Capítulo 4

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Bateram na porta do seu quarto.

- Eu já vou! – disse Zaniah.

Bateram de novo.

- Mas que... – e logo abriu a porta vendo um Deus Grego do Inverno sorrindo pra ela com timidez. Zaniah ergueu o queixo e falou – Ah...é você. – Deu meia volta, e resolveu terminar de se vestir...

- Eu... – mas Ícaro não conseguiu terminar a frase, porque Zaniah só usava calcinha e sutiã de rendas pretas, bem transparente.

Ícaro a olhou fascinado e aturdido ao mesmo tempo. Zaniah fingiu que ele não estava a observando enquanto ela pegou um vestido de cetim preto, que tinha um longa abertura nas costas, mostrando as suas tatuagens, e o vestiu com bastante lentidão. Resolveu com mais audácia, se virar pra se ver no espelho, e o olhou através dele... Ícaro estava parado igual uma estátua petrificada, fazendo Zaniah sorrir maliciosamente, e disse:

- Então? O que faz aqui?

Ícaro precisou um esforço grande para pronunciar as palavras, piscou várias vezes, pra depois dizer:

- Como assim o que faço aqui? Não posso mais te ver?

- Por mim tanto faz – e calçou seus saltos.

- Está com raiva de mim?

- Por qual motivo eu deveria estar com raiva de você? – ela borrifou perfume em seu pescoço, fazendo Ícaro respirar fundo – Não fizemos nada um para o outro, o que quer dizer, que não temos motivos algum pra ter sentimentos tão vis.

Ícaro sabia que no fundo, isso não era verdade...Zaniah era igual a ele, como um lado de uma mesma moeda...E com certeza, o que mais habitava no coração dos dois, eram sentimentos vis...

Ela se viu no espelho novamente, e falou sem olhar para Ícaro:

- Me diga Ícaro, como estou?

Ícaro se desencostou da porta, e atravessou o quarto, ficou de costas pra ela, ambos diante do espelho, e se viram olhando através dele... Ficaram por um momento em silêncio, até Ícaro dizer:

- Está quase perfeita...

Zaniah franziu o cenho, e riu.

- Quase?

E Ícaro pegou algo que ele guardava no bolso.

- O que está fazendo? – disse Zaniah incrédula.

Ícaro sorriu... Ele tocou no cabelo de Zaniah com lentidão, o colocou ao lado do ombro...pegou o colar que estava em seu bolso e passou lentamente pelo pescoço de Zanaih... Ícaro conseguia ouvir a respiração descontrolada dela, enquanto encaixava o fecho, atrás de sua nuca... E aproveitou para tocar lentamente com os seus dedos a nuca dela até descer pela abertura de suas costas , fazendo movimentos circulares e preguiçosos. Ele percebeu a pele arrepiada de Zaniah, e falou em seu ouvido:

-Agora está perfeita.

Zaniah engoliu em seco.

- Que colar é esse? – ela estava estremecendo...

- Gostou?

- É lindo... – e era mesmo. Era um relicário de prata antigo, com um formato de uma estrela de neve ...Era simples, mas perfeito ao mesmo tempo, e tinha um mini fecho, pra colocar uma foto.

- Era da minha mãe.

Zaniah se virou pra ele subitamente.

- Da sua mãe?

- Sim... – disse Ícaro hesitante – É minha única lembrança dela.

- Não posso aceitar! – e logo começou a querer tirar o fecho, mas Ícaro a impediu segurando as suas duas mãos...

Corte de Tormenta e SombrasOnde histórias criam vida. Descubra agora