Capítulo 15

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Estamos dirigindo pela escuridão por horas, que honestamente parecem quase dias. A rodovia tem pouco movimento, deixando o cenário ainda mais pacato e difícil de se manter acordado.

Mas as músicas de Calum criam uma bolha de vida no meio do asfalto áspero e das árvores que balançam com preguiça ao longo do caminho.

Check Yes, Juliet do We The Kings acaba de tocar e só dá continuidade a série de músicas temáticas sobre amores proibidos e fugitivos que está tocando há tanto tempo.

–Você fez uma playlist? – eu pergunto enfim, colocando meus pés no painel.

Meus tênis já ficara de lado há muito tempo.

–Fiz muitas. – ele assente, dirige com mais tranquilidade agora.

Bem mais relaxado que quando estávamos deixando Noosa. Já falamos sobre tantas coisas, sobre as estrelas, as rodovias do nosso país, já fizemos planos para nossa nova vida, ele já cantou várias músicas pra mim.

É apenas a prova concreta do que eu já sabia, estou fazendo isso com a pessoa certa. A única pessoa possível.

–Mesmo? – pergunto.

–Pra andarmos no centro de Sydney, pra ir a praia com você, pra corrermos de manhã pelo bairro, pra limpar a casa, tomar banho. – ele vai adicionando conforme se lembra, abrindo um sorriso divertido.

Dou risada.

–Você tá zoando.

–O que, você acha que eu dormi algum dia dessa semana? – desvia os olhos pra mim – Tinha que ocupar meu tempo.

–Você não existe, Calum. – sorrio.

Mas o entendo. Toda vez que encostei a minha cabeça no travesseiro durante essa semana, fui atingida por um turbilhão de pensamentos caóticos.

–Mas de qualquer forma, amei nossa playlist de fugitivos. – adiciono – Essas músicas são demais.

–É porque você ainda não ouviu as que eu escrevi. –ele abre um sorriso travesso que é a coisa mais fofa que eu já vi na minha vida.

–Escreveu?! – me viro pra ele no banco – Por que você nunca mostra? Eu morro de curiosidade.

–No tempo certo, prometo.

–Vou estar aqui pra ouvir, seja quando for.

Sorrisos idênticos se abrem nos nossos rostos. O motivo desse sorriso é muito evidente, nem preciso ter poderes telepáticos pra saber que estamos pensando o mesmo.
Vamos estar juntos, nós estamos juntos.

–Ah, vai sim. – ele coloca a mão sobre a minha coxa.

–Mas pode cantar agora se quiser. – adiciono rapidamente.

Calum dá risada, apertando minha pele antes de levar a mão de volta para fazer marcha.

–Nada? – insisto – E se você só falar uma parte, nem precisa ser cantando.

–No momento certo, Sun. – ele se mantem firme.

–Seu violão tá logo ali atrás, você sabe né? – adiciono.

Ele ri outra vez, balançando os ombros.

–O momento não é esse.

–Ah, não custou nada tentar. – me encosto no banco outra vez.

Calum cantarolou a próxima música que tocou, Follow You, que me fez sorrir lembrando da carta dele entregue pela Holly no meio daquele tumulto na minha cabeça.

Love - Calum HoodHistórias para pegar e não largar. Descubra agora