Trigésimo Quinto Capítulo

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Ódio, ele me consumia. Me devorava aos poucos. Joe disse que ódio não iria me fazer bem, eu não parecia ser mais a mesma, segundo ele. Eu estava me auto destruindo. Mas não me importava, eu só queria vingança.

Há duas semanas atrás, eu soube que Travor levou meu pai com ele, e não temos ideia de onde ele possa estar. Alguns dizem que ele fugiu para a Terra assim que a Lua explodiu em Cher Airns, detonando mais da metade do planeta, e acabando com a maior parte da população. E a dona Morte simplesmente desapareceu com o fim da Maldição. De alguma forma, quando a espada atravessou o peito de Amy, a soberana dona Morte enfraqueceu e agora, assim como Travor, ela esta se afugentando na escuridão. Não sabemos onde, mas estamos convictos de logo iremos descobrir.

Quando a Lua detonou praticamente toda a Cher Airns, nós, os sobreviventes, tivemos de nos refugiar na parte pobre do planeta. Tem sido a coisa mais difícil sobrevivermos aqui, principalmente porque acabamos de descobrir que os humanos e os cherans não são os únicos habitantes deste lugar como pensávamos antes. Há inimigos por toda parte, e eu já nem sei mais em quem posso confiar, estou perdida.

Richard esta preso em sua própria bolha de ódio e raiva, ele esta péssimo, Claus me proibiu de dizer à ele sobre Amy, ele diz que Richard é melhor quando esta com raiva, e que talvez se ele souber que Amy esta aprisionada entre os dois mundos: O dos vivos e o dos mortos. Um lugar onde nem a própria Morte é capaz de entrar, não sabemos como Richard pode reagir, talvez ele se arrisque sozinho e tente encontra-la nesse outro mundo, mas não sabemos mais o que podemos encontrar no caminho.

Precisamos do Elixir, ele é nossa porta de entrada para aquele mundo.

- Você está pronta? - Joe me estendeu uma de suas mãos.

Iriamos caçar, precisávamos de alimentos, o que tínhamos não era suficiente. Todas as arvores de Cher Airns haviam sido incineradas, e a maior parte de seus frutos estavam guardados no estoque do castelo, e Travor o destruiu por completo antes de fugir.

Eu não confio nenhum um pouco em Claus, mas preciso dele por enquanto. Ainda tenho duvidas sobre ele manter ou não, a maior parte dos alimentos escondidos para si em algum lugar, só preciso saber onde. Assim como eu, ele também teve um grande aumento em seus poderes, e descobriu de alguma forma, como me impedir de entrar na sua mente, como ele fazia com Amy.

- Sim, vamos - respondi à Joe.

Ele parecia um rei vestindo aquela farda preta. Estava elegante. Seu cabelo estava mais curto, demorei um pouco para me acostumar com isso no início, e demorei ainda mais para me acostumar ao fato de vê-lo vivo novamente. Mas logo me acostumei com aquela cicatriz no canto esquerdo de sua face, ela deixa ele mais sexy. E me assusta.

- Há tempos não saímos pra cassar sozinhos, sem a escolta de um exército - disse Joe abrindo os braços para o horizonte.

- Você fala como se realmente sentisse falta disso - murmurei. - Você é o cara mais sedentário que conheço.

Ele deu de ombros e tomou à frente, sumindo na fraca luz do sol. É estranho ver o sol aqui ultimamente, ele estava sumido durante os últimos dias. Tivemos de sobreviver à escuridão durante sete semanas, ficávamos com medo de sair de nossas tocas, como Joe e eu chamamos o lugar onde estamos "hospedados". Nunca sabemos o que podemos encontrar à noite aqui. Mas durante a luz do dia tudo é mais calmo, e então podemos sair sem medo algum.

- Nem por isso. Antigamente eu podia ver o mundo por uma simples tela de computar, poxa olha pra isso aqui, nem armas de fogo temos - ele correu como um idiota com os braços para frente. - Então majestade, o que iremos caçar hoje?

Me aproximei do idiota, sorrindo. Peguei meu arco-flecha, e pensei em algo.

- Poderíamos caçar um esquilo. Se aqui tivesse algum. Que tal uma zebra?

A Maldição da Lua.Onde histórias criam vida. Descubra agora