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Bip

Bip

Bip

Era o único som que eu conseguia ouvir. Estava num sono muito bom, fazia tempo que eu não dormia tão bem. Porém algo me incomodava, era como se uma dor quisesse tomar conta do meu corpo, minha cabeça estava latejando e minha boca estava seca.

"- Não, Por favor..."

"- Manuela, olha pra mim..."

Minha cabeça vai explodir.

Tento abrir o olhos, mas esse simples movimento fazia toda a minha cabeça doer.

Tinha alguma coisa presa no meu rosto. Eu sentia um ventinho fresco no meu nariz.

Abro os olhos tendo a visão de um teto todo branco. Noto que o que estava no meu rosto era uma máscara de ar.

Tento olhar pros lados, mas mover minha cabeça cabeça fazia tudo girar.

Estou num hospital. Mas como vim parar aqui?

Tento forçar um pouco minhas lembranças, aconteceu alguma coisa em casa, alguns homens invadiram e nos fizeram de refém.

Lino...

Escuto o som da porta fechando.

Diego aparece no meu campo de visão. Ele tinha um curativo na testa e usava uma tipoia no braço.

- Você acordou! - Diego fala esboçando um pequeno sorriso.

- O que aconteceu?

- Sofremos um atentado, você estava dormindo a três dias. Mas agora está tudo bem, conseguimos driblar o pessoal do Lino e entramos na casa matando os caras.

Consigo lembrar melhor das coisas.

A imagem de Manuela rolando escada a baixo aparece em minha cabeça.

- Cadê a Manuela, Diego? - pergunto ignorando o que ele disse. - fala pra mim que ela não morreu...

Ele solta um longo suspiro.

- Diego... - minha voz soa sôfrega.

- Ela está em coma, Renato. - Diego fala num tom triste.  - os médicos induziram o coma durante a cirurgia, ela bateu a cabeça muito forte quando Lino a empurrou da escada, ela teve algumas fraturas e uma hemorragia interna, ela não está muito bem, o quadro dela é grave.

- Eu quero vê-la...

- Você não pode sair dessa cama, Renato.

- Por que? Tô aleijado por acaso?

- Você tomou três tiros, precisa ficar de repouso, por pouco uma bala não atingiu seu pulmão, e a Manuela está na U.T.I não podemos entrar.

- Eu não quero saber quantos tiros eu tomei, eu quero ver a Manuela, se ela tá em coma, é porquê eu sou o culpado! - minha voz falha e me permito chorar. - eu a amo Diego, eu não vou me perdoar se ela não sobreviver.

- Ela tem que sobreviver, Renato... a Manuela  está grávida, ela precisa acordar, caso contrário, perderá o bebê.

- O quê?

- Isso mesmo, você vai ser pai outra vez. - Diego sorri parecendo realmente feliz. - mas os medicos falaram que por pouco ela não perdeu o bebê.

- Diego, me ajuda, eu previso ver a Manuela...

- Não Renato, não pode, ela precisa se repouso absoluto.

Bufo irritado. Eu quero vê-la!!!

- Tem uma coisa que vai te animar.

TRÁFICO | Renato Garcia (Concluída)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora