CAPÍTULO 34

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CAIQUE

Lourenzo atende a chamada e me olha atentamente. Posso ver cicatrizes em seu rosto, não é mais o garoto Alegre e divertido que foi meu melhor amigo a anos atrás.

Mas eu sabia que ele um dia iria ocupar esse lugar, tinha uma determinação de dar medo, sempre disse que iria lutar pra ser o chefe da máfia, não aceitaria menos que isso.

Se fosse preciso mataria por esse objetivo. No caso ele me mataria, mesmo ele sendo meu amigo, porque antes dele ser chefe, esse cargo seria meu por causa do meu pai.

Ele me olha com olhar intimidador, mas comigo não funciona. Estou com sangue nos olhos, e se precisar ir pra cima dele pra proteger minha família, irei. Pode ter certeza que irei.

- Gabriel? Quem diria que um dia me procuraria. A que devo a honra?

Acho estranho suas palavras. Pra mim eles ainda pensavam que eu estava morto, do contrário teriam vindo atrás de mim. Será que Alex me entregou antes de morrer?

- Você sabia que eu estava vivo?

- Não só sabia como te acompanhava de longe. Aliás, vimos de perto você recuperar sua esposa e vingar a morte de seus pais.

Eu acho bem estranho. Como assim?

- Como assim vingar a morte de meus pais?

- Você não sabia? Foi Alex quem matou seus pais. Assim que descobrimos ele fugiu, por isso estávamos em sua cola. Eu sabia que uma hora ou outra ele iria te procurar. Iríamos intervir mas você deu conta de tudo rapidamente.

O desgraçado matou meus pais? Eles não eram amigos?Mas o que esperar de uma pessoa que sequestra a esposa de uma pessoa que ele chamava de filho.

- Eu não sabia disso. Aquele desgraçado veio atrás de mim querendo dinheiro. Me chantagendo dizendo que iria me entregar pra máfia...

-  Você não deve nada a máfia Gabriel, nunca deveu. Foi absolvido a anos atrás, agora o Alex sim, ele iria pagar muito caro quando eu botasse as mãos nele. Devia estar desesperado se escondendo feito um rato. Por isso ele precisava tanto de grana, eu não tinha entrado em contato antes com você pra não entrarmos em conflito.

_ Se eu fui absolvido porque entrariamos em conflito?

_ Me diz você. Você ja sabe que sou o chefe da organização e não abrirei mão disso, reconheço que você tem direito de vir aqui e assumir esse lugar, mas...

- Perai, você acha que eu quero brigar com você pelo direito de ser o Don da máfia? De jeito nenhum. Quero distância disso.

- Melhor assim. Porque não abrirei mão do meu lugar, apesar de termos sido próximos na juventude, não exitarei em matar você e toda sua família se um dia você decidir que quer voltar.

- Isso não acontecerá, nunca.

- Ótimo. Não precisamos mais entrar em contato.

Ele desliga abruptamente mas eu respiro aliviado.

Olho pra porta e minha esposa está me olhando com um belo sorriso nos lábios, demonstrando que ouviu a conversa.

Tranca a porta e corre ao meu encontro, se senta no meu colo com uma perna de cada lado.

- Meu amor, é verdade isso que escutei? Estamos livres da máfia? Acabou tudo?

- É verdade meu amor. Estamos livres da máfia e do Otávio.

Falo mas não escondo minha tristeza, ela percebe.

- E porque você está assim? Não parece estar feliz.

POR VOCÊ Histórias para pegar e não largar. Descubra agora