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Não existe coisa melhor que receber alta. Depois de uma bateria de exames e recomendações, eu finalmente podia ir pra casa.

O que eu mais quero é deitar numa cama quentinha, ligar a TV e descansar. Hospitais são tão exaustivos.

Estava sentada no pequeno sofá do quarto. Diego estava vindo me buscar, eu teria que ficar na casa do Renato, pelo menos não ficaríamos no mesmo quarto, Renan me cedeu o quarto dele, já que ele está no apartamento que ele tem, a Malena está ficando lá com ele.

Eu não estava muito de acordo em ir pra casa dele, mas os meninos acham que é melhor, até porque o atentando que sofremos repercutiu no mundo deles. Segundo Diego, por mais que eles tenham conseguindo vencer esse confronto, eles ainda estão um pouco vulneráveis. Então tenho que ficar lá até que eles tenham a certeza de que posso viver em paz.

Não sei como vai ser conviver na presença de Renato por alguns dias. Sinto que posso falhar miseravelmente no quesito não me deixar levar por meus sentimentos.

Talvez Malena e Renan tenham razão, tenho que dá a chance do Renato tentar concertar as coisas.

Alguém bate na porta e mando entrar. Renato entra logo em seguida, Matteo estava com ele, o que me deixa feliz.

- A gente veio te buscar. - Matteo fala. - eu estava com saudades de você.

Me ajoelhou na altura dele e o abraço. Noto que ele tinha cortado o cabelo e agora estava sem o dente de cima.

- Eu também estava com saudades.

- Tenho novos desenhos pra você. - ele fala levando a mão até meu rosto. - e também tenho um presente...

- Ah, é? - pergunto sorrindo.

Matteo tira do bolso da calça uma caixinha preta. Ele me entrega e a abro. Meus olhos brilha quando vejo uma correntinha prateada com um pingente de três corações entrelaçados.

- Tem algum significado? - pergunto.

Ele faz que sim envergonhado. Olho pro Reneto que até agora não tinha falado nada. Ele parecia tranquilo e encantado com a cena.

- O coração do meio sou eu, e os outros dois são você e meu pai. - Matteo fala me deixando emocionada.

- É muito lindo, irei usar todos os dias.

Fico de pé pra pegar minhas coisas.

- Pensei que o Diego ia vim. - falo direcionando meu olhar pro Renato. - aconteceu algo?

- Ele teve que fazer uma cobranças, aí aproveitei que tinha que tirar os curativos e vim te buscar. - ele responde.

Eu tenho que dá uma chance a ele.

- Você pode colocar pra mim? - pergunto mostrando a correntinha.

Renato faz que sim vindo até mim. Entrego a correntinha a ele e viro de costas. As mãos dele põe meu cabelo pro lado, sinto meu corpo arrepiar e o coração acelerar.

Ele passa a correntinha em meu pescoço, podia sentir sua respiração bater em minha nuca.

Viro o olhando, estávamos tão perto.

- Será que podemos conversar? - pergunto o olhando nos olhos.

- Depois. - ele responde se afastando. - vamos?

°°°

Renato não vai querer conversar comigo, tenho certeza. Ele evitou ao máximo encontrar comigo pela casa, até jantou no quarto.

Eu sei que ele está chateado, joguei a culpa de tudo em cima dele, e ele tem razão em ficar com raiva, eu não fui nem um pouco compreensível.

Estava sentada numa cadeira perto da janela, observava a lua iluminar todo o quintal da casa. Conseguia ver alguns seguranças fazendo a ronda noturna.

Acho que já são quase uma da manhã, estou tendo muito insônia desde que sair do coma.

Eu tinha escutado umas músicas mais cedo, parece que os meninos estavam bebendo algo, eu até pensei em descer e ficar um pouco com eles, mas não queria causar um clima chato.

Ia deitar e tentar dormir, mas paro quando a porta do quarto é aberta. Renato entra cambaleando, ele sorria e se segurava na parede.

- Meu deus, você tá bêbado. - falo indo até ele.

- Só um pouquinho. - fala meio arrastado. - a culpa é su-sua...

O ajudo a se equilibrar. Ele é muito pesado.

- Sabe... Eu quase morri quando v-você caiu desacordada.

Ele cheirava a cerveja, whisky e cigarro.

- E-eu pensei que tinha te perdido. - ele me olha nos olhos. - fiquei, mucho, ti-triste...

- Amanhã a gente conversa, você bebeu muito.  - falo tentando desviar do assunto, ele está bebo, não vai lembrar de nada amanhã.

- NÃO, quero falar agora!

- Tudo bem, fala...

- Eu te amo Manu, não posso te perder.

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TRÁFICO | Renato Garcia (Concluída)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora