Draco Malfoy
Foda-se.
A bendita palavra que não saia da minha cabeça.
Parecia tão simples, não parecia? Só erguer a minha cabeça e dizer foda-se, como se eu não me importasse. É uma coisinha tão simples.
Então por que sinto que minhas mãos tremem tanto enquanto desvio do caminho em que costumava seguir todas as quartas-feiras?
Era a primeira vez em provavelmente toda a minha vida em que eu deixaria de seguir uma coisa que meu pai pediu, uma coisinha besta, mas eu quase não consegui pregar os olhos, suando frio.
A noite parecia me sufocar a cada tic tac que o relógio fazia era como uma falha na batida do meu coração.
A ansiedade me fazia sentir vontade de chorar, mas eu não queria mais. Não era desse jeito que eu quero lidar com as coisas.
Não mais.
Estamos na cozinha, em uma das madrugadas, eu, Potter e Weasley.
Eu poderia dizer que só estavam os dois presentes naquele momento, porque eu permanecia preso em meus próprios pensamentos frustrantes.
Justamente nessa quarta-feira combinamos que Harry abordaria pessoas específicas para conseguir uma espécie de chantagem que acarretaria em um benefício futuro para o plano.
Estamos apenas trocando favores, eles nos pediam algo e em troca teriam que fazer um serviço para nós mais para frente.
Eu ainda permanecia tenso, não tinha a menor ideia de como conseguia me manter em pé com tamanho meu nervosismo.
Harry e Ronald pareciam estar em uma conversa animada quando as coisas pareciam estar dando certo, era genuinamente engraçado ver o quanto eles eram próximos. Já os ouvi se chamarem de irmãos entre eles e até mesmo para outras pessoas, era muito bonito vê-los interagir.
O jeito que eles eram carinhosos um com o outro e com apenas um olhar pareciam ter tido uma conversa inteira.
Algumas noites atrás eu pedi para Weasley me dizer como eles se conheceram e mentiria se dissesse que não fiquei surpreso em ouvir Ronald descrever detalhadamente como ele afundou o rosto de um cara no soco por ter desrespeitado Potter.
Mais do que desrespeitado, Weasley me disse que se ele não tivesse chegado a tempo, provavelmente Potter estaria morto.
Não era surpreendente a maneira como ele sempre protegia Potter de tudo e vise e versa.
O que Zabini havia me dito a muitas semanas atrás sobre Harry incriminando Ronald no seu lugar ainda me parecia tão estranho. Eu estou literalmente olhando para esses dois animais rindo como porcos na minha frente.
Eles eram bem mais que amigos, eram como uma família.
Foram poucas as vezes em que eu sequer abri a minha boca nessa conversa, minha cabeça latejava com pensamentos tão intrusos em minha mente que só pareciam querer me colocar ainda mais para baixo. Era como se eu estivesse em dois lugares ao mesmo tempo, preso em um looping infernal de pensamentos que machucavam e no fim de um longo túnel existiam o som de suas vozes.
A madrugada foi passando e a conversa se intensificava sobre nossos planejamentos a cada minuto que se passava dentro daquela espelunca. Pansy estava com alguns problemas com as entregas e estávamos apreensivos em não conseguir esconder mais perfeitamente como estava antes.
Então já acordamos com o pé esquerdo e não são nem seis da manhã.
Acordamos mais cedo que os demais para discutir o que tínhamos que discutir e que Ronald conseguisse invadir a cozinha furtivamente sem muita dificuldade.
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Drarry is the new black
FanfictionCulpados. Ao menos foi isso que o juiz decretou após nossos julgamentos. Condenados a passar o resto de nossas vidas atrás das grades. Até onde você iria pela lealdade? Ou ainda melhor, até onde você iria pela sua liberdade? Gatilhos: Violência...
