Terapia

958 139 258
                                        

Draco Malfoy

Angústia.

Um sentimento que parecia me corromper pouco a pouco, como se me devorasse por completo. 

O chão frio sobre a minha pele parecia ir me cobrir como um abraço, uma espécie de armadura contra o que quer que pensasse em me atingir. Tão pequeno e tão frágil como um espelho rachado, onde seu reflexo apenas mostravam escuridão.

Aquela dorzinha tão pequena parecia ter despertado, se alastrando que me fazia perder o fôlego. Um sufoco que aumentava gradativamente de maneira tão angustiante que às vezes a escuridão de um simples fechar de olhos parecia tão reconfortante.

As lágrimas antes guardadas com tanto fervor pareciam não aguentar mais, talvez nem mesmo eu aguentasse mais. Uma coisinha tão besta parecia me quebrar de uma só vez, o grande muro construído com tamanho desempenho desabou com o simples toque de suas palavras.

Sozinho, naquele cubículo frio e apertado.

Apenas eu e o som de minhas lamentações rebatendo por aquelas paredes frias, só eu...nunca foi mais que isso.

Estava sozinho até eu ouvir a porta se abrir de maneira gentil, tão vagarosamente que eu mal podia ouvi-la.

Passos tardios se eram ouvidos pelo contato com o concreto nivelado, os pés se arrastando preguiçosamente pelo chão.

Ainda tinha a cabeça baixa quando avistei os seus sapatos parados diante de mim, quase bufei pela minha incompetência. É claro que ele estaria aqui em algum momento.

— Isso foi quase um déjà vu. — disse com sua voz superior de sempre.

Passei a manga da camiseta sobre os olhos, numa tentativa certamente inválida de disfarçar as lágrimas que antes caiam sem parar. 

Porém meus olhos e rosto vermelho pareciam me entregar.

— O que você está fazendo aqui? — perguntei baixo, se não fosse pelo completo silêncio nem sabia se ele realmente teria escutado alguma coisa.

Ouvi um bufar irônico, como se a pergunta tivesse sido idiota.

— Você que me convidou para vir aqui, se lembra? Já que não conversamos sobre o plano naquele dia, você achou melhor fazer isso hoje.

Eu sequer me lembrava. Recordo de ter mencionado esse encontro com Harry pouco antes da visita que havia recebido, mas depois disso minha mente pareceu ter entrado em branco total.

Não fiz questão de responder Potter, nem sabia se tinha forças para dizer uma só palavra.

Ele não disse mais nada nos segundos seguintes, suspeitava que ele já estava indo em direção a porta para me deixar sozinho novamente.

Foi isso até eu sentir um corpo se sentando ao meu lado, me dando um empurrãozinho como se estivesse me dizendo para “chegar um pouco para lá”

— Quer falar sobre isso? — perguntou.

Eu apenas suspirei e coloquei o livro que eu antes lia em suas mãos. 

Ele analisou o livro por uns instantes antes do seu olhar voltar novamente a mim.

— Mentirosos? É por isso que você está chorando? — perguntou com um pouco de graça na voz.

Eu só assenti e ouvi ele rir baixinho, como se achasse fofo.

— O que aconteceu? Alguém morreu? 

Eu finalmente olhei para ele, um tanto indignado pela pergunta. Quem em sã consciência perguntaria se alguém de um livro morre?

Drarry is the new black Histórias para pegar e não largar. Descubra agora