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25| Empathy

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Heathan

"E o mundo inteiro podia afundar, desde que ela respirasse mais uma noite."

A floresta me engolia.

A chuva não caía — ela despencava, brutal, como se o céu sangrasse sobre a terra. O som da tempestade era um cântico fúnebre. Galhos se partiam. O lodo tomava os caminhos. O vento gritava entre as árvores como um cão enraivecido. E ainda assim, o cavalo avançava. Porque eu ordenava. Porque não havia outra opção.

Meus dedos estavam rígidos nas rédeas, a pele cortada pelo frio. A água escorria pelo meu rosto, misturando-se com a respiração quente que fugia em arfadas furiosas. Mas tudo isso era nada. Nada perto da febre dela.

Elizabeth.

A imagem dela deitada naquela cama, os lençóis grudados ao corpo suado, o peito arfando como se cada inspiração fosse um fio de vida que escorregava entre os dedos... aquilo me dilacerava.

Estar ao lado dela e não poder afastar a dor — não poder tocá-la sem que ela tremesse —, era como ter o coração exposto ao gelo e ao fogo ao mesmo tempo.

A febre subia. As mãos dela tremiam. A tosse vinha do fundo da alma, e soava como um corpo sendo rasgado por dentro.

Não sabia o que era pior — vê-la definhar a cada dia ou perceber que ela já não tentava esconder o quanto sofria.

Havia um tipo de silêncio que ela usava como armadura. Um silêncio duro, denso, cheio de mágoa. Mas agora... nem isso ela mantinha. Ela apenas respirava. Só isso. Como se o resto tivesse desistido.

E então, naquela noite, ela sussurrou.
A voz saiu fraca, como um fio de vento escapando por uma fenda.
Queria saber o fim de uma história.
E então ela voltou ao silêncio. A febre fez seus olhos se apagarem de novo. E aquilo... aquilo foi pior do que todos os gritos que ela já me lançou, todas as recusas, os empurrões, os olhares de medo.

Aquele sussurro soou como um pedido de quem já não acreditava que teria tempo.

Ela queria saber o fim. Só isso. Não me pediu cura. Não pediu que ficasse. Que a abraçasse. Ela só queria a última página de um livro.

E naquele instante, compreendi. Eu podia continuar ali e vê-la se apagar...
Ou podia ir. Rasgar o mundo. E trazer o que ela queria.

E então fui.

Montei no cavalo ainda antes da primeira luz. O céu já ameaçava ruir. Mas não hesitei. A estrada era longa até Londres — duas noites inteiras em viagem se estivesse com carruagem leve. Eu faria em menos. Tinha que fazer.

A água já tomava as trilhas. Mas meu corpo não sentia frio. Havia algo maior me corroendo: o medo.

Eu já estive frente a frente com homens sedentos de sangue. Já vi olhos se apagarem, bocas se calarem com a morte. Eu mesmo já matei. Já ouvi orações escaparem entre dentes quebrados.
Mas nunca, nunca, temi tanto como agora.

Porque essa dor que ela sente... não é só doença.

É o passado. É o açoite. São os olhos baixos por vergonha do próprio corpo.
É o medo de mim. O medo que plantei nela.

E agora... talvez eu não tenha tempo de consertar nada.

E se ela morrer achando que sou só a besta que a trancou?
E se ela morrer sem saber que o que há entre minhas costelas não é só escuridão? Que ela me tornou mais... humano.

A chuva engrossou. O cavalo relinchou ao escorregar por uma ladeira de barro. Quase tombamos. Mas segurei firme. Sempre firme. Porque cada quilômetro entre mim e aquela livraria era um fio de esperança em frangalhos.

+18 | CASO Nº 44 | Dark RomanceHistórias para pegar e não largar. Descubra agora