A última coisa que eu me lembrava antes de acordar era a sensação de braços fortes me segurando...
Acordei assustada, minha mão entre minhas pernas, e uma constatação: eu estava extremamente molhada. Um pesadelo? Não. Um sonho. Um sonho em que eu fazia sexo com Nikolai. Meu Deus, eu sou uma pervertida! Como pude imaginar tal cena?
Deitei-me nua, o corpo ainda quente, e acabei adormecendo novamente, mas os pensamentos não me largavam. Como eu encararia Nikolai amanhã no escritório, depois de sonhar com ele e imaginar como o pau dele devia ser?
No dia seguinte, acordei super atrasada. Não era possível que eu tivesse tido outro sonho com Nikolai! Meu Deus, será que eu realmente queria que aquilo acontecesse? Ou meu cérebro estava apenas me pregando peças? Com esses pensamentos borbulhando na cabeça, me arrumei correndo e fui para a garagem pegar o carro. Não podia me atrasar mais, ainda mais porque viajaria à noite.
Cheguei ao escritório e, para meu alívio, não dei de cara com Nikolai. Graças aos céus! Nem sei como eu reagiria ao vê-lo depois daqueles sonhos tão reais. Confusa, entrei na minha sala, sendo seguida pela minha secretária, que recitava a agenda do dia. Quando ela mencionou uma reunião com o vice-presidente às 16h, um nervosismo me atingiu, e comecei a suar frio.
Lara perguntou se eu estava passando mal ou algo assim. Consegui apenas responder que não, que era só um mal-estar, já que ainda não havia tomado café da manhã. Ela prontamente correu até a cafeteria ao lado, buscando um cappuccino e um croissant para matar minha fome. Mal sabia ela que meu mal-estar não tinha nada a ver com comida, mas sim com o fato de que eu veria Nikolai novamente hoje e, para completar, viajaria com ele.
O desespero começou a bater. Eu não sabia nem o que falar, quem dirá como agir. "Ai, meu Deus das calcinhas molhadas, me ajuda a encontrar uma saída!" Pensei. Ele podia dizer que não iria mais, pelo menos isso. Passei o dia inteiro pensando nisso, mal conseguindo me concentrar nas reuniões, e nem consegui almoçar.
O pior: faltavam apenas dez minutos para a reunião com Nikolai. Levantei-me para ir até a porta da minha sala quando Lara entrou, o rosto completamente vermelho. Perguntei o que havia acontecido e fui em direção ao frigobar pegar uma garrafa d'água, mandando-a sentar. Depois que ela se acalmou, perguntei novamente. Foi então que ela soltou: Nikolai sofreu um acidente vindo para o escritório e agora estava no hospital.
Ao ouvir isso, comecei a suar e fiquei tonta, com a sensação de que ia desmaiar. O chão pareceu sumir sob meus pés. Se Lara não tivesse me segurado, eu teria caído e, provavelmente, batido a cabeça. Depois de uns dez minutos, voltei a mim e me dei conta de que precisava ir até Nikolai. Ele devia estar sozinho, com frio. Eu nem conseguia imaginá-lo em uma cama de hospital, machucado.
Lara me passou o endereço do hospital, e eu saí correndo, apenas com minha bolsa e meu casaco. Nunca dirigi tão rápido na vida. Ao chegar ao hospital, a recepcionista se recusou a me dar qualquer informação, dizendo que só parentes podiam ter acesso aos pacientes. Perguntou o que eu era dele, e eu, sem pensar, disse que era sua namorada.
Ao ouvir isso, ela me informou o número do quarto: segundo andar. Peguei o elevador e esperei, a ansiedade me consumindo. Quando finalmente encontrei o quarto dele, a cena me chocou. Ele estava todo machucado, o braço enfaixado, o rosto cheio de arranhões. Meu Deus, será que ele caiu de moto? Ou levou uma surra? Mas ele era tão grande, não era possível que tivesse apanhado assim.
Fiquei ali, do lado de fora do quarto, observando-o por longos minutos, tentando criar coragem para entrar. Mas ele me viu antes que eu conseguisse falar qualquer coisa. Tudo o que consegui dizer foi: "Meu Deus, Nick! Você me deixou preocupada! O que aconteceu? E por que não me ligou antes?"
Tudo o que ele conseguiu dizer, com uma voz fraca, foi: "Desculpa."
Vê-lo naquele estado tão frágil me deixou com o coração em frangalhos. Algo dentro de mim despertou, uma necessidade de vê-lo bem. Ficamos nos encarando por longos minutos, sem dizer uma palavra sequer, apenas nos olhando. Até que ele adormeceu. Sentei-me na cadeira ao lado da sua cama e fiquei ali, velando seu sono, até que o cansaço me venceu e eu também caí no sono.
Acordei ouvindo vozes conversando no quarto. Quando meus olhos se acostumaram com a luz, vi que no quarto agora estavam um médico, uma enfermeira e Nikolai, conversando. Ao perceberem que eu havia acordado, o médico disse a Nikolai que eu havia ficado acordada por horas, velando seu sono, e que ele tinha sorte de ter uma namorada tão atenciosa como eu. Nikolai me olhou, meio perplexo, e eu fiquei sem saber o que dizer, apenas agradeci o elogio. Eles disseram que se retirariam do quarto, mas voltariam mais tarde para dar as medicações a ele.
Quando o vi me encarando, quase me perguntando sobre a história da "namorada", apressei-me em explicar que a recepcionista não queria me deixar entrar nem me dar informações, e que por isso eu disse que era sua namorada. Ele simplesmente me olhou e deu um sorriso, sem dizer nada. Ai, meu Deus, será que fiz besteira?
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DIFERENTES
Romanceela uma menina doce e ingenua se apaixona por miguel um medico lindo mas com 22 anos mais velho que ela. apos declarar seu amor e ele nao aceitar ela decide seguir sua vida, e ele tbm segue a dele sera que o destino vai juntar esses dois algum dia...
