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JOSH BEAUCHAMP

Olhei no relógio em meu pulso e resmunguei, Noah sabia que eu odiava essas festas no meio da semana, Sina bebia demais, dava vexame e sobrava para mim abafar com a imprensa.

Afinal alguém tinha que zelar pelo nome da família.

Nós Beauchamp's eram conhecidos por nunca terem seu nome na mídia, ainda mais por escândalos. Infelizmente a noiva do meu primo adorava uma farra, e ele nunca conseguia controlá-la.

Entreguei a chave do carro para o manobrista e entrei apressadamente na casa, olhei meu relógio mais uma vez, se Gabriel não me ligasse em dez minutos eu iria pessoalmente matá-lo. Tudo bem que ele era da família, mais a construtora era minha e não admitia erros, mesmo da família.

Entrei na mansão, pelo jardim, onde estava ocorrendo à festa em volta da piscina e suspirei ao ver o bando de gente fútil, atores, modelos, ricos em ascensão, todos bebendo e rindo. Bando de desocupados. Muitos se viraram para mim quando passei, mas ignorei todos. Caminhei apressadamente para dentro da casa, sempre achando mais alguns convidados que riam e bebiam, rolei os olhos e fui para a biblioteca, lá teria um pouco de paz.

Infelizmente meus planos foram interrompidos, pelo meu primo.

— Josh.

— Noah, só ficarei alguns minutos. — avisei tentando passar por ele que riu, e colocou o braço sobre meu ombro, Noah era tão alto quanto eu, o cabelo castanho escuro, e os olhos caramelo como o pai Gabriel.

— Primo, não faça essa desfeita, é minha festa de noivado.

— Noah, sua festa de noivado é daqui duas semanas. — Ele riu, pelo cheiro estava bêbado.

— Bem, é uma pré-festa.

— Onde está Sina? — Ignorei suas palavras, Noah suspirou sonhador.

— Está com uma amiga.

— Cuide da sua noiva Noah, não poderei evitar todo escândalo que ela causa. Ela é uma modelo, ela não devia preservar sua reputação? — Perguntei sarcasticamente e o vi revirar os olhos.

— Não seja chato Josh, viva a vida.

— Eu vivo Noah, e é por isso que você tem um trabalho. — Ele rolou os olhos.

— Sempre tão sério. Vou atrás de Sina.

— Sim, e, por favor, a controle Noah. — Ele me ignorou e se afastou.

Suspirei indo finalmente para a biblioteca, a sala ampla de teto alto, muitas prateleiras de livros por todas as paredes, o piso de madeira brilhosa ecoando sobre meus pés, sentei atrás da mesa antiga do meu pai, a mesma onde o vira tantas vezes em conversas no telefone, a mesa repleta de papeis e um copo de uísque. Tirei o celular e verifiquei a hora, Gabriel tinha mais quatro minutos.

Levantei o rosto olhando o quadro de família que minha mãe insistiu que tirássemos e fiz uma careta, meu pai olhava com a expressão séria tão comum nele, e a minha não era muito diferente, eu me parecia muito com ele.

O mesmo rosto quadrado com queixo duro, o nariz anguloso e sobrancelhas grossas e longas, lábios finos o cabelo uma cor loira, penteado meticulosamente arrumado, tinham o mesmo olhar duro e firme a única diferença, seu olhos eram verdes escuros, os meus eram iguais os da minha mãe. Minha mãe sorria com seu cabelo caramelo, sua expressão serena e cálida, olhos azuis e um sorriso fácil e agradável, embora seja difícil ver Ursula Beauchamp sorrindo agora, não depois da morte dele.

Fazia tão pouco tempo, mas me trouxe muitas responsabilidades, mas era bom, era ótimo poder me concentrar no trabalho e tentar esquecer o que aconteceu, tentar esquecer o passado.

𝗦𝗘𝗫𝗬 𝗕𝗜𝗧𝗖𝗛 | 𝖻𝖾𝖺𝗎𝖺𝗇𝗒 Onde histórias criam vida. Descubra agora