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32| Past Shadows

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Heathan

Eu estou sentado na cama, as costas pesadas contra a cabeceira. O quarto é envolto em um silêncio profundo, quebrado apenas pelo suave estalar da madeira na lareira. Cada centelha no fogo dança como um reflexo daquilo que vive dentro de mim — uma chama incontrolável, ardente, que ameaça consumir tudo. E, no entanto, é a quietude que me envolve, uma calma que não parece minha, mas que é minha, porque estou com ela.

Ela está aqui.

Ela se move perto do batente da porta, seus olhos brilham na escuridão, o corpo esbelto, já recuperado da doença, já voltando a sua linda forma, está envolto em sombras. As velas, elas tremem antes de serem apagadas por ela, uma por uma, até que o quarto mergulha no manto da noite. O ar se torna espesso, denso, como se o próprio ambiente respirasse com a intensidade que corre entre nós. Ela me olha, e eu a observo, sem palavras. O mundo parece estar longe, distante, como se o espaço entre nós fosse o único real.

E então ela vem até mim. Seus passos são leves, quase como se não tocasse o chão. A cada movimento dela, o desejo dentro de mim cresce, se agita como uma fera faminta. Ela sobe na cama, com a graciosidade de uma visão que só eu vejo, e se aproxima de mim com uma suavidade tão precisa que eu sinto minha respiração falhar. Ela se move até meu colo, uma delicadeza que me atravessa, seu corpo se encaixa ao meu, uma perna de cada lado. O corpo dela, como um peso suave, uma presença forte e inegável, me faz tremer. Minhas mãos, impulsionadas por algo mais primal, sobem por sua pele, tocando o tecido fino da sua camisola. Ela é como seda, uma tentação ao alcance das minhas mãos, mas eu me seguro, me prendo. Não posso deixar que o controle fuja de mim.

Eu a toco com a brutalidade de quem nunca soube o que é tocar com gentileza. Mas, com ela, há algo mais. Há um abismo que se abre dentro de mim, e eu sou tragado por ele. Minhas mãos deslizam por sua cintura, por seus quadris, apertando com força, como se quisesse deixá-la marcada. Eu a sinto tremer sob meu toque, e isso só aumenta a dor que me rasga por dentro. Eu estou louco por ela, de uma forma que eu nunca soube que seria possível.

— Você quer isso? — minha voz sai raspada, sem força. Eu não sei se é um pedido ou uma súplica. Não sei o que estou esperando dela, mas sei que preciso de uma resposta. Eu preciso saber que ela quer, que ela está comigo neste abismo.

Ela me olha, os olhos brilhantes, e algo dentro de mim se despedaça ao vê-la. A confiança nela é palpável, ela não tem medo, e isso me aniquila. A cada batida do meu coração, ela se torna mais minha.

Ela é tudo.

— Sim — sua voz é suave, mas é o som mais profundo que já ouvi. Ela diz sim como se fosse a resposta a uma eternidade de angústia, uma resposta que eu sempre quis ouvir.

E, então, com uma calma tão doce que me faz esquecer de respirar, ela diz:

— Mas seja gentil.

Eu fecho os olhos, uma dor lancinante toma conta de mim. Eu sou um homem insano, e a ideia de ser gentil me destrói. Eu não sei como fazer isso, não sei como tocar ela com a ternura que ela pede, quando tudo o que eu sei é a fome, a ferocidade do que mora dentro de mim. Eu sou um animal, eu sou o desejo sem controle, e ela... ela me pede gentileza? Como vou me controlar quando finalmente ela me dar o que eu mais quero?

— Eu não consigo... — minha voz é quase inaudível, uma confissão de fraqueza.

Mas ela não desvia o olhar. Ela não recua. E quando ela diz:

— Você consegue. Eu sei que consegue. A minha primeira vez é sua, desde que seja gentil...

Algo em mim se parte. As palavras dela cortam, não com dor, mas com uma verdade tão imensa que eu quase não posso suportá-la. O que ela me pede, o que ela me oferece, é mais do que eu mereço. É mais do que eu jamais pensei que fosse possível. Eu posso ser gentil... por ela. E, por um momento, não sou mais o monstro que carrego dentro de mim. Eu sou só um homem, um homem que ela escolheu. O homem que ela me faz ser. E isso me destrói. Ela me destrói.

+18 | CASO Nº 44 | Dark RomanceHistórias para pegar e não largar. Descubra agora