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Renato:

Tínhamos conseguido sair da vista do Helicóptero da Polícia. Thiago estava certo, a estrada de barro era contornando por arvorés, a polícia não ia conseguir nos ver.

Thiago tinha passado pelo rádio que ele e o caminhão já estavam se aproximando. Tínhamos estacionado pra esperar que eles chegassem.

Aproveito que ainda temos alguns minutos e pego meu celular no bolso. Disco o número da Manuela, quero saber se Matteo está bem.

Ela demora um pouco pra atender.

- Alô, - a voz dela soa rouca, como se tivesse acabado de acordar. - quem é?

- É o Renato, queria saber do Matteo, ele está melhor?

- Renato? - pergunta com lentidão. - Renato?

- Sim manuelaRenato, fumou alguma coisa?

- Grosso.

- E você gostaaté sentou com vontade. - falo pra irrita-la.

- O Matteo está bem, a febre baixou e agora ele está dormido. - fala mudando de assunto. - era  isso?

- Você vai ficar  em casa? - pergunto curioso.

Vai saber  porque eu quero que ela fique... na verdade eu sei, mas adoro complicar as coisas.

- Sim, está tarde e acabei dormindo agarrada ao Matteo... Quando ele melhorar eu vou pra casa.

- Então , tchau.

- Cuidado, Renato...

Encerro a ligação com o coração batendo forte. Sorrio disfarçadamente enquanto guardo o celular.

Estou fodido. Sei que sinto alguma coisa por ela, que gosto de como ela se preocupa com meu filho. Sei que gosto dela, mas não sei se é certo traze-la pra minha vida, seria uma pessoa a mais para se preocupar.

- Se preparem. - Roma fala chamando minha atenção. - eles chegaram.

Vejo os faróis dos carros, seguidos pelos faróis fortes do caminhão. Thiago estaciona o carro descendo.

O caminhão para levantando um pouco de poeira.

Ali dentro continha 100 sacos com 50kg de pó, cada um. Aquilo ali era o suficiente pra me fazer apodrecer na cadeia caso eu fosse pego.

O cara do caminhão abre a porta pra descer, mas sou surpreendido quando ele aponta uma arma pra mim e atira.

O som ensurdecedor do tiro ecoa pela estrada vazia. Meu corpo vai ao chão com o impacto da bala.

Puta que pariu.

Sentia meu ombro pesado, uma dor forte se alastrava por todo o meu corpo. Conheço bem essa dor, levar um tiro é ruim pra cacete.

- AHHH! - grito quando o sangue começa a esfriar. - Caralho...

Os sons de tiro começam. Aquilo vai chamar atenção dos federais que estão na fronteira.

- Patrão, vamos tirar você daqui, é uma emboscada. - um dos meus homens fala.

- O carregamento... - falo com a voz arrastada.

- Não se preocupa, Roma tomou posse do caminhão.

A voz dele estava ficando cada vez mais distante.

- Patrão...

- Renato.

°°°

Eu conseguia sentir uma mão bem leve e macia acariciando meu rosto, acho que era um anjo tentando me acordar.

Será que morri e estou no céu?

Para de ser doidotraficantes não vão pro céu...

É, traficantes vão pro inferno, então só pode ser o capeta me alisando. Tenho que falar que não sou viado.

Abro os olhos devagar, mas fecho por conta da claridade. As chamas do inferno são fortes demais.

- Renato...

Por que o capeta tem a voz da Manuela?

- Ele tá delirando. - a escuto falar. - deve ser a febre, está alta demais.

Febre?

Abro meus olhos outra vez. A primeira coisa que vejo é Manuela. Ela sorri parecendo aliviada.

Matteo aparece ao lado dela e sorri mostrando os dentes branquinhos e pequenos.

- Que bom que acordou, papai.

- O que aconteceu? - pergunto sentindo a boca seca.

Sentia meu corpo quente e minha cabeça doía.

- Matteo, vai avisar aos meninos que o papai acordou.

Ele faz que sim e sai correndo.

- Como se sente? - Manuela pergunta.

- Meu ombro está doendo e minha garganta está seca. - falo. - você que tirou a bala?

- Sim, fiz o melhor que pude, mas já aviso que vai ficar uma cicatriz bem feia.

Ela faz uma careta bem engraçada.

- Tudo bem, é apenas mais uma pra coleção. - falo. - obrigada por cuidar de mim.

- De nada, Renato.

Ela morde o lábio inferior envergonhada.

Inclino o corpo com cuidado. Levo minha mão livre até o rosto dela. Manuela me olha sem entender.

- Renato? Não me lembro de te dá essa intimidade. - Digo.

Manuela começa a rir achando graça.

- Você não manda em mim Renato, não mais.

- Mas você quer que eu mande, principalmente se for pra sentar em mim. - provoco a puxando mais pra perto, ficar deitado é uma merda.

- Você é muito convencido! - ela afirma me olhando nos olhos.

- E você gosta!

- Quem te disse isso?

- Seus olhos. - falo, em seguida a beijo.

Eu já sei "Eu tenho um coração"

Vão tomar no cú.

××××

Maratona 3/5
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TRÁFICO | Renato Garcia (Concluída)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora