A Luz

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Bom, quem é vivo sempre aparece.

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Draco Malfoy

Aflição.

O batucar dos dedos sobre a mesa prenderam minha atenção facilmente. Aquele formigamento constante, aquela sensação como se algo estivesse dentro de você, te arranhando por dentro suplicando pela liberdade. O aperto no peito que te faz prender a respiração, aquela angústia fria e pura.

A movimentação parecia ganha, eu via as peças trocando de lugar a cada minuto, novos caminhos se abrindo e muitos se fechando.

Por um erro? Por não prestar atenção o suficiente?

Se a jogada fosse diferente, seria mais fácil?

O xadrez te prepara pra vida, ao menos era o que minha mãe sempre me dizia.

Aprender a lidar com tomada de decisões, planejamento e concentração. Ainda sentia aquela pressão aguda no peito. A volta dos “ e se 's?”.

A gente tem tudo pra ganhar e tudo pra perder em uma simples jogada.

Fugir realmente vale a pena ou melhor lutar até o final?

– Check mate – exclamou Weasley, com os olhos arregalados em descrença e um sorriso que crescia com a vitória.

O som da voz do ruivo me fez piscar mais rapidamente, tirando-me da profundidade que meus pensamentos estavam começando a se deixar guiar.

– Não é possível.

– Eu juro por Deus, Draco. Eu tô até passando mal, isso realmente está acontecendo?

Quando Ron começou a ficar bom nisso? Não sabia se deveria ficar orgulhoso pelo ou se deveria ficar ainda mais preocupado.

Respirei fundo, tentando engolir a derrota com calma, sem precisar jogar cadeiras na cabeça de ninguém.

– Vai, água de salsinha. Diz alguma coisa, cadê a minha reverência? Você é um péssimo perdedor, sabia?

– Primeiramente, eu sou um ótimo perdedor, mas vamos combinar que não tem como ser um bom perdedor pela sexta vez – rebati, enquanto começava a gesticular com as mãos. – E segundamente, se eu ouvir mais uma piada sobre meu cabelo mais uma vez, eu vou pegar essa rainha aqui e adivinha onde eu vou enfiar?

Orion foi esperto o suficiente para se intrometer no momento certo, mais três segundos e as peças do tabuleiro estariam a ponto de voar por todo o pátio.

– Beleza meninos, quando as princesas vão parar de brincar pra deixar o rei aqui jogar?

Revirei os olhos.

Ele aparentava menos apático que nos dias anteriores, parecia que depois do desastre no meu cabelo ele conseguia se sentir um pouco mais presente e tirar a cabeça daquele lugar sombrio de antes.

Como se ele só precisasse de um intriga para conseguir se reencontrar consigo mesmo.

Mas não era necessário muito esforço para conseguir enxergar a sombra no antigo olhar brilhante do rapaz. A distração da realidade o ajuda a sorrir mais, mas não apagava a crueldade que ainda percorria pela vida.

– Não, não. Você vai continuar ai na sua até eu conseguir vencer essa merda de jogo uma única vez. – alertei, emburrado.

Ele revirou os olhos, voltando a se sentar, indignado.

– Eu vou acabar morrendo aqui de tanto esperar. – choramingou manhoso.

– Deixa de ser dramático – rebateu Ron. – Vem, pode jogar no meu lugar.

Drarry is the new black Histórias para pegar e não largar. Descubra agora