Capítulo 13: O Beijo Inesperado e a Proposta

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Eu mal podia acreditar. Nikolai estava me beijando. Meu Deus, que beijo! Era diferente de tudo o que eu já tinha experimentado. O mundo ao redor pareceu se dissolver, e só existíamos nós dois, naquele quarto de hospital, com o cheiro suave de antisséptico e a urgência de nossos lábios. Meus pensamentos, que antes giravam em torno da raiva por ele ter me visto vulnerável ou da confusão sobre quem ele realmente era, foram obliterados pela intensidade do momento. Seus lábios eram tão bons, tão certos, tão cheios de uma paixão contida, que eu não sabia se conseguiria me desgrudar. Eu estava completamente perdida, entregue à sensação, esquecendo-me de tudo.

Eu, que pensava que ele estaria com raiva por eu ter dito que era sua namorada para a recepcionista, fui pega de surpresa pela sua reação. Não era raiva, era desejo, uma volúpia que espelhava a minha, e isso me chocou ainda mais. Mal conseguia me mover, paralisada pela inesperada intensidade.

Quando nossos lábios finalmente se separaram, ficamos ali, nos olhando por minutos que pareceram uma eternidade, sem dizer uma palavra sequer. O silêncio, porém, não era vazio. Pelo contrário, estava preenchido por uma tensão elétrica, um ar denso e carregado de todas as emoções que acabávamos de compartilhar. O clima que ficou no ar era de uma pureza e uma calma únicas, algo que nunca havia sentido antes. Era como se, por um breve instante, tudo fizesse sentido, e a turbulência da minha vida se acalmasse em sua presença. Foi tão avassalador que senti como se minha alma estivesse saindo do meu corpo, mas de um jeito bom, leve, quase uma libertação.

Nikolai foi o primeiro a quebrar o silêncio, sua voz rouca, seus olhos fixos nos meus, procurando algo que eu não sabia nomear. "Cat," ele começou, a honestidade em sua voz me atingindo em cheio. "Não posso pedir perdão, ou até mesmo desculpas por ter te beijado, porque eu estaria mentindo e agindo como um babaca idiota. Cat, eu preciso muito te confessar algo: eu comecei a me apaixonar por você no dia em que nos esbarramos na recepção do escritório."

A revelação me pegou de surpresa. Apaixonado? Por mim? Eu, que me considerava ferida demais para inspirar tal sentimento em alguém. "Cat, eu quero que você possa me conhecer para que veja que essas palavras ditas agora são verdadeiras."

"Nick, eu...", comecei a dizer, a garganta apertada. As palavras simplesmente não saíam. Minha mente era um turbilhão de emoções: a surpresa pelo beijo, a confissão, a vulnerabilidade que ele mostrava. Eu não conseguia formular nenhuma frase coerente.

Ele pareceu entender meu silêncio, sua expressão se suavizando. "Cat, olha, eu sei que você foi pega de surpresa, mas só vou te pedir duas coisas: primeiro, me permita viajar com você. Segundo, me dê ao menos uma única chance."

Dentro de mim, uma batalha se travava. Uma parte de mim, a que ainda carregava as cicatrizes do abandono de Miguel, gritava cautela. "Não confie, não se machuque de novo", dizia uma voz. Mas outra parte, uma que eu mal reconhecia, que estava faminta por afeto e por um novo começo, pulsava com o desejo de aceitar. Eu só conseguia pensar que eu queria muito dar uma chance a ele, que talvez pela primeira vez eu pudesse ser feliz ao lado de alguém. A ideia de me permitir sentir novamente, de arriscar, era assustadora e, ao mesmo tempo, incrivelmente convidativa.

"Nick, eu... vou ao banheiro rapidamente e já volto, está bem?", eu disse, precisando de um momento sozinha para processar tudo, para respirar e organizar meus pensamentos.

No banheiro, encarei meu reflexo. Os olhos ainda estavam um pouco inchados de tanto chorar, mas havia um brilho diferente neles agora, um misto de confusão e uma centelha de esperança. Eu queria muito aceitar os pedidos dele, mas mal o conhecia. Se bem que ele parecia estar falando a verdade, seus olhos eram intensos, mas sinceros. E ele também me salvou naquela noite, agindo como um verdadeiro cavalheiro. Ele poderia ter se aproveitado da minha vulnerabilidade, mas não o fez. Isso pesava muito a seu favor. Se eu fosse pensar por esse lado, não havia razões lógicas para negar o pedido dele; apenas o medo, um medo antigo de me machucar de novo.

Voltei do banheiro, sentindo-me um pouco mais firme, mas ainda com o coração acelerado. Ele me esperava, com um olhar paciente. "Olha, Nick, podemos fazer um acordo, o que você acha?"

Um sorriso iluminou seu rosto, tirando um pouco da formalidade do ambiente hospitalar. "Por mim, tudo bem, meu amor", ele respondeu, a palavra "amor" soando doce e natural em seus lábios, fazendo um arrepio percorrer minha espinha. "É só me falar o que você deseja e eu realizarei, com todo o prazer."

"Bom, vamos nos conhecer com calma," eu propus, tentando manter a voz estável, mas o desejo de estar com ele era quase palpável. "Vamos viajar para o Rio como já íamos, e vamos aproveitar a companhia um do outro. Vou te apresentar o Rio e suas paisagens e culturas lindas, o que você acha?"

O sorriso dele se alargou ainda mais, e ele assentiu com a cabeça, seus olhos fixos nos meus. "Meu amor, claro que aceito! Vai ser incrível só por já estar ao seu lado." A forma como ele dizia "meu amor" era um bálsamo para minha alma ferida, uma promessa silenciosa de carinho e aceitação. Pela primeira vez em muito tempo, senti uma ponta de otimismo sobre o futuro.

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