Sentimento

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Rs

Draco Malfoy

Acordar na manhã seguinte foi uma mistura de alívio com frustração.

Se é que isso é possível.

Depois da madrugada de ontem eu e Harry fomos retirados da lavanderia e mandados cada um de volta para as nossas celas, Weasley já estava no seu terceiro sono quando cheguei e depois daquilo não vi mais Potter até o dia seguinte.

Rolando de um lado para o outro naquele fino colchão já estava virando hábito, mas nem por isso minha mente deixou de trabalhar. A satisfação me fazia contorcer um sorriso gigantesco por toda a noite.

Mas...

Eu ainda estava puto com o Harry.

Entendo todo esse lance de criar uma hierarquia e que não se pode esperar que a solução de tudo vá cair do céu. Não é assim que as coisas funcionam no mundo normal, acha mesmo que aqui vai ser diferente? Na realidade, aqui é 5x pior.

Eu só não queria que ele tivesse feito, sem nem sequer me avisar. Eu era quem deveria ter planejado, era eu quem deveria estar razoavelmente pronto e fazer do meu jeito, não simplesmente chegar improvisando.

Então resolvi fazer uma coisa naquela manhã.

Depois de algumas semanas me cuidando, eu já estava parcialmente curado, havia uma cicatriz enorme agora, onde um dia já esteve uma tatuagem.

 Eu mal conseguia encarar o meu próprio braço.

Porém, apenas de estar quase curado, eu ainda não podia entrar na cozinha.

Existem 2 motivos para isso.

O primeiro é que mesmo liberado para as atividades normais, Potter frisava que me queria no mínimo 10 metros longe da cozinha e que se eu ousasse pisar lá, ele mesmo me queimava vivo.

Como eu não sou imbecil o suficiente para duvidar de suas ameaças, resolvi me aposentar temporariamente das panelas e fogões.

Não que isso fosse um grande sacrifício levando em compensação que a minha presença naquele ambiente mais prejudicava todo mundo do que facilitava.

E o segundo motivo é que eu não tinha certeza se entrar lá seria a mesma coisa.

Houve momentos em que eu caminhei em direção a porta, mas desisti no último segundo.

Era quase como se todo o meu sangue se congelasse a cada passo mais próximo da porta, eu só não conseguia. 

Até hoje.

Poucos minutos até a cozinha estar parcialmente vazia e se bem conheço a fera que habita neste lugar, sei que vai estar tentando encontrar algo para se entreter sozinho, mesmo que nunca tenha, mas ele parece anser em se manter ocupado com algo.

Eu caminhei lentamente, respirando o mais fundo que eu conseguia.

Estava tudo bem.

As pessoas iam saindo pela porta enquanto eu caminhava na direção oposta à delas.

O rosto despreocupado de cada ser que passava por mim parecia me incomodar, como se fosse estranho ninguém estar se sentindo como eu me sentia, como se fosse impossível as pessoas não sentirem essa angústia e o clima sombrio que aquele lugar transmitia.

Não poderia ser só eu.

Eu não posso ser tão maluco assim, não é? Deveria estar tudo bem.

Por que não está tudo bem?

E atravessar a porta daquele lugar, agora já totalmente vazio fez com que eu engolisse a seco. Se eu prestasse bastante atenção eu conseguiria voltar para aquele fatídico dia.

Drarry is the new black Histórias para pegar e não largar. Descubra agora