Ellie estava brincando com Harry do lado de fora em uma campina perfeitamente aparada, flores multicoloridas enfeitavam o chão de grama verde e o clima era agradável com a chegada da primavera. Seus pais e seus irmãos haviam acabado de sair de uma visita quinzenal não trazendo boas notícias.
Olho tonto-moody havia sido atingido por um feitiço mortal por um dos Comensais de Voldemort. A Ordem estava de luto.
Severus estava inquieto. Ele se sentia impotente. Se não tivesse sido pego poderia ter evitado este e tantos outros ataques, mas agora na posição em que se encontrava se sentia como um rato, escondido, indefeso, esperado pelo próximo movimento do Lorde das Trevas, temendo pela vida de Ellie e seu filho como nunca antes temera nada na vida, porque agora ele sabia o que era ter algo só dele, algo tão dele que o mero pensamento de perde-los poderia leva-lo à insanidade.
Ele estava olhando os dois correrem e rirem como numa cena romântica de livro exibindo uma família perfeita quando ele sentiu o frio repentino que gelou seus ossos, ouviu um grito tão alto e agudo que o paralisou, enquanto simultaneamente seu coração acelerava.
Ele olhou para cima e a cena que ele viu fez todos os pelos de seu corpo arrepiarem em um mau presságio. Centenas de dementadores voavam acima deles em círculos preguiçosos.
— Elisabeth! — ele gritou ao mesmo tempo em que ela olhou para cima, os olhos arregalando em puro horror.
Ele preparou a varinha enquanto já corria em direção à Harry e Ellie, mas sabia no fundo de si que um simples patrono não afastaria aquela quantidade de dementadores. Seguindo seu instinto, Ellie também começou a correr em direção a Severus, mas então a cena piorou exponencialmente.
Severus sentiu o puxão em seu peito quando as proteções da ilha começaram a ser abaladas em seu núcleo de forma maciça, tão poderosamente que levou menos de um minuto para caírem.
Ellie com Harry no colo alcançou Severus e ele a abraçou, Harry escondido inutilmente entre seus corpos. Ele se preparou para aparatar, mas o som das aparatações dos Comensais invadiu a campina como um agouro.
Um, dois, dez, trinta deles, a maioria tremendo por debaixo da roupa grande demais para seus pequenos corpos. Seus alunos. Suas cobras. Severus podia até ouvir alguns fungando em uma tentativa desesperada de conter o choro.
Severus perdeu a chance e se ele tentasse agora, provavelmente receberia um feitiço fatal do outro lado que poderia atingir qualquer um dos três. Ele sentiu medo, um medo surreal porque ele era um homem lógico e ele sabia que a sua promessa de família estava morta. Era só uma questão de tempo.
Mas ele tinha uma última jogada.
Uma última chance.
Ele e Ellie não sairiam daqui vivos, mas ainda havia uma esperança para Harry. Ele puxou o medalhão de serpente que estava pendurado em seu pescoço rapidamente e colocou em Harry, beijando a testa do bebê com rapidez.
— Portus. — Severus sussurrou freneticamente visualizando o escritório de Dumbledore em Hogwarts. Harry sumiu, puxado para dentro do colar e para a segurança do castelo mágico.
Ele queria poder usar seu último plano de contingência com Ellie também, mas por segurança Hogwarts foi enfeitiçada para não receber Alados há séculos atrás e mesmo que Ellie estivesse com toda a sua magia bloqueada pela maior parte de sua vida, seu corpo provavelmente desintegraria ao ser forçado pelas barreiras de proteção do Castelo.
Ellie sentiu o vazio em seus braços, mas ela sabia que Harry estava a salvo e mesmo que ela não saísse desse embate viva, a vida de seu filho estava segura, pelo menos por hoje, pelo menos por mais um dia.
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Segunda chance
FanfictionSinopse Harry precisava ser cuidado. Harry precisava escapar. Como uma árvore a cada mudança de estação ele receberá novas folhas e novas flores na infinita benção do recomeço. Notas da história Aviso legal Alguns dos personagens encontrados nesta h...
