43. Serenidade e Tolerância

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A fotografia de Assuh Al-Faheem estava colada ao espelho da penteadeira e Ariela olhava para a imagem sorridente da sua mãe com nostalgia e preocupação

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A fotografia de Assuh Al-Faheem estava colada ao espelho da penteadeira e Ariela olhava para a imagem sorridente da sua mãe com nostalgia e preocupação. A semelhança entre elas era apavorante. Se não tivesse tingido seu cabelo loiro de castanho e seu nariz não fosse mais grosso como do seu pai, seria a cópia perfeita dela.

Herdar a beleza da mãe devia a agradar, mas sempre foi motivo de preocupação, tanto que quando se maquilhava buscava alterar seus traços e contornos faciais o máximo possível, sem parecer bastante artificial.

Colin surgiu do closet a colocar a gravata e viu a esposa, absorta em seus próprios pensamentos, a encarar o espelho com assombro, e sentiu necessidade de resgatá-la.

O convite para o jantar na casa recém adquirida de Omar Al-Faheem deixou Ariela irriquieta e aterrorizada desde o primeiro momento, e mal dormia durante a noite. Afligia-lhe ver que era assombrada mesmo quando acordada.

Interrompeu o nó da gravata para envolver sua mulher num abraço e beijou seu pescoço antes de olhar também para o espelho e vê-la sorrir e se encaixar nele com perfeição. Então viu também a fotografia de Assuh.

- Ela era linda, coração. Tão perfeita como você é.

Ariela olhou para ele, mais tensa ainda.

- Isso tudo é uma maldição agora. Qualquer um com olhos consegue notar a semelhança absurda entre nós. Omar vai notar.

- Meu amor...

- Colin, olha - pegou a foto na mão e posicionou bem ao lado do rosto - Não tem como esconder isto. Eu não devia ir nesse jantar.

Ele se sentou ao seu lado e segurou suas mãos.

- Se não fores será mais suspeito ainda. Meu amor, nós estivemos a evitar o vosso encontro na última semana de todas as maneiras, não dá para fugir desta vez. Lupe nos assegurou que tudo o que Omar Al-Faheem tem são suspeitas, nada em concreto além do comentário da Moira sobre a tua semelhança com a princesa. Ele não sabe de nada.

- Mas vai saber. Colin, esse homem decidiu comprar uma casa e ficar por tempo indeterminado aqui. Ele está atrás de mim.

- Ele não te vai fazer nada - assegurou - Eu não vou deixar. Você é Ariela Vaughn, minha mulher. Eu mato ele antes de permitir que te toque. Confia em mim?

Apesar do medo, Ariela acenou que sim e abraçou o marido. Repetiu para si que tudo ia ficar bem, só tinha que fazer bem o seu papel.

A porta do quarto foi aberta sem aviso, os dois se separaram tão rápido e Ariela escondeu a fotografia da mãe dentro da gaveta da penteadeira.

- Claro, pode entrar, pombinha. Quando se fala de privacidade de casal certamente se sabe que não se aplica a ti - Colin ironizou quando viu a irmã.

- Olha que menino esperto. Vê-se logo que tem meu sangue - Moira brincou - Já estão prontos? Você está divina, Ari, mas faz um calor, devia usar algo  que cobre menos.

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