Capítulo 10

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Assim que os seis bruxos aparataram numa praia, a chuva e o vento açoitaram as suas peles. O grito feminino que cortou o ar, porém, foi muito maior do que o som das ondas batendo revoltantemente contra as rochas oceânicas.

Eles entraram em ação empunhando suas varinhas de forma defensiva e atravessando a rua estreita indo em direção a casa amarela e charmosa. O clamor se tornou mais alto e desesperado.

As casas eram espaçadas e não havia vizinhos que pudessem despertar com o som agonizante ou socorrer o que quer que estivesse acontecendo ali.

Severus fez sinal e todos os outros presentes rapidamente fizeram um feitiço de desilusão em si mesmos.

Os gritos pararam abruptamente. Talvez fosse tarde demais agora.

Assim que passaram pela soleira da porta explodida, a cena que os recebeu era verdadeiramente chocante.

Cinco Comensais da Morte estavam suspensos no ar, os corpos debatendo-se em agonia. Uma criança chorava ao lado do corpo de uma mulher ensanguentada. Demorou um tempo para os recém-chegados perceberem que era a criança que estava torturando os Comensais.

Nenhuma criança tão jovem deveria exibir esse tipo de magia.

— Harry, Harry, Harry... — A mulher começou a balbuciar num lamento gemendo baixinho.

Então, como se o tempo se acelerasse, os seis bruxos da Ordem lançaram feitiços simultaneamente abatendo todos os Comensais em agonia que caíram no chão com um baque alto.

Hermione se lançou para frente indo em direção à criança, mas Alvo a deteve enquanto amarrava magicamente os Comensais com um Incarcerious.

— Não Hermione. Essa criança pode ser perigosa.

Naquele mesmo instante, o pequeno menino virou-se na direção da mãe e começou a bater em seu peito exigindo uma reação, enquanto chorava soluçante.

— Mamã, mamã, mamãe! — os gritos eram cada vez mais altos e chamou a atenção dos bruxos presentes.

Um vento forte entrou pela porta arrombada lançando uma onda de frio em todos e levantando a franja dos cabelos escuros e encaracolados do menino. Os cachos negros como carvão levantaram ao passar do vento exibindo a pequena testa.

Choque.

Todos eles pararam imediatamente enquanto fitavam a cena.

Harry Potter desaparecera há dois anos.

Diante deles havia um menino de aproximadamente dois anos com uma cicatriz de raio na cabeça. Uma criança perseguida por Comensais da Morte.

Não era preciso ser um gênio para ligar os fatos.

— Oh, Santo Merlin! — Hermione exclamou e foi em direção ao pequeno. — Harry!

Ela abaixou-se ficando na altura dos olhos do menino, enquanto já lançava magias de cura na mulher deitada.

Severus, Alvo e Remus se juntaram ao processo e logo a cor voltava ao rosto pálido de quem havia sido torturada a meros minutos atrás.

— É melhor sairmos daqui agora e deixarmos as perguntas para depois. — Severus sugeriu enquanto apanhava o corpo feminino e inerte no colo aparatando para Grimauld Place sem um segundo pensamento.

Hermione carregou um Harry escandaloso em seu colo, enquanto todos eles aparataram para a casa de Sirius.

Assim que chegou, Severus transfigurou a poltrona da sala em um divã. Menos de um minuto depois, Remus, Sirius, Ron e Hermione estavam presentes no lugar. Alvo ficara para reportar ao Ministério os Comensais da morte apanhados chamando o resto da Ordem para o local atacado.

A sala fora invadida pelo choro estridente de Harry. Ele implorava por sua mãe repetidamente, sua voz ficando rouca do volume que ele usava. Ele se balançou do colo da estranha querendo descer e sentar ao lado da sua mãe. Todos eles eram estranhos. Ele só queria o calor de sua mãe, os olhos dela brilhando para ele dizendo-lhe que tudo ficaria bem. Ele só queria sentir o cheiro dela e adormecer em seus braços quentes.

Severus apontou a varinha para o coração da mulher e lançou um enevarte.

Com uma ingestão aguda de ar, ela sentou-se como se estivesse acordando de um pesadelo particularmente horrendo. E de fato, estava.

— HARRY! HARRY! — ela gritou frenética, enquanto Harry gritava mamãe e desceu escorregando do colo de Hermione. Com suas pequenas perninhas correu em direção a mulher que o recebeu de braços abertos, protegendo-o dos cinco estranhos que a encaravam com rostos confusos.

Ela levantou mais rápido do que se imaginava ser possível e foi para o canto mais extremo da sala, abraçando Harry. Seus olhos verdes estavam arregalados como se eles fossem a ameaça.

— Calma, não vamos lhe fazer nenhum mal, nem ao pequeno Harry. — Remus foi o primeiro a falar. Ele usou um tom calmante que ele esperava sinceramente que fizesse efeito desejado.

Ela olhava para cada rosto que a encarava com curiosidade evidente.

E ela parecia um animal encurralado enquanto eles tentavam se movimentar o menos possível para que ela não os considerasse uma ameaça.

Depois de dois minutos completos de inteiro silêncio, ela soltou o ar que não sabia que estava prendendo. Harry agora só soluçava em seu peito, agarrado ao seu pescoço como um macaquinho, as perninhas enroladas em volta da sua cintura como um gancho.

— Q-quem são vocês? O que aconteceu? — só então percebendo que ela desconhecia totalmente o local onde estava, ela perguntou. — Onde estamos?

— São muitas perguntas. Você aceita um chá primeiro? Quer se sentar, tornar-se mais confortável senhora...?

— Parker. Senhorita. — ela corrigiu automaticamente.

— Sim senhorita Parker. — Hermione falou amavelmente. — Por favor, sente-se. Não vamos fazer-lhe nenhum mal. Acredite em nós.

Com passos trêmulos, ela seguiu para frente em direção à poltrona só para perceber que não seria capaz de sustentar o seu próprio peso e quando suas pernas cederam, fortes braços a cercaram impedindo ela e seu filho de caírem. Um forte cheiro fresco de ervas, sândalo e sol a invadiu e naquele momento, a parte primitiva de sua mente lhe avisou que ela não tinha o que temer. Que ela havia encontrado um porto seguro.

Olhando para cima, ela foi recebida por um olhar escuro indecifrável e o rosto do homem totalmente destituído de qualquer emoção. Talvez houvesse uma pitada de curiosidade e um quê de preocupação ou talvez isso fosse a imaginação dela.

— Venha sentar-se senhorita Parker. Você ainda está fraca do ataque recente. — Deuses! Que voz! Era um ronronar, baixo, arrastado, hipnótico e por um minuto fugaz ela pensou que faria qualquer coisa que pedissem a ela com essa voz e nesse tom.

Ela enrubesceu pelos seus pensamentos dissociados e, ajudada pelo homem alto, forte e dono da voz mais francamente obscena que ela já ouviu em sua vida, ela sentou na poltrona confortável. Ele franziu o cenho enquanto observava o rubor vermelho escuro crescendo no rosto bronzeado extremamente bonito da mulher que tinha os olhos tão iguais aos da mulher que um dia ele amou, mas que de outra forma era completamente diferente.

Severus se sentiu encantado de uma forma que ele não se sentia desde que conhecera Lily. Ele teve um pensamento louco naquele instante, de que aquela pequena mulher poderia ter a capacidade de persuadi-lo a cometer insanidades.

Que estranho...

Sem saber, o mesmo pensamento rodopiou na mente de Severus e Ellie.

Mal sabiam os dois que estranho nem começava a realmente descrever.

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