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35| Control By A Thread

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Elizabeth

O sol ainda não havia ultrapassado os galhos retorcidos das árvores do lado de fora, e a casa inteira parecia suspensa em um limbo silencioso, como se o tempo tivesse sido coagido, parado entre um respirar e o outro. A madeira do assoalho estalava sob meus pés descalços, cada som parecendo alto demais naquele mundo emudecido. Caminhei até a cozinha guiada por hábitos que já não me pertenciam, como se fosse apenas uma sombra repetindo gestos de uma vida que já não existia.

Heathan não estava.
Não era surpresa. Mas ainda doía.

Havia uma ausência colada aos lugares onde ele deveria estar.

A chaleira começou a apitar. Tirei do fogo, preparei o café devagar, como se precisasse de tempo para ordenar meus pensamentos, ou talvez como se temesse o momento em que eles finalmente se encaixassem. A cerâmica da xícara estava quente demais contra os meus dedos, mas eu não a soltei. Fiquei ali, sentada à mesa, olhando para o líquido escuro, esperando que ele me revelasse uma resposta.

Mas não havia respostas.
Havia apenas a lembrança.

A noite anterior ainda estava dentro de mim, como uma fumaça que não dispersa, impregnada em cada parte do meu corpo. Cada vez que fecho os olhos, vejo a cena outra vez. Vejo a trilha na floresta, o vento frio, o sangue.

O café diante de mim esfria, mas não ouso levá-lo à boca. Estou imóvel, com as mãos apoiadas na mesa como se fossem garras presas à madeira, como se esse gesto simples fosse suficiente para me impedir de despencar. Mas dentro de mim, eu já caí.

O que vi na noite passada não me abandona, mas o que mais me atormenta não são as imagens — é o que elas me fizeram sentir. Eu deveria estar enojada. Deveria estar horrorizada. Qualquer pessoa em sã consciência teria fugido dali, corrido até que os pulmões explodissem, jurado nunca mais voltar. Eu poderia ter tentado fugir, poderia ter ido a estrada, ou a um vilarejo e ter pedido ajuda. Mas eu não fiz nada. Eu corri de volta para casa, me deitei e esperei o dia amanhecer.

Eu fiquei.
Eu ouvi.
Eu vi.
E ainda assim... não consigo odiá-lo.

Esse é o meu pecado.
Esse é o fardo que carrego sozinha, trancado no meu peito.
O medo que tenho agora não é do que ele fez, mas do que ele fará se souber que eu estava lá. Se descobrir que violei sua confiança, que atravessei o limite que ele sempre tentou impor entre nós. Ele não me perdoaria.

E ainda assim, mesmo com esse terror rastejando em mim, não consigo sufocar o que pulsa por baixo. O sentimento que insiste em me consumir mesmo coberto de sangue, mesmo deformado pelo que vi.

Amor.

Um amor desequilibrado, torto, que não desaparece, que parece nascer justamente desse abismo onde ele existe. E isso me devora.

Mas o meu coração é traiçoeiro.

Ele não se cala. Não importa quantas vezes eu tente silenciá-lo, não importa quantas vezes eu me agarre à razão. Ele me engana, me sopra veneno travestido de coragem.

E eu sinto a queimadura dessa inquietação se espalhando em mim de novo, como se o sonho da noite passada tivesse deixado brasas acesas sob a minha pele. Eu preciso voltar. Preciso ver. Preciso descobrir o que ele guarda dentro daquela cabana, entre aquelas paredes que respiram dor.

Seja lá o que ele estiver escondendo, preciso encarar.

Preciso pôr meus olhos sobre isso e entender se o que sinto por ele ainda sobreviverá.

Porque se não resistir... então talvez eu me liberte disso tudo.

Mas se resistir — se eu olhar para o abismo e ainda assim sentir o mesmo calor por ele — então estarei perdida para sempre.

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⏰ Última atualização: Nov 09, 2025 ⏰

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+18 | CASO Nº 44 | Dark RomanceHistórias para pegar e não largar. Descubra agora