Narradora
Enquanto Catherine e Nikolai construíam sua fortaleza de amor e ambição no Rio, o destino tecia uma trama paralela. Miguel, deixado para trás na praia com a frieza de Catherine, experimentava o amargo sabor da rejeição e do arrependimento. Sua vida, que ele tentara reerguer com Suellen, parecia desmoronar sob o peso de suas escolhas passadas. A ironia do destino, porém, garantiria que seus caminhos se cruzassem novamente, de uma forma que ninguém poderia prever.
POV. Miguel
Dois meses. Dois meses desde o casamento com Suellen, e cada dia era um lembrete do vazio que Cat havia deixado. Eu tentei, juro que tentei amar Suellen. Ela era boa, carinhosa, me entendia. Mas depois de ver Catherine na praia, de ouvir a frieza em sua voz, de sentir a dor da sua rejeição clara... tudo mudou. As palavras dela, sobre como eu a havia machucado no aniversário de 18 anos, me assombravam dia e noite. Eu era um babaca. Um completo e irremediável babaca.
Desde aquele dia na praia, Suellen percebeu a mudança em mim. Eu estava distante, pensativo, e as tentativas dela de se aproximar eram em vão. Eu a amava? Não. Eu a gostava, sim, muito, mas o amor que eu havia tentado enterrar por Catherine, aquele amor que eu negava a mim mesmo por ela ser "uma criança", irrompeu como uma ferida aberta. E agora, era tarde demais.
Nossa relação se deteriorou rapidamente. As discussões se tornaram frequentes, os silêncios, insuportáveis. Suellen, com a sensibilidade que a caracterizava, percebeu.
Diálogo
Suellen: Miguel, o que está acontecendo com você? Você está distante, não me olha mais como antes. É a Catherine, não é?
Eu baixei a cabeça. Não conseguia mentir para ela.
Miguel: Su... eu... eu sinto muito. Eu tentei, de verdade. Mas eu não consigo. Meu coração... ele não me pertence mais.
As lágrimas escorreram pelo rosto dela. Era a primeira vez que a via chorar por mim, e a dor em seus olhos era lancinante.
Suellen: Eu sabia. Eu sabia que isso aconteceria. Eu te disse, Miguel. Eu te disse que te ensinaria a me amar. Mas você não se permitiu. Seu coração... é dela, não é? Sempre foi.
Eu não conseguia responder. A verdade era um soco no estômago.
Miguel: Eu sinto muito por ter te enganado, Su. Por ter te machucado. Você merece muito mais.
Suellen: Eu também sinto muito, Miguel. Sinto muito por não ter sido suficiente para você.
A separação foi inevitável. Suellen se mudou alguns dias depois. Eu estava sozinho, com o apartamento vazio e a mente cheia de arrependimento. Tentei ligar para Catherine novamente, mas ela não atendeu. Deixei mensagens, mas não houve resposta. Ela havia me bloqueado. Era o que eu merecia.
Meu trabalho no hospital se tornou meu único refúgio. Eu me atirava nos plantões, buscando exaustão para silenciar os pensamentos. O Dr. Almeida, meu chefe, percebeu meu estado.
Diálogo
Dr. Almeida: Miguel, sei que você está passando por um momento difícil. Mas sua produtividade caiu, e você está com a cabeça em outro lugar.
Miguel: Desculpe, doutor. Estou tentando lidar com umas coisas pessoais.
Dr. Almeida: Entendo. Mas preciso que você se recomponha. Tenho uma oportunidade para você, algo que pode te tirar daqui por um tempo, te dar um novo ar.
Meu coração deu um salto. Qualquer coisa para sair daquele lugar.
Miguel: Do que se trata, doutor?
Dr. Almeida: Uma filial nova de um grande grupo internacional vai abrir aqui no Brasil, no Rio de Janeiro. Eles estão buscando um cirurgião com o seu perfil para liderar o corpo clínico de um hospital que será construído anexo à empresa. É uma parceria, e eles querem o melhor. Seria por um ano, talvez mais, para ajudar na instalação e no treinamento da equipe. Uma oportunidade única.
O Rio de Janeiro. A ironia era cruel. O mesmo lugar para onde Catherine havia ido, o mesmo lugar onde ela estava construindo sua nova vida. Eu não podia fugir dela. O destino estava me empurrando de volta para onde ela estava.
Miguel: Eu aceito, Dr. Almeida. Quando posso começar?
Eu sabia que, ao aceitar, estava mergulhando de volta no mundo de Catherine. Não por ela, não mais para reconquistá-la. Eu havia perdido essa batalha. Mas talvez, apenas talvez, fosse uma chance de redenção, de provar a mim mesmo que eu poderia ser um homem melhor, mesmo que ela nunca soubesse. Ou talvez, fosse apenas o destino me forçando a encarar as consequências das minhas próprias escolhas.
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DIFERENTES
Romanceela uma menina doce e ingenua se apaixona por miguel um medico lindo mas com 22 anos mais velho que ela. apos declarar seu amor e ele nao aceitar ela decide seguir sua vida, e ele tbm segue a dele sera que o destino vai juntar esses dois algum dia...
