🐾QUATRO🐾

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Cinco dias depois, mais ou menos às sete da noite, Titan apareceu na minha porta com seu uivo e patinhas persistentes.

Quando olhei para baixo, ele estava pulando e correndo com o rabinho balançando. Titan mal me cumprimentou e já pulou no sofá.

Fechei a porta e me juntei a ele, sorrindo.

Titan estava com a barriga para cima e tinha algo na boca. Estranhando, tentei pegar e depois de algumas tentativas falhas, finalmente consegui. Se tratava de um pen drive azul. Intrigada, liguei o computador velho que já tinha na casa quando cheguei e conectei o pen drive, que demorou um pouco a carregar. Abri a única pasta que tinha e várias fotos surgiram.

A primeira era uma foto do pôr do Sol, muito linda e colorida de tons de rosa, laranja, azul, roxo e amarelo. A próxima era em preto e branco, um escritório lotado, parecia triste, as pessoas tinham expressões de sofrimento ou perdição, era um mundo que eu queria ficar longe.

Fui passando as imagens que pareciam contar a história do misterioso dono do pen drive perdido, parei em uma que Titan pegava uma bolinha amarela no ar. Olhei para o mesmo ao meu lado, dormindo tranquilamente com a cabeça de lado e a barriga para cima.

Então ele roubara o pen drive do dono, assim como roubara meu crachá.

Passei mais algumas fotos e finalmente vi um lugar conhecido, era o restaurante que papai me levava para comemorar o nosso aniversário, que era no mesmo dia, quando eu era criança. Era um lugar mágico e rústico, parecia uma cervejaria, mas era um restaurante improvisado que deu muito certo. Um dos lindos lugares escondidos de Moonlight City.

Passando mais as fotos, encontrei mais imagens do mesmo lugar em várias perspectivas diferentes e em dias diferentes, talvez o dono de Titan gostasse muito do Mich's.

Naquela noite me permiti fantasiar  imaginando como ele seria... Um jovem dedicado e trabalhador, com um cachorro adorável, fotógrafo, que adora o Mich's, loiro e de terno xadrez.

Sem ser muito melosa, mas ele parecia um príncipe? Talvez nem tanto, mas alguém que eu estava pensando e cheguei a conclusão de que sim, eu queria muito conhecê-lo.

Decidida a encontrá-lo, fui me arrumar.

Deixei o cabelo solto e passei um brilho nos lábios, vesti uma blusa de lã branca e calça jeans, junto com botas de cano curto pretas, um sobretudo preto e touca branca.
Peguei minha bolsa, coloquei o pen drive dentro e chamei Titan, que estava com minhas roupas entre os dentes.

— Você quer um cachecol? — eu ri olhando aquela bagunça no chão. Enrolei um cachecol verde em seu pescoço — Melhor?

Ele estendeu a patinha.

Juro, eu fiquei com vontade de apertá-lo entre meus braços e dizer: "Meu Deus que coisa fofa! Você quer o mundo? Eu te dou!"
Peguei a patinha e ele conversou com seus uivos baixos.

— Vamos passear neném? Vamos?

Ele saiu andando na minha frente e eu ri da fofura daquele rabo dançante. Jamais estive apaixonada, mas amar um cachorro ou dois, ou milhares, era suficiente para mim.

Caminhando pela rua, Titan era igual uma pessoa destemida, andava do meu lado com a sua postura e cachecol no pescoço. Nunca era intimidado por outros animais, e jamais desviava da sua missão, me acompanhar.

Chegando ao Mich's, lugar que eu não frequentava desde a morte de meus pais, parei e respirei fundo, eram tantas lembranças! Não sei quanto tempo passei olhando através da janela, busquei do fundo da minha mente as memórias mais felizes, mamãe rindo enquanto limpava o purê de batatas do meu rosto e papai, brincalhão como sempre, tirou o purê da minha bochecha e passou na de mamãe, foi uma noite incrível, eu sentia tanta saudade...

𝙏𝙞𝙩𝙖𝙣, 𝙤 𝙘𝙖𝙘𝙝𝙤𝙧𝙧𝙤 𝙘𝙪𝙥𝙞𝙙𝙤Histórias para pegar e não largar. Descubra agora