Colin olhou para ela assombrado. Não podia acreditar no que ouvia, mas os olhos fogosos dela diziam que era mesmo o que ela queria dizer. E era ridículo. Tão impensável que ele começou a rir.
— Só podes estar louca. — disse — Só podes estar mesmo louca para sequer pensar nisso.
— Não estou. As coisas nunca estiveram mais claras.
— Você devia se ouvir. Está a falar coisa com coisa, Ariela. Vai se entregar? Como pode sequer cogitar nisso? Depois de tudo o que passamos, tudo o que planeamos... É suposto lutarmos até o fim. É suposto sacrificarmos tudo, desde que estejamos juntos. O que mudou?
— Tudo, Colin. Eu sei o que nós combinamos e acredite em mim, eu queria isso mais que tudo, mas o preço da minha liberdade é alto demais. Não posso pagar.
— Nós sabíamos o que esta luta ia nos custar desde o princípio e nunca paramos por isso. Lutamos até aqui e estamos quase lá , agora estás a desistir? Isso não faz sentido e não me peças para entender. Alguma coisa aconteceu. Eu mereço saber, então fala.
— Eu nunca parei para pensar em tudo o que aconteceria com tanto detalhe. São milhares de vidas que serão afectadas nisto tudo, Colin. Eu não posso tomar o papel de Deus em minhas mãos e condenar todas essas pessoas. São as minhas amigas a perder o emprego e viver na desgraça com tantas contas, filhos e outras responsabilidades na vida. São centenas de trabalhadores. O nosso amor não pode valer tanto assim, Colin, não é justo.
— Sabe o que não é justo? O que você está a fazer connosco. Eu entendo que o peso das consequências da nossa luta seja alto, mas nós não somos responsáveis por ninguém além de nós dois, Ari. Se atarmos a nossa felicidade ao bem estar dos outros, nunca seremos felizes. Sempre iremos pensar no que podíamos estar a fazer pelo outro que necessita mais, e você simplesmente não pode ajudar todo o mundo. Não tem poder para tal, muito menos a responsabilidade. Não que não me importe com os nossos trabalhadores, eu tenho pessoas por quem tenho muito carinho e apreço lá dentro, mas já me doei. Dei sangue por anos a manter a empresa e dar o melhor para todos eles. Agora não posso mais. Há essa coisa em jogo que me importa bastante e não quero abrir mão dela. Queria poder sacrificar minha felicidade por eles, mas se eu continuar assim, quando será a minha vez? Quando irei olhar por aquilo que realmente quero e me faz bem?
— Colin... Eu sinto muito.
— Não sinta, só para com essa loucura. Posso estar a ser egoísta e cruel, eu sei, mas não me importo. Eu te quero, Ari. Quero-te mais que tudo e não posso aceitar que te submetas a uma vida miserável por mais altruísta que seja a tua intenção. Não me importo em perder tudo e viver uma vida simples e menos abastada nesta luta. Nós podemos viver numa casa pequena, aqui, por exemplo. Eu vou ser um contabilista ou financeiro comum e você professora primária. Eu sei que é loucura, que pode parecer papo furado, mas o que quero dizer é que eu amo-te, Ariela. Amo-te demais e não há chance de eu te deixar ir embora da minha vida.
— Por favor, Colin. Nao faz isso comigo — suplicou, sentindo-se seduzida a abraçar-lhe e dizer que era o que mais queria. Mas sua cabeça doia demais. Desde que fugiu do centro de recriação para a sua antiga casa esteve a pensar em tudo e a conclusão era certa. Um dia ele perceberia que foi o melhor e esperava, sinceramente, que fosse capaz de perdoa-la — Eu sinto muito, Colin. Eu sinto muito, mas eu não tenho a frieza necessária para ignorar tudo isto. Talvez não imagines o quanto me dói que eu tenha que abrir mão de ti, dos nossos sonhos, nossos planos. Não há nada que eu não faria por ti, meu amor. Entregar-me ao meu maior pesadelo inclusive.
— Mas eu não quero que te sacrifiques por mim. Achas que terei algum momento de paz e felicidade imaginando o que aquele infeliz pode estar a fazer contigo em Riad? Que conseguirei seguir em frente quando tu estás presa, refém daquele monstro? Não venha me dizer que estás a fazer isto por mim porque não há destino mais cruel que eu posso ter que esse.
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Um sonho Para Mim
Tiểu thuyết chungDesesperado para evitar a vergonha de ser plantado no altar, Colin Vaughn escolhe a pessoa mais aleatória que encontra para sua noiva, sua assistente, Ariela Smoak. Ariela vê no casamento uma solução para a única coisa que prefere manter em segredo...
