O Nikolai não conseguiu me contar nem me responder nada. Minha secretária nos interrompeu, mas era meu pai ao telefone, e ele precisava falar comigo. Algo terrível havia acontecido com minha mãe, e eu precisaria voltar para o Rio correndo. Mesmo sem sermos muito próximas, ela ainda era minha mãe; jamais desejaria algo ruim a ela.
Passei o dia correndo na empresa, tentando adiantar o máximo de trabalho possível. O tempo voou.
No dia seguinte, levantei com o corpo completamente dolorido. Só então me dei conta de que havia dormido em cima do notebook, devo ter caído no sono enquanto trabalhava. Saltei da cama, correndo para o banho. Precisava daquele banho. Vestia um terninho cinza, justo ao corpo, com uma camisa preta por baixo, e nos pés, um scarpin vermelho com salto quinze.
Saí de casa e cheguei ao escritório, indo direto para minha sala. Hoje, nem horário de almoço eu tiraria. Precisava adiantar ainda mais serviço, caso precisasse ficar mais tempo no Brasil. Além disso, eu trabalharia remotamente de lá.
O dia passou em um piscar de olhos.
De repente, me dei conta de que estava chorando, sentada em minha sala. Tentei enxugar as lágrimas, mas não deu tempo. A porta se abriu, e Nikolai as viu. Ele perguntou se o motivo era minha mãe, e eu confirmei. Mas como ele sabia? Ele me respondeu que meu pai havia ligado para ele hoje, pedindo que me acompanhasse ao Brasil, pois temia que eu não suportasse passar por aquilo sozinha, e ele havia concordado.
Fiquei pasma. Como meu pai teve a capacidade de fazer isso comigo? Eu mal conhecia Nikolai, mas eu realmente precisaria de ajuda com o trabalho lá. Talvez ele fosse bem útil, afinal.
Nikolai me olhou com uma intensidade inesperada. "Olha, meu anjo, eu vou com você. Me deixa te ajudar, tá bem?"
"Tudo bem, Nick," eu disse, engolindo em seco. "Você vai comigo. Mas, por favor, não faça nada além do seu trabalho. Você não faz ideia de como as coisas são lá, muito menos a minha mãe. Mas eu agradeço de coração por você ir comigo."
"Cath, tá tudo bem," ele respondeu, com uma voz surpreendentemente suave. "Eu não me importo de ir com você. É bom que conheço um pouco das coisas lá do Brasil e do Rio também. Mas vou precisar de ajuda com o português, afinal, o meu não é lá essas coisas, e você já sabe. Mas vou me esforçar, isso eu posso prometer a você. E farei tudo ao meu alcance para te ajudar."
Depois de me dizer isso, ele saiu da minha sala sem nem se despedir. Fui para casa, imersa em seus pensamentos, ponderando sobre o que ele havia dito e o que o futuro nos reservava.
VOCÊ ESTÁ LENDO
DIFERENTES
Romanceela uma menina doce e ingenua se apaixona por miguel um medico lindo mas com 22 anos mais velho que ela. apos declarar seu amor e ele nao aceitar ela decide seguir sua vida, e ele tbm segue a dele sera que o destino vai juntar esses dois algum dia...
