Capítulo 8: O Acordar Inesperado e a Revelação Chocante

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A última coisa que eu me lembrava eram braços fortes me segurando, me impedindo de cair. Depois disso, um vazio.

Agora, eu estava em uma cama desconhecida, vestindo uma camisa de banda de rock. Sem ideia de como vim parar ali, de quem era a blusa, ou de como a vesti. O ar gélido do quarto me fez arrepiar.

Escutei passos se aproximando e, instintivamente, me cobri rapidamente. Estava apenas com uma camiseta que mal cobria minhas coxas. A porta se abriu, e o susto me fez cair direto da cama, com um baque no chão.

Não podia ser. Não acreditava que era ele! Como podia ser ele? E por que eu parecia estar na casa dele, usando as roupas dele? Meu Deus, ele só podia ter me drogado...

"Você?", soltei, ainda no chão. "Por que estou aqui? Como eu vim parar aqui? E cadê minhas roupas?"

O homem misterioso, alto e imponente, me olhou com uma calma que me irritou. "Bom, pra começar, você não me conhece. E está aqui porque meu irmão salvou você de ser estuprada, enquanto estava desmaiada na empresa. Suas roupas estão no banheiro, e fui eu quem as tirei. A propósito, meu nome é Mikhail."

"Seu nome é Miguel em russo!", percebi, com um frio na espinha. "Eu preciso sair daqui! Eu preciso sair daqui! Eu nem conheço você, muito menos seu irmão!"

Saí daquele quarto correndo, sem nem pensar em trocar de roupa. Não ia ficar ali, esperando mais explicações. E se ele, ou o irmão, me violentassem ou algo pior? Ele era bem maior que eu, e eu estava completamente fora de forma. As aulas de defesa pessoal não adiantariam muito agora.

Continuei correndo, até que consegui entrar no elevador. As portas estavam quase se fechando quando o vi se aproximando, falando com alguém no telefone. Eu sabia que, se ficasse mais um segundo ali, coisas horríveis aconteceriam. Eu nem sabia que horas eram! Precisava correr para o meu apartamento e depois para a empresa; devia estar atrasada.

O elevador parou no saguão. Saí dali correndo para a calçada e chamei um táxi, que apareceu rapidamente. Entrei a tempo, antes que ele me alcançasse.

Dei o endereço do meu apartamento. Mas, ao chegar, a realidade me atingiu: eu estava sem dinheiro! Minhas coisas haviam ficado no apartamento daquele maluco. Como eu pagaria agora? Assim que o motorista parou, expliquei o que aconteceu e pedi para ele esperar um minuto enquanto eu pedia ao porteiro para pagar. Ele concordou, mas me deu um ultimato: "Dez minutos, ou chamo a polícia."

Saí do carro correndo em direção à entrada do prédio. O porteiro, ao me ver, abriu o portão na mesma hora e veio ao meu encontro, vestindo seu casaco. Estava um frio congelante, mas eu estava tão nervosa que nem havia percebido. Expliquei a situação, pedindo para ele pagar o motorista e prometendo devolver o dinheiro depois. Ele concordou na hora, me mandou entrar e foi pagar o motorista. Eu nem sabia como agradecê-lo.

Subi as escadas correndo. Não ia arriscar encontrar nenhum conhecido do meu pai vestida daquele jeito. Seria constrangedor demais. Ainda bem que meu apartamento abria com digital ou senha e não com chave, senão estaria perdida. Ao entrar, senti um alívio imenso. Finalmente em casa!

Mas a urgência logo me puxou de volta à realidade: eu precisava correr para a empresa e ainda ir à faculdade. Estava assustada com tudo o que havia acontecido, mas precisava me recompor. Corri para o chuveiro, largando as roupas pelo caminho. Tomei um banho quente e rápido, pois não podia me atrasar mais. Saí do chuveiro ainda molhada e fui direto para o quarto. Peguei um vestido tubinho, uma meia-calça grossa e meu sobretudo. Coloquei o casaco do Boris na máquina para lavar e secar, e voltei para o quarto. Calcei minhas botinhas e peguei o único sobretudo que havia trazido do meu pai, para sentir um pouco dele em Moscou. Boris precisaria dele de volta assim que o dele secasse.

Desci de elevador e parei na portaria. Entreguei o sobretudo a Boris e o dinheiro do táxi, agradecendo. Peguei o carro na garagem e saí correndo. Faltavam menos de trinta minutos para uma reunião crucial com o vice-presidente que exigia minha presença. Eu estava sem celular, sem como ligar para minha assistente e avisar que estava a caminho. Não tinha como fazer nada! Eu estava ferrada. O que meu pai pensaria se soubesse disso? Ele ficaria muito magoado comigo, e isso era a última coisa que eu queria. Eu não podia perder essa reunião de jeito nenhum.

Cheguei à empresa faltando quatro minutos para a reunião começar. Saí correndo pelo hall, entrei no elevador, orando para chegar a tempo. Quando finalmente encontrei a sala de reuniões, todos já estavam lá, mas eu não via o tal vice-presidente, aquele de quem todos na empresa tanto falavam. Minha assistente me mostrou onde sentar e logo perguntou por que eu estava atrasada e por que não atendia o celular. Respondi apenas que conversávamos depois da reunião.

Quando ia perguntar sobre o vice-presidente, a porta se abriu. E ele simplesmente entrou, com toda a gentileza do mundo, pedindo desculpas por ter saído da sala daquela maneira abrupta.

"VOCÊ?!?", exclamei, sem acreditar. "NÃO É POSSÍVEL!"

"Ah, não, você não...", ele respondeu, seus olhos fixos nos meus.

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