Atualizamos nossas Diretrizes de Conteúdo.
Consulte as diretrizes mais recentes para continuar compartilhando histórias com segurança.

14| He Already Devoured You...

12.7K 1.4K 145
                                        

Elizabeth

Corri.

Corri como se o próprio instinto de sobrevivência estivesse gritando dentro do meu peito, rasgando minha garganta com o ar que eu não conseguia puxar direito.
O hospital, atrás de mim, tornou-se um labirinto de sons — meus passos ecoando nos corredores desertos, o som dos meus soluços involuntários, e a risada abafada de Heathan flutuando pelo ar como uma maldição.

Eu precisava sair.
Sair de perto dele.
Sair de dentro daquela sensação sufocante que ainda impregnava minha pele.

A porta de emergência surgiu diante de mim como uma salvação reluzente.
Empurrei-a com toda a força que ainda tinha, tropeçando para o lado de fora, onde o vento cortante da noite me acertou em cheio, como um tapa.

Ar.

Eu precisava de ar.

Dobrei os joelhos no chão de cimento frio, tentando puxar o ar de volta para meus pulmões em colapso.
Minhas mãos se apoiaram no chão áspero. Estavam suadas, trêmulas, sem forças.

Senti a acidez do pânico arranhando minha garganta.
Chorei.
Chorei como uma criança perdida em meio a um pesadelo que se tornou real.

Pressionei os dedos contra meus lábios, esfregando-os com desespero, como se pudesse apagar o gosto amargo que ele havia deixado.
O gosto de alguém que viveu tempo demais nas sombras, que se embebeu de nicotina, de sangue, de loucura.

— Sai... sai... — murmurei, ainda esfregando os lábios até senti-los doloridos.

Mas, por mais que tentasse...
Por mais que me odiasse por isso...
O gosto dele ainda estava ali.

E, bem lá no fundo, um calor estranho — quase imperceptível — me consumia.
Um traço traiçoeiro de algo que eu não queria reconhecer.
Algo que eu imediatamente esmaguei no peito, enterrando-o sob camadas de vergonha.

Não.

Eu não podia sentir nada além de repulsa.
Nada além de medo.

Ele poderia ter me machucado.
Ele poderia ter me matado.
Poderia ter arrancado a chave do meu bolso, poderia ter aberto as portas do quarto e cometido uma chacina com os outros pacientes, com meus colegas, com quem estivesse no caminho.
Tudo por minha culpa.
Por um segundo de descuido.
Por ter esquecido quem era Heathan.

Ele não era apenas um paciente.
Ele era um assassino.
Um manipulador de palavras e sentimentos.
Um predador.

Eu abracei meus próprios ombros, tentando conter os tremores.

— Eu não sou a pessoa certa para cuidar dele... — sussurrei, sentindo a humilhação escorrer por dentro de mim como veneno.

Quando ergui os olhos, a janela do quarto dele estava iluminada.
E, como se soubesse que eu olharia, vi a silhueta dele — imóvel, inumana.
Observando-me.

Minha pele se arrepiou violentamente.

A noite parecia pesar sobre meus ombros, esmagando-me contra o chão.
O vento gelado cortava minha pele, mas mesmo assim, eu me sentia febril.
Fiquei ali, ajoelhada, perdida, tentando controlar a respiração, tentando impedir que as lágrimas se derramassem novamente.

Toquei meus lábios outra vez.

Por quê?

Por que parecia que eles ainda queimavam?
Como se o toque dele tivesse impregnado minha pele, como se eu pudesse senti-lo ainda ali, roçando sua boca na minha, com aquela pressão bruta, possessiva, errada.

+18 | CASO Nº 44 | Dark RomanceHistórias para pegar e não largar. Descubra agora