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11| I Will Be Here When You Wake Up...

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Elizabeth

Seis horas da manhã.

O hospital ainda repousava em sua quietude fantasmagórica, as luzes frias espalhando sombras compridas pelos corredores vazios. Eu carregava a bandeja com o café da manhã de Heathan, sentindo o metal gelado vibrar contra meus dedos — como se o próprio prédio sussurrasse que algo estava prestes a acontecer.

Quando alcancei a porta de seu quarto, espreitei através da pequena abertura. Ele já estava acordado, como sempre. Sentado na cama, cotovelos apoiados nos joelhos, cabeça baixa, parecia imerso em pensamentos que eu jamais poderia alcançar. Seu corpo rígido, tenso como uma corda prestes a se partir.

Respirei fundo e empurrei a porta.

— Bom dia, Heathan — anunciei, tentando soar natural, mas minha voz soou pequena naquele cômodo opressivo.

Ele levantou os olhos para mim — negros como abismos, e vivos como labaredas — e arqueou uma sobrancelha de modo lento, preguiçoso, predatório.

— Acordar é uma maldição diária — ele murmurou, a voz rouca. — Mas... — seus olhos deslizaram para mim, lentos, quase famintos — ...às vezes, certas presenças tornam até o inferno suportável.

Mordi o lábio, tentando fugir de seus comentários.

— Trouxe seu café. Fiz como gosta. — Coloquei a bandeja sobre a cômoda, cuidando para não virar as costas para ele.

— Fez como eu gosto? — Ele se inclinou para frente, apoiando os antebraços nas coxas, o olhar me despindo até os ossos. — Ou como você acha que vai me amansar?

Soltei um suspiro cansado.

— Você ainda não morreu envenenado, isso já é um bom sinal.

Ele riu. Um som rouco, seco, que mais parecia arranhar o ar entre nós.

— Talvez eu esteja apenas esperando a dose certa.

Me aproximei com cautela, pegando a xícara para entregá-la a ele. Quando estendi a mão, seus dedos tocaram os meus — de propósito. Um toque rápido, elétrico, que me fez estremecer antes que eu pudesse recuar.

— Você está tensa, Elizabeth — murmurou ele, a voz baixa como uma promessa sórdida. — Isso é adorável.

— Só estou cansada! — retruquei, desviando o olhar.

Ele pegou a xícara e levou-a aos lábios, sem tirar os olhos de mim.

— E ainda assim vem cuidar de mim... — provocou. — Você é teimosa ou suicida?

— Um pouco dos dois, talvez. — respondi, sem pensar. - Como está se sentindo hoje?

— Estou vivo — disse, dando de ombros —, como eu disse, já é maldição suficiente.

Heathan soltou outra risada breve, como se apreciasse minha ousadia. Um silêncio pesado caiu entre nós. Ele bebericava o chá devagar, como quem saboreia o tempo, e eu sentia cada segundo se alongar em torno de nós como correntes invisíveis.

— Não dormiu de novo? — perguntei, finalmente quebrando o gelo.

Ele bufou.

— Dormir aqui é para os tolos... ou para os mortos.

— E o que aconteceu dessa vez?

Ele girou a xícara nas mãos, pensativo, o olhar fixo no vazio.

— Este lugar geme à noite. — A voz dele era baixa, como se confidenciasse um segredo sujo. — Ouço gritos... lamúrias... mas não são meus. Eu só ouço. Eu assisto.
Ele inclinou a cabeça, um sorriso cortando seu rosto com uma crueldade silenciosa.
— Quem sabe... talvez uma parte de mim goste disso.

+18 | CASO Nº 44 | Dark RomanceHistórias para pegar e não largar. Descubra agora