Rainha de copas

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Draco Malfoy

Certa noite eu voltei a minha própria cela.

A volta me pareceu ainda mais estranha que minha partida, tudo estava no mesmo lugar, na mesma posição, mesmo cheiro, tudo simplesmente igual.

Mas era como se tivesse alguma coisa diferente, não tinha nada, mas sentia como se houvesse.

A minha rotina agora consistia em bandagens e medicações uma vez por dia.

Dormir ainda pesava meus pensamentos, o sono era a pior parte do dia.

E eu me sentia a pessoa mais ridícula do mundo, como se eu voltasse a ser uma criancinha que tinha medo do escuro, era simplesmente humilhante.

Eu, um homem adulto com medo de fechar os olhos.

Nesses poucos dias o meu contato com todos era quase nulo, me mantive preso naquela enfermaria a cada instante, não sei do que meu subconsciente parecia me privar, mas era só como se minha vontade de ver qualquer um tivesse simplesmente evaporado de um instante a outro. 

Os meninos nunca deixaram de me visitar, mas era como se eu nem estivesse ali. Eu falava, mas eu nem sequer me lembro das palavras saindo da minha boca.

A raiva ainda me banhava. 

Não tive contato com ninguém, não tinha um sinal de vida da minha mãe, nem de Pansy.

Eu me sentia às cegas.

Preso aqui, os fantasmas do meu pai em todos os lugares, me seguindo a todo e qualquer momento e eu sequer posso espantá-los. 

Os dias se passavam e toda aquela frustração parecia expandir e eu me coçava para descontar isso em alguma coisa, qualquer que fosse. Só queria poder expulsar esse sentimento de inutilidade que eu carregava.

Ficar deitado em uma cama enquanto o mundo ao meu redor pegava fogo, desde quando eu sou assim? Desde quando eu me tornei isso?

Mas quando naquela noite eu fui acordado por uma voz familiar, eu não sabia como se sentir.

Horas revirando de um lado a outro, esperando a exaustão chegar para finalmente conseguir adormecer, tudo isso para nada. 

Eu abri os olhos, procurando pela voz.

Mas não a encontrei onde ela deveria estar.

Era madrugada e Weasley não estava aqui.

A rapidez em que eu me levantei da cama foi o suficiente para minha visão escurecer, mas isso não me impediu de ir procurá-lo. 

Porém, a tranquilidade me bateu tão rapidamente quanto o desespero quando o rosto branco do ruivo abria um sorriso meio sem graça me olhando do lado de fora da cela.

Demorei alguns segundos para me estabilizar e perguntar como ele fez isso.

Só que no instante seguinte a cela se abriu na minha frente, o que me fez piscar ainda mais confuso.

— Você vai querer ver isso — ele disse com um sorriso escárnio no rosto. 

Foram as únicas palavras que saíram dele antes de seguir seu caminho para longe, como se tivesse a plena certeza de que eu o acompanharia.

E eu realmente fui.

Caminhei atrás dele, seguindo seus passos ainda me sentindo incerto quanto a isso.

— O que caralhos é isso? — perguntei desconfiado.

— A gente tem um presente pra você.

Drarry is the new black Histórias para pegar e não largar. Descubra agora