Catherine
Fazia exatamente um ano desde que pisei em solo brasileiro, um ano desde o dia em que meus olhos encontraram Miguel pela primeira vez, e seis meses desde que meu coração foi despedaçado pelas suas palavras. Amanhã, essa contagem terminaria. Amanhã, eu estaria de volta à Itália, ao lado do meu pai, para mergulhar nos negócios da empresa da família. Acima de tudo, eu estava abrindo mão. Abrindo mão do meu amor por Miguel. Eu só o queria feliz, mesmo que não fosse comigo.
Qual era a lógica de permanecer ali, correndo atrás de alguém que não me queria por perto, nem mesmo como amiga? Não havia sentido. Por isso, eu iria embora, e torcia, com toda a minha alma, para que ele encontrasse a felicidade, para que seguisse sua vida.
Ninguém sabia da minha partida, exceto meu pai, a quem eu havia pedido para me buscar no aeroporto. Nem mesmo minha mãe. Eu partiria quando ela não estivesse em casa, deixando apenas um bilhete. Odiava despedidas, e esperava que ela entendesse o porquê de eu partir sem aviso.
Hoje era o dia. O dia em que eu deixaria o lugar para onde eu nunca deveria ter vindo. Já estava no aeroporto, meus olhos marejados, o peso das lágrimas mal contido. A cada minuto, a verdade se tornava mais real: ao entrar naquele avião, eu estaria abrindo mão do meu único e verdadeiro amor. Quem diria que isso seria tão doloroso? Eu jamais acreditaria.
Enxuguei as lágrimas apressadamente, e logo em seguida, meu voo foi anunciado. Me ajeitei e segui para o embarque, com um nó na garganta. Dentro do avião, tomei um remédio para dormir durante toda a viagem, na esperança de que o sono me poupasse de mais lágrimas. Antes de partir, eu havia deixado uma última carta para Miguel, um adeus final. Esperava que ele ao menos a lesse, para que entendesse o porquê de eu estar indo embora e o porquê de eu estar desistindo dele. Logo, o sono me alcançou.
Miguel
Este último ano foi de uma dificuldade avassaladora. Nunca imaginei que me apaixonaria por uma "criança", mas aconteceu. E hoje, vejo que não sou tão bom quanto pensava. As palavras que eu disse à Catherine, seis meses atrás, aquelas palavras que a feriram, nunca mais saíram da minha cabeça.
Quando ela começou a se declarar, meu desejo mais profundo era abraçá-la, dizer que a amava também, que ela era perfeita, uma verdadeira boneca, e que eu seria infinitamente feliz ao lado dela. Mas eu não podia. Não podia.
Quando disse que não sentia o mesmo, e vi aqueles olhos azuis se encherem de lágrimas, me senti o pior homem do mundo. Tive que sair dali rapidamente para não cometer uma loucura, para não me arrepender depois, ou pior, para não magoá-la ainda mais. Depois daquele dia, ela deixava bilhetes, recados na caixa postal do meu celular, mas eu jamais respondi. E a cada vez que a via de longe, meu peito ardia. Vê-la mais magra, mais abatida, me dilacerava. Meu desejo era pegá-la no colo, fazê-la comer direito, cuidar dela. Mas eu não podia. Ela era uma criança, e eu, um homem adulto, velho para ela.
Hoje, ela me deixou uma carta. Não a vi como de costume. Quando abri a carta e comecei a ler, meus olhos se encheram de lágrimas. Ela estava desistindo de mim. Estava indo embora, de volta para o pai na Itália. Dizia que só queria minha felicidade, mas ela... ela era a minha felicidade. O arrependimento me sufocou. Arrependi-me de tê-la ignorado, de tê-la afastado.
Chorei como uma criança pequena, sem saber o que fazer. Minha boneca havia ido embora, me deixando, desistindo de mim. Nunca imaginei que choraria por uma mulher, mas por ela, eu estava de joelhos na sala, em prantos, sentindo sua falta. O que eu faria sem vê-la todos os dias, mesmo que de longe? Não tinha resposta para minha pergunta. Não sei como pude deixar o amor da minha vida ir embora. Mas agora, ela encontrará alguém da idade dela, e será muito feliz.
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DIFERENTES
Romansaela uma menina doce e ingenua se apaixona por miguel um medico lindo mas com 22 anos mais velho que ela. apos declarar seu amor e ele nao aceitar ela decide seguir sua vida, e ele tbm segue a dele sera que o destino vai juntar esses dois algum dia...
