- Você está abusando da sorte - resmunguei coçando os olhos.
- Pare de reclamar - apertou minha bochecha. - Você fez o meu dia cinzento mil vezes mais feliz...
Pisquei algumas vezes recobrando o foco e depois olhei para Levi e imitei uma de suas ações mais frequentes.
- Eu deixei seu dia mais feliz? - apertei sua bochecha sorrindo.
- Muito. - Ele inclinou o rosto contra a minha mão, assim como Titan sempre fazia quando queria carinho. - Você sabe...
- Escritório - completei e ele concordou com a cabeça.
- É muito bom que você me conheça, sabia? Fico contente de ser compreendido por uma mulher como você.
- Como assim? - franzi o cenho com sua última frase.
- Bri Bri, ninguém nunca te falou que você é perfeita? E se não for, está bem perto de ser... Amo isso em você!
- Ama? - reprimi um sorriso percebendo o que Levi falou, então ele passou a mão pelos cabelos, um pouco sem jeito.
- Amo.
Eu sorri abertamente, era uma sensação reconfortante, parecia que um fogo se instalara no meu coração e aqueles olhos amendoados só intensificavam a chama.
O som de patinhas contra o piso de madeira foi se aproximando e logo Titan pulou no meu colo, interrompendo o contato visual entre eu e Levi.
Afaguei aquele pelo brilhoso e recebi lambidas em troca.
- Estava com saudades pequeno - dei um beijo no seu focinho e no mesmo instante outro flash foi disparado.
- Logo logo vou ter uma parede cheia de fotos suas. - Levi comentou animado e se posicionando para tirar outra foto.
Não me opus e apenas sorri para a câmera.
- Agora tem que ser uma de nós três - afirmei e ele concordou.
Levi apoiou a câmera em uma prateleira e ligou o cronômetro, enquanto isso eu colocava Titan no chão. Logo ele voltou e ficou ao meu lado com uma mão na minha cintura. Deitei a cabeça em seu ombro e Titan pulou no ar. O flash foi disparado.
- Eu vou emoldurar essa foto... - Levi disse a analisando.
- Então, qual o problema com o escritório?
- Eles me deram uma matéria nova e está sendo muito estressante escrever sobre... É sobre doença mental, um tema delicado e é muito fácil se expressar de forma errada...
Me sentei no sofá cor de creme de Levi e indiquei para que ele sentasse frente à mesa com os seus materiais de trabalho.
- Ok, doença mental... É realmente um tema muito delicado, mas para pra pensar em tudo que isso engloba, são muitas possibilidades! Por exemplo, os psicólogos e psiquiatras ultimamente já perderam a paixão, eles viraram terapeutas e estão lá só para ouvir desabafos e indicar remédios controlados, transformando seus pacientes em dependentes químicos e em "clientes".
- Como assim clientes? - perguntou interessado.
- Pensa bem, eles não dão soluções para seus problemas, então ficam reagendando consultas sem fim para te manter ali, recebendo às custas do seu sofrimento.
- Faz sentido. Me conte mais!
- Tem profissionais como psicanalistas, que estudam o seu ser em geral, o Ego, o Superego e o Id que são as instâncias que formam a psique humana.
- Ok, você realmente prendeu a minha atenção, por favor, Bri Bri, me dê detalhes da psicanálise.
- A psicanálise é um método terapêutico desenvolvido pelo médico austríaco Sigmund Freud, no final do século XIX. Sua teoria psicanalítica sistematizou os conhecimentos sobre a psique humana. Ela é uma das abordagens da psicoterapia.
O objeto de estudo da psicanálise é o inconsciente. Freud acreditava que ao tomar consciência dos pensamentos subconscientes, o paciente podia liberar traumas, emoções e experiências reprimidas e por meio do autoconhecimento, aprender a lidar melhor com si e com os outros e se curar de transtornos mentais, neuroses e psicoses.
Com suas investigações sobre a psique humana, Freud entendeu que os processos mentais inconscientes eram a fonte para os distúrbios psíquicos. Ele desenvolveu teorias sobre o inconsciente, os estágios psicossexuais, o simbolismo dos sonhos, entre outras.
A psicanálise busca interpretar o significado inconsciente de sonhos, pensamentos, palavras e ações. Para isso, um dos métodos dessa terapia é a livre associação, no qual o paciente fala o que lhe vem à mente com a menor racionalização possível, trazendo os pensamentos e memórias inconscientes à tona.
Ter o inconsciente como um objeto de estudo quebrava a tradição da psicologia como uma ciência que utiliza o método científico moderno. Por isso, a psicanálise não é considerada uma ciência. - respirei fundo - Isso de acordo com as pesquisas que eu gosto de ler...
- Meu Deus mulher, já te falei o quão incrível você é? Além de me dar inspiração, me ensinou muito. Amo isso na nossa relação.
- Eu também amo.
Levi sorriu abertamente e eu falei para que ele começasse a escrever antes que a inspiração fosse embora. Ele se concentrou em frente ao seu notebook e escreveu agilmente. Enquanto ele escrevia eu observava mais detalhes do seu apartamento e brincava com Titan.
Ele terminou a matéria em alguns minutos. Não muito depois, eu liguei seu aparelho de som e a música thinking out loud, do Ed Sheeran, preencheu o ambiente deixando tudo mais prazeroso e aconchegante.
São nesses momentos que a gente percebe o quanto a vida é preciosa e vale à pena. As mínimas coisas te fazem ver o quanto tudo é maravilhoso.
Levi me puxou pela mão para o centro da sala, desviando de uma poltrona de couro marrom e depois colocou a mão na minha cintura, me fazendo ficar o mais próximo possível. Depois ele sorriu e a sensação gostosa voltou para a minha barriga.
- Aceita esta dança senhorita?
- Com certeza meu senhor - brinquei e nós começamos a dançar.
Deslizamos pela sala sorrindo, era muito bom estar entre os braços dele.
Tudo fazia sentido, entende?
Em outras situações com qualquer outra pessoa, aquilo seria vergonhoso demais, desconfortável, esquisito. Mas com Levi, eu sentia que era certo. Pois nós dançávamos com sorrisos nos rostos e amor no coração.
As vezes eu pisava nos pés dele, mas isso apenas nos resultava em caretas engraçadas e gargalhadas.
Foi um dia incrível.
Foi um dia perfeito.
Pois nós três estávamos juntos.
Pois estávamos dançando ao por do sol sob o som de thinking out loud.
Tudo finalmente estava encontrando seu caminho e nossos corações, que no fundo já sabiam, estavam felizes, pois encontraram seus destinos.
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𝙏𝙞𝙩𝙖𝙣, 𝙤 𝙘𝙖𝙘𝙝𝙤𝙧𝙧𝙤 𝙘𝙪𝙥𝙞𝙙𝙤
ChickLitUma visita inesperadamente fofa e peluda aparece à porta de Brianna, com a língua de fora, olhos brilhantes e em busca de carinho. Curiosamente ela decide cuidar de seu novo amiguinho. Até que o nome e endereço do cachorro aparecem escritos na colei...
