Quadragésimo segundo capítulo

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Acordei com Joe balançando meu braço de um lado ao outro como se meu braço fosse algum tipo de borracha que não para. Seu cabelo estava bagunçado, como tem estado o tempo todo ultimamente. Tanto eu, quanto Joe, não nos preocupamos mais em nos arrumar muito bem por aqui, em nos engomar como diria minha mãe.

- Algum problema com o meu braço? - Perguntei ainda sonolenta.

Ele soltou meu braço que foi de encontro ao meu rosto. Joe riu e se pôs de pé, e eu fico muito grata por isso, pois ele estava quase me derrubando da cama.

- Bom dia - ele diz e abre um enorme sorriso enquanto eu me esforço para ficar de pé. Sinto como se tivesse sido atropelada por um caminhão tanque, no minimo umas dez vez enquanto dormia.

- O que há de bom nisso? - Estralo as costas, alongo os braços, bocejo, espreguiço e forço um sorriso. - Bom dia Joe.

- Claus quer te ver - ele diz e atravessa o portal.

Dou de ombros e o agarro pelo colarinho da camisa.

- Vamos, eu estou com fome.

Ele me encara, intrigado com a minha falsa mudança de humor. Dou alguns tapinhas em seu ombro antes de sair do meu quarto cinco estrelas, sentiu a irônia? Caminho calmamente por entre as celas, tudo estava silêncioso, e o único som que eu era capaz de ouvir, eram os passos apressados de Joe ressonando nas rochas da caverna e ecoando pelo ambiente. Eu já estava acostumada com o eco, era assim o tempo todo, em todo o lugar. Mas o que não me acostumava era com o ar abafado e fétido.

Joe e eu tivemos de nos abaixar para passarmos por um túnel que havia no caminho para o nosso fatídico refeitório. As rochas no interior do túnel estavam cobertas por musgos, devido a umidade e se nos concentrassemos, poderíamos ate chegar a ouvir o som de algumas gotículas de água pintando em algum lugar pelo túnel. O ar era mais gélido, mas ainda parecia abafado, preso. Tínhamos de andar com cautela, deslizando mãos e pés pelas rochas para impedir tropeços ou encontrões com alguma rocha, pois não havia luz alguma no interior do túnel.

Esticamos as costas e alongam os as pernas ao sair do Terrível Túnel da Morte, como Richard o apelidou. Joe foi logo em direção a uma enorme bandeja repleta de frutos estranhos e variados entre tamanho e cor, cada uma com seu sabor exótico. Com o Fim da Maldição, a explosão da Lua de Sangue, e a guerra, poucas foram as arvores frutíferas que nos restaram. E a caça também não andam la aquelas coisas, a maioria dos homens que saem para caça voltam feridos, ou simplesmente não voltam.

Austin e Richard estavam sentados em uma enorme rocha, conversando sobre algo que julgo ser importante apenas pelo sorriso deles, ninguém aqui costuma sorrir muito, nem Joe. E eu não conheço ninguém que sorria mais do que Joe.

Não havia mesa alguma no refeitório, eram apenas pedras enormes e deformadas, haviam alguns troncos de madeira espalhados pelo local, e apenas dois enormes bancos que conseguimos retirar do palácio semana passada, e isso era o nosso refeitório, o melhor que poderíamos chegar a ter. Claus investiu tanto na sua super prisão, que se esqueceu do restante. Nem um escritório descente ele tem, mas tem uma janela lá, uma enorme brecha entre uma rocha e outra, o que já é o suficiente.

- Drucker! - Grita Silvermaan com sua voz forte, sera difícil me acostumar com ela. Sua fissura, não é as melhores, ele parece altamente irritado, e isso não é um bom sinal. - Foster, pensei que tivesse dito para avisar à ela.

Joe deu de ombros e terminou de mastigar um pedaço de melaço - o nome que ele deu a uma fruta azul mais doce que açúcar - e finalmente disse:

- Eu avisei. Mas ela não deu importância.

A Maldição da Lua.Onde histórias criam vida. Descubra agora