Heathan
Onze dias.
Longos onze dias. Uma eternidade sem ela. Cada segundo foi uma tortura, uma martelada lenta, contínua, em minha mente já fragmentada. A ausência dela se estendeu como uma doença, se infiltrando em cada canto do meu ser, corroendo-me de dentro para fora. A ausência, com sua dor afiada e sua sede insaciável, virou meu único companheiro, a única coisa que ainda parecia real.
Durante os primeiros dias, minha mente se agarrou a ela, tentando mantê-la viva, como se sua imagem fosse uma chama, e eu, uma vela moribunda prestes a se extinguir. Mas a chama dela se apagava mais rápido do que eu poderia reacendê-la. E a cada instante que ela se distanciava, algo em mim morria, pouco a pouco, como se fosse consumido por uma escuridão espessa e sufocante.
A cada noite, eu me deitava, os olhos arregalados, fixos no teto sujo, tentando encontrar algo que me prendesse à sanidade, algo que me impedisse de sucumbir ao abismo da obsessão. Mas não havia nada. O vazio era total. A cama era fria, mais fria do que deveria ser, e a escuridão ao meu redor parecia estar viva, respirando com um peso enorme sobre os meus ombros. Eu não tinha mais a ela para salvar-me, e isso era o suficiente para afundar-me completamente.
O cheiro dela, o suave perfume floral que me envolvia sempre que ela estava perto, estava em cada canto da cela, mas era um eco vazio. Não havia calor, não havia toque. Tudo o que restava era um remanescente de um passado que já não poderia ser alterado. O silêncio parecia me consumir com mais força do que qualquer palavra dita.
Eu tentava pensar em outras coisas, focar em algo, qualquer coisa que me distraísse. Mas cada pensamento, cada lembrança, retornava a ela. O modo como seus olhos se arregalaram quando me aproximei demais. O jeito como ela se entregou, relutante, ao meu beijo, como se fosse o último suspiro antes de submergir no abismo. Eu a senti ceder naquele momento, senti o peso da sua rendição, o momento exato em que ela se tornou minha. E agora ela estava longe, distante. E eu estava, mais do que nunca, perdido.
Os gritos dos outros pacientes não me tocavam mais. Os murmúrios, os sussurros desesperados... tudo isso era um ruído distante, sem significado, sem valor. Nada mais importava. Eles, os outros, estavam tão distantes quanto Elizabeth estava agora.
As paredes do quarto se fechavam em mim, como se quisessem me engolir vivo, como se quisessem apagar qualquer vestígio de humanidade que restasse. Eu estava sendo consumido por um fogo frio, um incêndio sem chama que devorava minha razão e meu controle. A cada hora que passava, a solidão se tornava mais pungente, mais opressiva. Eu não conseguia escapar dela.
Quando me sentia à beira da loucura, tentava me concentrar nas lembranças. Tentei reviver cada palavra, cada gesto, cada som. Eu ainda podia ouvi-la, em algum canto da minha mente, dizendo meu nome. O som de sua voz ainda ecoava nos corredores da minha memória, mas era um eco vazio.
Eu tentei me convencer de que eu poderia ser mais forte. Tentei acreditar que, se mantivesse a calma, se ignorasse o vazio, o tempo me curaria. Mas não havia cura para isso. Não havia remédio. Só o sofrimento. E ele se arrastava, inchado e pesado, dentro de mim. Eu o sentia expandindo, como uma prisão se fechando cada vez mais sobre meu corpo e minha alma.
Quando os passos dela se aproximaram, no décimo primeiro dia, algo dentro de mim gritou. Uma explosão silenciosa de desejo e desespero. Não eram apenas os passos dela. Era o som da minha própria condenação. A sombra dela se estendia por aquele corredor, mais imponente do que qualquer luz.
E então, a porta se abriu, e ela apareceu. Eu vi seu rosto, pálido como a lua, iluminado por uma luz que parecia distante, inatingível. E o mundo parou. Não havia mais nada ao meu redor. Nada além dela. E foi então que senti o peso de onze dias de ausência. O vazio, o frio, o desespero de cada hora sem ela.
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+18 | CASO Nº 44 | Dark Romance
Storie d'Amore~Livro com ilustrações~ DARK ROMANCE +18 "Eu entreguei minha alma ao Diabo e ele tomou-me como sua..." 1842... Início do século XIX... Nos corredores plúmbeos do Hospital Bethlem Royal, Elizabeth exerce o ofício de enfermeira com a serenidade de que...
