Capítulo 6: Primeiro Dia na Capital Gelada

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Acordei bem cedo no dia seguinte, sentindo o corpo relaxado e a mente mais tranquila. Um banho era o que eu precisava. Mergulhei na banheira, sentindo a água quente dissolver o último resquício de cansaço da viagem. A sensação era de leveza e uma animação crescente para o dia agitado que me esperava. Hoje seria meu primeiro contato com a empresa aqui na Rússia, e eu precisava absorver tudo para fazer um bom trabalho e deixar meu pai orgulhoso. Falando nele, eu precisava ligar para ele!

Saí da banheira correndo, me sequei, troquei de roupa e já peguei o celular, ligando para o meu pai e colocando no viva-voz. Assim, conseguiria preparar meu café da manhã ao mesmo tempo. Ele atendeu no quarto toque. Provavelmente o acordei, afinal, aqui na Rússia eu estava uma hora à frente: enquanto eram 7 da manhã para mim, lá ainda eram 6 horas, bem cedo. Mas ele atendeu com a voz feliz, dizendo que já estava com saudades. Eu também sentia muita falta dele, mas sabia que aquela experiência seria boa para todos, especialmente para mim.

Quando percebi, já eram 8 horas. Precisava correr se não quisesse chegar atrasada no meu primeiro dia na empresa. Consegui chegar a tempo. No saguão, a caminho do elevador, acabei me esbarrando em uma parede de músculos. O choque me fez perder o equilíbrio e cair no chão. Uma mão forte, e que mão!, se estendeu para mim, oferecendo ajuda. Claro que aceitei, afinal, já tinha passado a maior vergonha caindo no meio do saguão. Levantei-me, agradeci e, como ele não se apresentou, perguntei seu nome. Com uma voz imponente, ele disse: "Nikolai Tchekhov". Um nome lindo, por sinal. "Prazer", respondi, "eu me chamo Catherine Vicentini."

Ele me olhou de uma forma estranha, quase como se me analisasse, e depois pediu desculpas e foi embora. Não entendi aquele olhar. Parecia carregado de raiva e mistério. Mas fui eu quem caí, quem deveria estar com raiva era eu, não ele. Fiquei ali parada, observando-o se afastar por um bom tempo, até que despertei do transe e segui para o elevador.

Meu andar era o da presidência. Ao chegar, no saguão, uma fila de funcionários estava parada, esperando alguém. Devia ser algum cliente importante. Tentei passar por eles sem ser notada, mas uma das funcionárias veio até mim e me chamou de "Dona Catherine". Estranhei. Nunca havia sido chamada assim. Virei-me para ela, e quando ela percebeu minha atenção, apresentou-se:

"Eu me chamo Lara, e sou sua secretária e sua assistente pessoal. Aqueles quatro ali são a Katia, ela fica na recepção, ninguém entra aqui sem a autorização dela. Aquela outra é a Tatiana, a secretária do vice-presidente, já que seu pai é o presidente. E aqueles dois são Serguei e Boris, seus seguranças, enquanto estiver na empresa, eles serão seus seguranças aqui no andar."

Quando ela terminou de falar, percebi que todos ali já me conheciam. Mesmo assim, me apresentei como Catherine e pedi para não me chamarem de "Dona", pois me fazia sentir muito mais velha. "Se quiserem, me chamem pelo meu nome todo ou por Cat. Não me importo", declarei. Dito isso, segui para a minha atual sala. E que sala! Era grande, espaçosa e tinha a cara do meu pai.

Um tempo depois, Lara bateu na porta, pedindo para entrar. Dei permissão. Ela entrou com uma agenda nas mãos, dizendo que era a minha agenda com todos os horários do dia. Ficou por uns bons trinta minutos, detalhando todos os compromissos, que eram muitos! Depois, saiu da minha sala, avisando que em dez minutos eu teria uma reunião de apresentação com os funcionários da empresa.

Ajeitei-me e me levantei, indo para a maior sala de reuniões. Lá, encontrei todos os funcionários conversando. Ao me verem, silenciaram. Não entendi a reação. Então, disse: "Oi, pessoal! Prazer em conhecer todos vocês. Eu me chamo Catherine, e sei que vocês já sabem meu nome e por que estou aqui, porém, quero ser amiga de vocês. Para começar, não me chamem de 'Dona', ok? E se tiverem qualquer problema, podem me chamar, estarei à disposição de vocês. Obrigada por terem parado o serviço para me ouvir. Bom trabalho, pessoal!"

Depois, tive mais duas reuniões antes do almoço. Quando percebi, já eram 14h, e só então lembrei que ainda não havia almoçado. Interfonei para Lara e pedi que ela pedisse, em algum lugar que conhecesse, uma porção de salada mista com frango grelhado e molho Caesar. Meia hora depois, ela trouxe meu almoço, que estava delicioso. Meu dia se passou entre reuniões e mais reuniões, mas ainda não havia conhecido o vice-presidente, que era amigo do meu pai.

Quando me dei conta, já passava das 20h, e o expediente terminava às 18h. Eu havia ficado duas horas a mais. Lara já havia ido embora, ela saiu no horário. Achei que era melhor ir para o apartamento também, já era tarde e eu estava exausta. Apaguei as luzes e estava saindo da minha sala quando, por estar escuro, acabei trombando em alguém. Só que, dessa vez, braços másculos me seguraram, impedindo minha queda.

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