvez até da gente junto com eles).

Quero muito saber o que vocês acharam desse capítulo! Vocês acham que a Betty devia confiar no Jughead e contar tudo? Ou ainda não é a hora? Comentem muuuito porque eu amo ler as teorias de vocês e responder cada uma 🥹💬

Obrigada por continuarem aqui comigo, mesmo quando eu demoro ou surto com a história kkkkk vocês são tudo pra mim 💗

Beijinhos e até o próximo capítulo 💫

𝐀 𝐁𝐀𝐁𝐀́ -  ᵇᵘᵍʰᵉᵃᵈ シ︎Onde histórias criam vida. Descubra agora