Ellie sorriu para o seu bebê. Ah, a terrível idade de dois anos estava se mostrando muito mais desafiadora do que ela poderia imaginar. Os 'nãos' de Harry eram constantes, como se ele sentisse uma vontade surpreendente de se auto afirmar. As birras, o choro, o carinho, era tudo tão misturado enquanto ele crescia se transformando em sua própria pessoa. Era maravilhoso de presenciar. Era assustador também, que seu bebê tão dependente já podia fazer algumas coisas por conta própria.
Ellie olhou pela janela e viu a chuva caindo cada vez mais forte. As ondas da praia que ficava em frente à sua casa eram fortes, quebrando com uma violência vil. Ellie não costumava deixar Harry na creche, mas hoje ela teria que fazê-lo. Era quarta-feira e sua ajudante havia pedido folga da botica. Ela não poderia abrir a loja, atender os clientes e cuidar de uma criança travessa de dois anos ao mesmo tempo, não sem ser negligente em alguma dessas tarefas.
Assim, Ellie vestiu Harry com uma roupa apropriada para protege-lo do frio e se preparou para leva-lo para o prédio que atendia as crianças da região quando os pais não poderiam cuidar de seus filhos. Era uma creche comunitária.
Entrando no seu carro, ela colocou Harry na cadeirinha de bebê. Era sempre uma boa tática levar Harry para o carro e dar algumas voltas quando ele estava insone ou quando ele tinha pesadelos - o que se tornara muito frequente nos dias de hoje. Ellie estava apavorada. Ela levou Harry em todos os especialistas conhecidos, mas ninguém havia conseguido explicar a situação dele. E também, ninguém além dela presenciara os gritos lastimáveis e a forma soluçante como seu filho acordava. Merlin, como uma criancinha tão pequena poderia ser assolada por um mal tão grave?
Harry começou a ressonar baixinho mesmo antes da metade do caminho até o prédio da creche.
Quando Ellie deslizou o carro pelo estacionamento precário e pequeno da creche, ela viu que a chuva estava mais fraca nesse ponto da cidade, fina, ininterrupta, mas não mais violenta como minutos atrás.
Desfazendo o cinto da cadeirinha de Harry, ela o retirou do veículo, mesmo dormindo, e o abrigou apertado junto ao seu peito enquanto o guarda-chuva grande e preto os mantinha secos, mas antes mesmo que Ellie desse passos em direção ao prédio, um arrepio devastou seu corpo. Um arrepio cruel.
Ela olhou para o prédio de tijolos vermelhos novamente e piscou.
Como um flash, ela viu o prédio em chamas, apenas para um segundo depois vê-lo novamente intacto. Seu coração apertou como se uma grande mão o estivesse esmagando.
Sem pensar direito, ela colocou Harry novamente no carro e dirigiu de volta para casa. Ela estava trêmula. A visão era tão realista que assustou a vida para fora dela.
Assim que chegou em sua casa, ela sequer deu maiores pensamentos à botica que permanecera fechada.
Uma premonição ruim tomou conta dela.
Aquela tarde de quarta-feira, Ellie passou velando o sono do seu filho. Naquele dia não houve um único minuto em que Harry tenha saído de suas vistas.
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Segunda chance
FanfictionSinopse Harry precisava ser cuidado. Harry precisava escapar. Como uma árvore a cada mudança de estação ele receberá novas folhas e novas flores na infinita benção do recomeço. Notas da história Aviso legal Alguns dos personagens encontrados nesta h...
