vinte e seis

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BRUNO REZENDE

– Cara estamos indo muito mal, você não acha melhor ir para o banco? – Lucão pergunta no intervalo do jogo e eu nego com a cabeça, eu sabia separar as coisas, sempre soube, mas agora a preocupação na minha cabeça estava falando mais alto.

– Desculpa, eu sei que a Bia vai cuidar dela mas não sei, eu estou com uma sensação estranha.

– Fica tranquilo, eles não vão inventar de nascer agora, seria zoar demais com a sua cara.

– Eles são filhos da Dominique, você duvida que eles possam fazer essa suspresinha? – Pergunto e ele gargalha.

– É, se eles puxarem a mãe, eu não duvido nada.

– Tá bom, vamos voltar pro jogo, eu vou tentar me concentrar. – Tomo um pouco de água e respiro fundo voltando para a quadra.

O jogo estava rolando normalmente quando Renan pede um intervalo, olho para ele sem entender.

– A Dominique entrou em trabalho de parto. – Ele fala calmamente, eu engasgo com a água que estava tomando.

– MEU DEUS DO CÉU, CARA EU PRECISO IR.

– Pode ir.

– Assim que acabar eu vou. – Lucão fala dando tapinhas em minhas costas. – Vai lá papai.

– Meu Deus tanto momento pra essas crias nascer, precisava ser agora? – Falo correndo até o vestiário.

Não tive tempo de fazer muita coisa, só coloquei um moletom por cima da roupa e joguei uma água no meu rosto, corri até o carro e peguei meu celular falando com a Bia que disse que ela já estava em um quarto com contrações fortíssimas mas não estava totalmente dilatada, com isso corri o mais rápido que podia, não faço ideia de quantos xingamentos eu recebi durante o caminho.

– Minha mulher está em trabalho de parto. – Chego na recepção do hospital ofegante, a recepcionista olha para mim assustada.

– Qual o nome dela?

– Dominique Gonzales.

– Eu vou entrar no sistema, toma uma água moço, calma.

– Obrigado, eu tô legal, só preciso ver minha mulher.

– Ela está no quarto já, vou liberar a sua entrada, me empresta um documento. - Pego meu RG entregando para ela que faz o cadastro rapidamente provavelmente com medo de eu infartar ali mesmo.

Subi até o quarto andar aonde ela estava, e bato na porta, Bia abre ela e eu dou um sorriso nervoso ouvindo uma música vindo de dentro.

– O que é isso?

– Ela está com 7cm de dilatação, precisa de 10, a médica falou pra ela dançar.

– Meu Deus do céu. – Eu entro e vejo minha noiva fazendo uns agachamentos no ritmo da música, ela estava com os olhos inchados e uma feição de dor.

– Amor, tudo bem? – Eu pergunto indo abraçar ela.

– Claro que está tudo bem Bruno, minha vagina está gigante e vai sair dois bebês de lá, está tudo ótimo.

– Amor, calma.

– Eu estou muito calma, eu só quero que eles saiam logo, AÍ DOR DO CARALHO. – ela berra e eu abraço ela.

– Calma meu amor, eles vão ser bonzinhos e daqui a pouco vão sair.

– E se eles não passarem?

love again | bruno rezende Onde histórias criam vida. Descubra agora