País das maravilhas

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Draco Malfoy

Eu nunca fui do tipo de pessoa que gosta de ser acordada.

Sempre fui daqueles caras que se for acordado todo mundo tem que sair de perto só pelo meu mau humor e as grosserias que saiam da minha boca sem que eu ao menos percebesse.

Então foi extremamente frustrante e assustador ter sido acordado naquele instante.

Abrir os olhos com aquela sensação que queima a sua pele, como se alguém estivesse te observando. Foi tão angustiante acordar sentindo uma presença, foi tão inquietante que mal pude me forçar a manter os olhos fechados.

E Deus, como eu queria ter os mantido fechados.

Quando as sombras embasadas pelo sono ainda estavam pesando meus olhos foram se tornando claras, foi como se eu tivesse jogado um balde de água fria na minha cabeça.

O sono que eu ainda tinha se desfez rapidamente quando no meio da noite, sentado sobre a minha cama e os olhos pousados sobre mim estava Pedro Rodrigues.

Abri a minha boca para protestar e tentar entender que porra estava acontecendo, ele rapidamente pousa seu indicador sobre seus lábios, pedindo silêncio.

— Oi princesa — ele sorriu cínico. — Vem, vamos dar um passeio.

Na porta da minha cela estavam mais dois caras, nenhum deles era um policial. 

E talvez ele tivesse escolhido de maneira proposital que a cor das vestes de ambos fossem pretas, talvez pensasse que isso iria me amedrontar mais.

— Que porra tá acontecendo? Que merda de passeio é esse?

— A gente não tem muito tempo, será que tem como ir logo?

Me virei para onde Ronald dormia, ele nem sequer se mexia. O som de seus roncos ecoava baixinho e eu queria saber como esse desgraçado consegue dormir enquanto tem três pessoas aqui dentro.

— Eu não vou pra lugar nenhum até você me dizer pra onde você quer me levar — respondi em um tom tranquilo, me recostando novamente na parede para ajeitar minhas costas. 

Tentava me manter sob controle, como se isso fosse uma situação rotineira e que eu não estivesse quase me cagando de medo.

Eu juro que eu só não caguei de susto quando acordei porque não tinha bosta pronta.

— Você pode levantar e ir com dignidade — ele deu de ombros. — Ainda estou dando uma opção, não seja tão ranzinza.

Eu não respondi, apenas cruzei os braços e me ajeitei melhor na cama.

Ele suspirou tentando demonstrar derrota, mas seu olhar parecia que estava gostando muito que essa tivesse sido a minha escolha.

— Deus viu que eu tentei — balançou sua cabeça levemente na minha direção e não precisou dizer mais nada para os dois rapazes avançarem na minha direção.

Eles me arrancaram com tranquilidade da cama, eles eram bem maiores do que eu.

Um de cada lado do meu corpo segurando meus braços, eu nem sequer fiz força para ficar, eu deixei me puxarem. 

Eu confesso não estar tão preocupado assim, eu ainda era um Malfoy e tinha certeza que qualquer fio de cabelo meu fora do lugar iria causar muita dor de cabeça para ele.

Enquanto eles me puxavam para fora, eu ainda fiz questão de conferir Ron e ele continuava na mesma posição, dormindo como uma pedra.

— Não se preocupe com o seu amigo — comentou Rodrigues saindo por último da cela, parecendo ter notado meu olhar pousado sobre o ruivo. —, com o que eu dei pra ele, ele não vai acordar tão cedo.

Drarry is the new black Histórias para pegar e não largar. Descubra agora