Renato:
O horário de visitas acabou e tive que vim pra casa. Estava sentado na beirada da minha cama. Olhava pro closet, daqui eu tinha uma visão perfeita das roupas da Manuela.
Eu tinha pedido pra Marta arrumar tudo, queria que ela visse que agora o closet não era só meu, porém as roupas vão ter que sair daí.
- vai embora.
A voz dela ecoa por minha cabeça.
- A culpa é sua.
Eu sei que a culpa é minha, não precisava que ela lembrasse disso.
Deito fitando o teto. É incrível como ela me deixa vulnerável e odeio me sentir assim. Mas não tem como evitar, no momento em que falei que a amo, eu abrir meu coração.
Manuela não pode permanecer na minha vida.
Quando ela sair do hospital, não a procurarei mais, vai se melhor assim, tanto pra mim quanto pra ela.
Sinto uma lágrima riscar a lateral do meu rosto.
Uma coisa sobre mim que não contei, é que, quando eu começo a chorar, não consigo parar. A última vez que chorei foi quando Chiara e meus pais morreram, depois isso parou de existir na minha vida. Mas agora estou aqui chorando.
Passo a mão nos meus olhos enxugando as lágrimas.
No final das contas não ficaremos juntos. Ela vai seguir a vida dela e eu a minha. É melhor assim.
- Hey Cara. - a voz do Léo preenche o quarto. - como a Manuela está?
- Mal, ela perdeu o bebê, não me quer por perto e jogou na minha cara que a culpa disso tudo é minha!
- Ela só está chateada e nervosa, ela vai te perdoar.
- Ela não vai Leonardo, Manuela tem razão! Eu a tornei a vida dela um inferno, ela quase morreu porque Lino queria me atingir.
Ele senta perto de mim e fica me olhando. Enxugo as lágrimas que ainda insistiam em cair.
- Eu nunca te vi chorar. - ela fala surpreso. - você vai mesmo se render assim?
- Vou, ela não quer me ver.
- Tudo bem então, apoio a decisão que você tomar.
- Eu só queria pedir uma coisa, monta um esquema de proteção pra ela, ela não pode desconfiar que está sendo monitorada, quero ter a certeza de que ela vai ficar bem, Manuela não vai está comigo, mas pode ser que alguém resolva fazer algo.
- Eu vou falar com Diego e tentar fazer algo bem seguro e discreto.
- Obrigado, cara.
°°°
Manuela:
Me sentia mais calma, porém ainda estava um pouco chateada. Renato tinha ido embora, a enfermeira me falou que ele saiu muito cabisbaixo.
Fui muito dura com ele, mas é que eu precisava por pra fora toda a dor que sinto. Pelo menos uma coisa me deixou feliz no meio disso tudo, Renatohavia dando a liberdade de Malena.
Ela estava comigo agora, Renan a trouxe pra me fazer companhia.
- Você não acha que devia conversar com ele, dá a chance dele tentar concertar tudo. - Malena sugere.
Ela está tão bonita, tranquila, feliz...
- Estou muito magoada, eu quase morri e ainda perdi o bebê...
- Manu, não era pra ser, você e o Renato são tão complicados, aconteceram muitas coisas, não ia ser nada fácil criar um bebê.
Solto um suspiro. Algumas lágrimas escorriam por meu risto.
- Eu sei, mas o bebê não tinha culpa, eu teria amado ele com todo o meu ser. - choramingo.
Malena pega minha mão e começa a fazer um carinho.
- Vocês não o ama? Você não vai ficar com ele? - ela pergunta.
- Sabe, o fato de que não podemos ficar juntos não significa que não o ame... mas ficar longe parece ser tão errado.
- Manu, você quer ser feliz ou quer passar os dias seguintes sofrendo?
Eu não sabia o que ia dizer... Eu quero ser feliz, mas eu não sei se a felicidade que busco está no Renato, mas também não quero sofrer.
Ia responder a pergunta dela, mas a porta é aberta.
Renan entra segurando um urso e um buquê de tulipas.
- A hora de visita vai acabar, vim te buscar Male. - ele fala entregando as flores a ela. - pra você.
Eles são fofos.
- E Manu, o urso é pra você, é um presente meu e dos caras, não entreguei mais cedo porque eles só compraram ainda pouco. - Renan fala me entregando o urso. - ficamos bem felizes quando o Renato disse que você tinha acordado, ele estava quase tendo um treco.
- Mesmo?
- Sim, quando Lino te empurrou e você caiu, Renato entrou em desespero, ele realmente achou que você tinha morrido, você sangrava pelo o nariz, pela boca, não dava pra sentir sua respiração...
Ninguém me disse isso.
- Renato tomou três tiros um pouco depois de implorar pra você acordar, de pedir perdão e dizer que te amava.
Ele o quê?
- Mas ele parecia tão bem... - falo quase sem voz.
- Ele não está nada bem Manu, a recuperação dele está sendo difícil, foram três tiros, um quase acertou o pulmão dele, fora que ele está fodido emocionalmente, porém ele é o Renat, nunca vai admitir que precisa de alguém, no caso, você.
××××
Maratona 5/5
Espero que tenham gostado ❤
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TRÁFICO | Renato Garcia (Concluída)
FanfictionEle é perigoso, frio e calculista. Tudo o que ele mais deseja é se vingar do homem que tornou a sua vida infeliz. Chefe do Tráfico, Renato não poupa esforços pra ter o que deseja. Mas... e ela?? Ela só estava no lugar errado, na hora errada. Porém...
