"Now I need somebody to know
Somebody to heal, somebody to have
Just to know how it feels
It's easy to say, but it's never the same
I guess I kinda liked the way you helped me escape
Now the day bleeds, into nightfall
And you're not here, to get me through it all
I let my guard down and then you pulled the rug
I was getting kinda used to being someone you loved"
(Someone You Loved – Lewis Capaldi)
– Cari, me disseram que a menina do vídeo está aqui. É verdade? Você quem a recebeu? Meu Deus, quais as chances? Como você está? Como ela está?
Amanda interrogou, me parando, ao passar por mim no corredor. Neguei com a cabeça, tentando evitar cair no choro ali no meio de tantas pessoas.
– Ei, o que houve? Vem cá.
Minha amiga chamou, preocupada, percebendo minha expressão chorosa.
– Preciso pedir uma máquina de CT. Já falo com você.
Expliquei e ela ficou observando, sem entender nada.
Logo que consegui fazer o pedido da máquina, caminhei em direção à Amanda e fomos juntas até o quarto de descanso novamente.
– Ela deu entrada no hospital já desacordada, parou duas vezes, eu e as enfermeiras tivemos que estabilizar sozinhas. Não tinha nenhum médico-atendente lá para auxiliar. Só aqueles bananões dos internos, que ficaram tão chocados por saberem quem era a menina que não fizeram absolutamente nada, aqueles idiotas.
Contei, tudo num fôlego só, em desabafo, logo que nos assentamos em uma das camas para conversar.
– Sabe o que é pior? – Falei, me acalmando um pouco – Eu olhava para ela e só conseguia me ver ali. Eu não sei se somos muito parecidas mesmo ou se eu estou viajando nessa ideia, mas até o nome dela se parece com o meu, Amanda! Que tipo de brincadeira de mau gosto do universo é essa?
– Carina... Catarina... É verdade. Seus nomes se parecem.
Ela riu, sem graça, mas surpresa pela coincidência.
– E não é só no nome que nos parecemos.
Comentei, sabendo que ela sabia bem o que eu queria dizer.
– Você quase fez essa loucura também, não foi?
Amanda perguntou, me olhando com preocupação.
– Foi por muito pouco.
Concordei, com o olhar perdido, sentindo as lembranças daquele dia voltando à minha mente e meus olhos se enchendo de lágrimas, que escorreram sem que eu pudesse evitar.
– Eu já tinha planejado tudo. Estava tão desesperada, que só pensava em cada pessoa que eu conhecia e no que elas pensariam quando vissem aquele vídeo. Eu tinha certeza que, cedo ou tarde, todo mundo veria. Na minha cabeça, naquele momento, não tinha outra saída, essa era a única. Foi mesmo por muito pouco.
Contei, sendo tomada pela emoção. Eu sempre dizia que esse capítulo era página virada, mas ainda não conseguia falar sobre ele sem chorar, o que talvez fosse sinal de que não era uma página tão virada assim.
– O que te fez desistir?
Amanda perguntou, com carinho, percebendo que talvez finalmente eu precisasse falar sobre isso para aliviar.
– Meu pai me ligou. Na hora exata. Se ele tivesse deixado para ligar cinco minutos depois, eu nem sei... – Respirei fundo para continuar – E quando eu atendi, ele nem disse "alô", só me disse "Filha, eu já sei o que aconteceu. Não se preocupe, vamos resolver isso juntos.". Eu chorava e perguntava para ele "Você não está envergonhado? Você não está com raiva de mim?" E ele dizia "Eu nunca vou ter raiva de você, filha. Você é o que tenho de mais precioso. Não se preocupe! Vamos resolver." E eu não estava esperando receber apoio. Estava esperando ele gritar comigo, me xingar, dizer que estava envergonhado... Mas não.
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Amigos Con Derechos
RomansaCarina Valbuena, uma pediatra talentosa e emocionalmente marcada, evita envolvimentos amorosos e prefere manter as coisas simples-até que uma noite casual com Cristián Castillo, um famoso goleiro, vira seu mundo de cabeça para baixo. O atleta, cans...
