Na quinta-feira de manhã eu passo duas folhas por baixo do portão, uma com os cálculos aproximados de quanto podemos gastar de gasolina e um mapa que eu achei na biblioteca, onde marquei a melhor rota.
Em troca Calum mandou nossa folha com os detalhes, e eu percebo que com o mapa e as minhas contas, os únicos tópicos que faltavam agora estão feitos.
Ou seja, podemos sair quando quisermos.
Marco os dois últimos: "ok"s com o coração todo desgovernado.
"É isso? Tudo pronto?" – escrevo em um espaço vago da folha antes de passa-la pelo portão novamente.
"Me espere ás 3:00" – a resposta veio rapidamente, e é como se eu pudesse ver o rosto empolgado e meio nervoso dele mesmo com o muro entre nós.
"Fechado. Até lá." – devolvo a folha pela última vez e abraço Poseidon com força.
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Pra falar a verdade o restante do meu dia é uma verdadeira tortura.
As horas passam agonizantemente devagar. E ao mesmo tempo que quero me segurar nelas ao máximo que puder, também quero que passem logo para finalmente acabarmos com isso.
Meu nível de ansiedade apenas aumenta e aumenta quando mais os minutos, consequentemente as horas passam.
Meu último dia no colégio e com as minhas amigas; a última vez que posso ir à praia onde eu cresci; meu último turno na recepção do hotel. Me despeço das coisas mentalmente, tentando não deixar ninguém perceber que meu coração está apertado por causa disso.
Sempre achei que conhecesse meu futuro já que ele esteve programado a minha vida toda. Então, de repente, tudo ficou de pernas pro ar e eu não faço a menor ideia do que vai acontecer a partir dessa noite.
Trocar minhas linhas traçadas com empenho e atenção por uma tela totalmente em branco é um choque.
De certa forma, me faz sentir viva como nunca antes.
Quando Logan chega na recepção do hotel para assumir seu posto, eu o abraço apertado e murmuro um "muito obrigada" antes de me afasta. Adoraria contar tudo pra ele, mas infelizmente não devo arriscar.
E enquanto minha mãe pega as coisas em sua sala para irmos embora, eu observo o mar da porta do hotel. Desejando guardar todos os detalhes possíveis no meu coração, pra nunca me esquecer do meu lar. Quase todos os detalhes, pra falar a verdade, porque o surfista tatuado deslizando sobre as ondas eu faço a maior questão de deletar do resto da minha vida.
A última vez que faço o caminho para a minha casa; o último silêncio desconfortável entre mamãe e eu.
Eu preciso parar com essa tortura psicológica antes de perder o controle.
Não sei se de fato vou deixar Noosa para nunca mais voltar. No entanto, tenho certeza que mesmo se um dia estiver de volta, vai ser para uma realidade totalmente diferente, eu vou ser uma pessoa diferente. O que existe aqui agora não me pertence mais, e é melhor assim.
–Mãe? – eu chamo quando ela desce do carro.
–Sim?
–Posso chamar Emily pra jantar? – peço, rezando para ela aceitar.
Preciso muito desse momento.
–Vocês podem cozinhar? Eu preciso terminar uma papelada enorme, não tenho tempo.
–Claro.
–Então tudo bem.
Desvio meu caminho para ir até a casa da minha melhor amiga, mas nem tenho tempo de chegar na calçada.
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Love - Calum Hood
FanfictionAs famílias Winkler e Hood costumavam ser como uma só, formadas por amigos de longa data. Mas não eram assim tão inseparáveis. E depois de um escândalo que abalou as duas partes, essa harmonia foi destruída. Calum e Summer nasceram nesse mundo. Fora...
