Em alguma hora inespecífica da madrugada, Harry dormia profundamente em seu berço. O vento uivava do lado de fora e uma grande tempestade com relâmpagos e trovões cortava os céus. Ellie estava enrolada em seus lençóis, mas o sono a traía, fugindo dela a cada vez que ela fechava os olhos.
Desistindo de dormir, Ellie jogou as cobertas para o lado e levantou da cama em um rompante, os pés tocando o piso aquecido por magia. Não fazia frio dentro da casa nunca. Severus se certificou pessoalmente de encantar cada superfície para ser morna e aconchegante e segura para bebês.
Os Elfos domésticos, criaturas peculiares com as quais Ellie ainda não havia se acostumado e que fugiam dela aterrorizados cada vez que Severus os chamavam, mantinham cada pedacinho da casa livre de poeira. A comida estava sempre quente e saborosa, as roupas limpas e cheirosas, a louça limpa. Cada coisa objeto que Harry brincava e espalhava pela casa ou mesmo os que ele quebrava era reparado imediatamente e guardado em seu devido lugar em seguida.
Ellie pensou que os bruxos estavam tão acostumados com a facilidade que a magia lhes traziam para a vida cotidiana que eles não teriam capacidade de viver um único dia com as tarefas diárias de um trouxa comum.
Sua camisola de cetim vermelha parava na altura das coxas, o decote era rendado e transparente. Ela não sabia porque havia escolhido aquela peça de roupa para vagar pela casa ou talvez ela soubesse e não quisesse admitir.
Ela andou até a sala vazia e se sentou em frente ao fogo crepitante e sempre aceso na lareira, as pernas cruzadas como asas de borboletas, os cabelos cacheados e revoltos presos em um coque cheio e bagunçado no alto da sua cabeça.
Ela ouviu os passos dele antes dele chegar na sala, mas ela sabia que ele só os fez audíveis como uma forma de cortesia. Ele podia caminhar como um gato, sem fazer um único ruído de alerta.
— Insônia novamente, Parker? — ele pergunta enquanto se cômoda em uma das poltronas, uma taça de firewhisky âmbar nas mãos.
Ela sorri devagar. Ela sabia que o decote nas costas de sua camisola era tão obsceno quanto a frente, mas esse ritual havia se repetido na última semana. Toda madrugada ela vinha para frente da lareira, seu corpo exibido em uma camisola diferente a cada vez. Seda. Cetim. Renda.
Três meses nessa casa isolados do mundo lhe deram essa certeza. Ela o queria. Ela o queria para si.
Todos os seus instintos gritavam por ele, mas a sensação mais forte agora não era a de pertencer, mas a de possuir. Ela sabia que algo estava mudando dentro dela, uma voz no fundo da sua consciência rosnava por libertação, mas valentemente ela resistia.
As suas leituras a fizeram perceber que ela era fundamentalmente algo sem controle. Esse tipo de poder, esse tipo de magia em sua maioria esmagadora era violenta e hostil e ela não podia negar para si mesma que ela tinha medo, tinha medo de si mesma, tinha medo do que ela sabia que seria capaz de fazer se desse ouvidos a essa voz.
Severus virou o Whisky em um único gole, a bebida descendo quente em sua garganta como uma sensação de boas-vindas. Ele olhava sem pudor as costas da mulher sentada na frente do fogo, encarando o belo trabalho tatuado em suas costas. Ele quase podia jurar que era uma representação precisa de Fawkes, imensa, poderosa, a cauda sumindo onde o tecido vermelho começava na parte inferior das costas e reaparecendo em um dos lados da sua coxa direita.
Uma fênix.
Uma fênix gigante.
Eles tiveram tempo, o que mais eles tiveram foi tempo durante esses três longos meses e eles o usaram bem. Ele a escutou – muito. As longas conversas na madrugada eram uma de suas partes favoritas do dia.
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Segunda chance
FanfictionSinopse Harry precisava ser cuidado. Harry precisava escapar. Como uma árvore a cada mudança de estação ele receberá novas folhas e novas flores na infinita benção do recomeço. Notas da história Aviso legal Alguns dos personagens encontrados nesta h...
