Capítulo 18: Repercussões na Areia e um Elo Mais Forte

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Narradora

Catherine e Nikolai continuaram a caminhada pela praia, o silêncio preenchido pelo som das ondas e pela tensão recém-instalada. O sol, que antes banhava o cenário em tons dourados, agora parecia um pouco ofuscado pelo encontro inesperado. Miguel havia ficado para trás, uma figura estática na areia, mas sua presença ainda pairava no ar como uma lembrança incômoda. Nikolai apertava a mão de Catherine, sentindo a rigidez de seus dedos e o leve tremor que a percorria, um sinal claro do impacto que o passado ainda exercia sobre ela.

POV. Catherine

Ainda podia sentir o cheiro dele, a visão do seu sorriso que me assombrou por tanto tempo. E a forma como eu o dispensei... doeu. Doeu porque a ferida ainda estava lá, um corte profundo que o tempo não tinha curado completamente. Mas a mão de Nikolai na minha, firme e protetora, era um bálsamo. Ele não perguntou nada, apenas me deu espaço para processar, para respirar. Esse era o Nick.

Chegamos a um pequeno banco de madeira de frente para o mar, e nos sentamos. O silêncio se estendeu por alguns minutos, confortável, mas carregado de tudo o que não precisava ser dito.

"Você está bem?", a voz dele soou suave, quebrando o feitiço.

Olhei para ele, sentindo meus olhos marejados. "Eu... eu achei que tinha superado, Nick. Achei que ele não me afetava mais."

Nikolai me puxou para um abraço apertado, aninhando-me em seu peito. "É normal, meu amor. O passado tem dessas coisas. Mas o importante é que você não está sozinha. E a forma como você o enfrentou... foi incrível. Aquela menina que ele rejeitou não existe mais, não é?"

Sua voz era um carinho, e as palavras, um alívio. "Não", sussurrei, sentindo a verdade em minhas próprias palavras. "Ela não existe mais. Eu sou outra Cat agora."

Ele me afastou um pouco, segurando meu rosto entre as mãos, e beijou minha testa. "E essa Cat é a mulher mais forte e incrível que eu conheço. E eu estou aqui. Sempre."

Aquele momento foi um divisor de águas. Não era só o reencontro com Miguel que importava, mas a forma como Nick lidou com isso. Sem julgamentos, sem cobranças, apenas apoio incondicional. Aquilo solidificou algo dentro de mim. Era ele. Era Nikolai.

"Obrigada, Nick", disse, a voz embargada. "Obrigada por tudo."

Ele sorriu, aquele sorriso que derretia qualquer resquício de dor. "Não precisa agradecer, meu bem. Eu faria qualquer coisa por você."

Passamos mais algum tempo ali, apenas aproveitando a companhia um do outro, observando o mar. A nuvem do encontro com Miguel começou a se dissipar, substituída pela certeza do nosso presente. Aquele dia, que começou com a promessa de um reencontro familiar, havia se transformado na confirmação de um amor.

Chegamos à casa da minha mãe para o almoço. Nikolai foi tão charmoso quanto na visita anterior, e minha mãe, embora ainda um pouco frágil pela queda, parecia mais à vontade com a presença dele. A conversa fluiu, e eu me senti feliz, genuinamente feliz, em ver que as coisas com minha mãe pareciam estar melhorando. O carinho dela, a preocupação dela... talvez houvesse esperança para nossa relação afinal. Nikolai observava tudo com atenção, às vezes me lançando um olhar cúmplice que dizia "eu estou aqui, estou vendo, e estou com você"

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