Draco Malfoy
É fácil perceber quando as coisas começam a ficar estranhas ao seu redor.
Quando o clima muda e o ar ao seu redor fica mais rarefeito, pesado o suficiente para ser difícil de respirar e por mais que tudo pareça a mesma coisa, parecia ter um toque especial de tensão.
Tudo sempre se inicia em um dia como qualquer outro, em uma manhã qualquer, mas não era como se tudo tivesse acontecido de uma hora pra outra.
A prisão inteira parecia tranquila demais, os dias eram repetitivos mesmo com seus conflitos diários, nada parecia novo. Nossos planos e ideias pareciam ter ficado estagnados no passado, essas últimas semanas sem notícias novas de Pansy foram o suficiente para fazer com tudo desacelerar mais do que deveria. Rodrigues nunca mais deu um novo passo depois que conseguiu voltar a comer, nenhuma ameaça parecia mais tão ameaçadora.
A calmaria parecia suspeita para alguém como eu.
E tudo começou nessa maldita manhã.
Ronald voltou a nossa cela depois de passar a manhã ajudando Simas a organizar os livros que ele distribuía em um carrinho toda semana.
Quando seus pés adentraram a cela, trouxe o vento frio consigo, me chamando a atenção para a sua entrada. Sua postura ereta mostrava como alerta ele parecia, mesmo com sua tentativa falha de mostrar normalidade, ele era péssimo em esconder o que sente.
— …bom dia? — disse abaixando o livro que lia, distraído pela presença estranha.
Weasley passou por mim, sem nem parecer notar o meu chamado. Seus pensamentos pareciam estar em um lugar bem mais distante da superfície.
— Alô?? — meus olhos acompanharam seu caminhar até ele se sentar em sua cama, ainda com o olhar fixo em um mesmo ponto. — Você tá chapado? Porque se estiver eu juro por Deus que vou te arrebentar e vou contar tudo ao seu irmão.
— Aham — murmurou o ruivo, claramente não escutando.
O escutei balbuciar coisas sem sentido pelos próximos dois minutos, dizendo coisas que não faziam sentido nenhum com o que eu perguntava, apenas concordava e balançava a cabeça positivamente com tudo que eu dizia.
—Você não vai dar uma de doido pra cima de mim não. — provoquei, mas sem sucesso. — Não mereço passar por essa palhaçada não.
— É…pois é — balbuciou novamente.
— Que bom que você concorda.
A estranheza do meu companheiro de cela foi o suficiente para tirar todo o meu interesse do livro em minhas mãos. Me levantei da cama, abandonando o livro inacabado sobre ela. Caminhei até a frente de Ron, o encarando e vendo como seus olhos iam de um lado para o outro, como se estivesse analisando diversas possibilidades nas sua cabeça, completamente fora de si.
Ergui umas das minhas mãos com rapidez, descendo na mesma força em que eu as levantei. Apenas o som do tapa na nuca de Ronald foi o suficiente para o fazer se despertar de seu transe e olhar para mim com uma indignação quase palpável.
— DRACO! — exclamou o ruivo, levando uma das mãos até sua nuca esfregando-a na intenção de afastar a dor.
— O que foi? Você não estava me ouvindo.
— E o que te deu na cabeça pra pensar que essa era a melhor solução de chamar a minha atenção?
— Não sei, eu não parei pra considerar outras possibilidades. A ideia de te dar um tapa foi tentadora demais.
Seus olhos se reviraram com força o suficiente para ficarem presos daquela maneira para sempre.
— Você tá bem? — perguntei, finalmente.
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Drarry is the new black
FanfictionCulpados. Ao menos foi isso que o juiz decretou após nossos julgamentos. Condenados a passar o resto de nossas vidas atrás das grades. Até onde você iria pela lealdade? Ou ainda melhor, até onde você iria pela sua liberdade? Gatilhos: Violência...
