Capítulo 13

492 47 40
                                        


E então nós decidimos fugir.

Mas essa foi a parte mais fácil.

Quero dizer, nos livros e filmes quando os personagens decidem fugir, simplesmente fogem. Basta uma ideia louca, e booom, fim do filme: felizes para sempre!
Ou dá tudo errado e eles são barrados, eu sei... mas eu não quero nem pensar nessa possibilidade.

No entanto, existem mil e quinhentas coisas com as quais é preciso se preocupar. Calum e eu temos plena consciência quanto isso, inclusive, foi o que nos levou a passar praticamente a noite toda sussurrando no meu jardim.

Realmente precisamos de um plano detalhado e minucioso pra essa loucura funcionar. Então tentamos pensar em todos os detalhes possíveis e imagináveis. 

O primeiro impasse foi decidir pra onde ir.

Não temos dinheiro pra sair do país, obviamente, e eu também não trocaria minha Austrália por nada nesse mundo. Portanto precisamos achar uma cidade longe o suficiente de Noosa, pra ser seguro, mas que não gaste todo nosso dinheiro, como seria se tentássemos chegar na costa oeste.
Reviramos o mapa no celular de Calum até a resposta aparecer, então conversamos um pouco e logo sabíamos que a opção perfeita:

Sydney.

É longe pra caramba, e eu nunca estive lá, além disso nunca pensei em morar na maior cidade do país, nem mesmo em sair de Queensland, então a ideia me deixa meio apavorada. Mas é um tipo bom de apavoramento.

Sinto que, seja o que for, existe algo lá esperando por nós. E a mínima chance disso ser uma vida tranquila com Calum já me faz querer arriscar tudo que eu tenho, literalmente.

Além da enorme discussão sobre nosso destino, criamos uma lista de coisas que precisam ser resolvidas: transporte até lá, dinheiro, lugar pra morar, como levar as coisas... ah, a lista é muito muito longa.

E ela fica absolutamente mais desafiadora, contando com nosso tempo limitado, já que meus pais estão providenciando minha suposta mudança pra Brisbane. E eles tem pressa.

Meu pai está terminando de organizar os documentos para minha matrícula no novo colégio e em alugar o "meu" apartamento. É possível que até o fim da semana tudo esteja pronto, o que significa que precisamos ir antes disso.

Basicamente, estou tendo que acompanhar dois planos: o que eu realmente vou seguir, mas preciso fingir que não existe; e o que preciso fingir estar preocupada mas não vou seguir nem amarrada.

Calum dividimos as tarefas, mas vou confessar que ele tem a maior parte do trabalho, já que eu não estou autorizada a usar a internet na minha prisão domiciliar.

Fizemos uma lista por escrito com os detalhes, e todos os dias no mesmo horário nós a passamos pelo vão do portão trancado que une nossas casas. Assim conseguimos saber como os preparativos estão.

Considerando que começamos a colher informações e organizar tudo no domingo, noto que Calum está muito empenhado, porque ele já conseguiu fazer uma quantidade enorme de coisas para dois dias. Mas eu entendo, também não consigo pensar em outra coisa que não seja dar o fora daqui com ele.

Felizmente meus pais me deixaram frequentar o colégio essa semana, depois de muita insistência da minha parte, então não estou passando meus dias atoa em casa. Posso aproveitar literalmente os últimos momentos que tenho com as minhas amigas.

Sempre acordo antes deles, me arrumo e vou "brincar com Poseidon" no jardim.

De certa forma, é um pretexto para trocar minhas informações com Cal, mas eu realmente acabo passando muito tempo com ele. Meu coração dói só de pensar que não podemos leva-lo conosco, sinto como se estivesse deixando um pedaço do meu coração pra trás junto com seus latidos preguiçosos e seu pelo macio. 

Love - Calum HoodHistórias para pegar e não largar. Descubra agora