Capítulo 12: A Perspectiva de Nikolai: Paixão e Acidentes de Percurso

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Mal posso acreditar que estou me apaixonando pela Catherine. Na verdade, me apaixonei por ela desde o nosso primeiro esbarrão na portaria da empresa. Aqueles olhos me deixaram maravilhado; eles expressavam tanta dor, angústia, mágoa, e eu ainda não sei toda a razão deles estarem assim. O pai dela me deu alguns detalhes do que aconteceu no Rio enquanto ela estava lá. Ele me contou sobre o tal Miguel e tudo que ele fez com ela. Acredito que a maior dor que vi nos olhos dela foi causada por ele.

Só consigo pensar em como ele deve ser um babaca para machucar uma menina tão doce e amorosa, pelo que tenho visto todos esses dias na empresa. Aquele dia em que ela quase foi violentada por um cara que estava na empresa fora do horário – e ele nem era daquele setor – só consigo pensar que, se eu não tivesse chegado, ela estaria ferrada. Quando a peguei em meus braços, tudo o que eu quis foi cuidar dela com todo o meu amor. Ela parecia frágil, demonstrava força por fora, mas por dentro estava agonizando e pedindo socorro. E eu queria socorrê-la, não poderia deixá-la ali.

Quando cheguei em casa, meu irmão estava lá, e eu tive que pedir a ajuda dele. Eu jamais poderia vesti-la, até porque eu poderia perder o controle e atacá-la. Com meu irmão por perto, eu não correria esse risco. Quando nos vimos na empresa no dia seguinte, tudo o que eu conseguia pensar era em como ela estava linda dormindo, parecia tão calma e serena. Mas quando ela abriu a boca, vi que eu estava sonhando, porque ela parecia muito irritada.

Quando íamos conversar com calma, a secretária dela acabou nos interrompendo. Mas tudo bem, eu a veria muitas vezes no escritório. O pai dela me disse que ela teria que voltar para o Rio novamente e me pediu para acompanhá-la. Aceitei na hora, é claro. Seria uma oportunidade ótima de me aproximar dela e mostrar para o babaca do Miguel que ela não estava mais sozinha. Agora, ela tinha alguém.

A semana passou voando, cheia de trabalho. Eu falei com a Cat que iria com ela, mas é claro que não disse que foi o pai dela quem pediu. Afinal, não quero que ela e o pai briguem. Amanhã já era dia de arrumar as malas, e eu aproveitaria para avisar meu irmão que estaria viajando e não sabia quando voltaria.

Naquela noite, dormi nu, como já era meu costume. Porém, aquela noite foi bem diferente das outras. Eu sonhei a noite toda, e foi um sonho delicioso. Eu estava na praia com a Catherine, abraçados, vendo o pôr do sol da areia. De repente, o tal Miguel aparecia. Ele perguntava quem eu era, e ela respondia que eu era o namorado dela, me olhando com os olhos brilhando e sorrindo. Quando ela dizia isso, eu a beijava fervorosamente e com todo o meu desejo por ela.

Quando acordei, estava suado, vermelho, mas com um sorriso de orelha a orelha. Levantei-me e fui tomar meu banho, e naquele dia, ele precisava ser frio, porque, senão, eu não conseguiria ir trabalhar.

Quando estava a caminho do escritório, acabei sofrendo um acidente de moto. Sim, eu vou de moto para o trabalho, mas naquele dia, um cara veio na contramão em alta velocidade e me acertou em cheio, me fazendo voar alguns metros. Infelizmente, não foi só um arranhão, o que me fez ter que ir para o hospital. Eu nem tive como avisar minha secretária que estava indo para o hospital, nem ao meu irmão. No caminho, acabei desmaiando na ambulância.

Quando cheguei ao hospital, logo me avisaram que eu havia fraturado duas costelas e estava com muitos hematomas internos e externos. Precisaria ficar no hospital pelo menos até amanhã, tomando as medicações para dar uma melhorada nas costelas e nos hematomas. A enfermeira me disse que ligou para o meu contato de emergência, avisando que eu estava no hospital. Só então lembrei que meu primeiro contato de emergência era o da minha secretária. Ela ao menos avisaria a secretária da Cat. Sim, ela avisaria, e isso me deixou mais calmo. Acabei adormecendo por conta dos remédios.

Quando acordei, a vi me olhando do lado de fora da porta. Tudo o que eu conseguia pensar era por que ela estava ali. Ela entrou, e tudo o que consegui dizer foi "Desculpa" antes de apagar em um sono profundo novamente.

Acordei com o médico e a enfermeira no quarto, explicando meu quadro. Quando Catherine acordou, o médico disse que eu tinha uma namorada muito atenciosa. Ao ouvir "namorada", eu a olhei, indagando com o olhar, porque não entendi nada. Ela, muito nervosa, explicou que fez isso porque a recepcionista não queria deixá-la entrar. E tudo o que eu queria fazer era beijá-la. Fiquei a encarando por muitos minutos e depois me aproximei e a beijei, assim como eu queria, como havia sonhado. A dor dilacerante nas minhas costelas não me impediu de beijá-la.

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