trinta e um

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BRUNO REZENDE

Fazia uma semana que eu estava dormindo no quarto de hóspedes, não era um problema pois a cama era ótima, mas como eu sentia falta das mãozinhas pequena de Dominique em meu peito enquanto dormíamos abraçadinhos, como sentia saudade de dormir de conchinha com ela e acordar com o seu cabelo todo em meu rosto, fazia uma semana que parecia mais meses.

Eu estava treinando mais do que nunca e quando saía de lá, sempre ia parar algum barzinho ou um restaurante com Lucarelli, não porque eu queria me divertir ou qualquer outra coisa, mas simplesmente porque eu não queria encontrar a Domi, eu não sabia como agir com ela, não sabia se ela queria me ver, e tinha medo de quando ela me visse, ela desse um ponto final total em tudo que tínhamos construídos até agora, eu não estava pronto, não queria pensar nessa possibilidade, eu a amava tanto, amava tanto tudo o que construímos, eu não me perdoaria nunca de saber que eu destruí tudo.

– Eu acho que você deveria voltar cedo para casa hoje, é sábado, e ela está vendo que você não está trabalhando, eu postei aquela foto nossa. – Lucarelli fala e eu respiro fundo tomando um gole de água.

– É, ela curtiu a nossa foto.

– Fora que ela falou pra você ficar com ela para ajudar com as crianças, e fugiu a semana toda ou seja, ela tá sozinha e você continua sendo babaca.

– Até você está me dando lição de moral?

– Alguém tem que pensar.

– Eu não vou mais fugir. – Me levanto da onde estávamos e me despeço dos amigos de Lucarelli que estava conosco, dou um abraço em meu amigo e entro no carro dirigindo o mais rápido que posso até o meu apartamento, meu coração batida rapidamente só de pensar na possibilidade de ver Dominique, quando a porta do elevador abriu no último andar onde morávamos eu peguei as minhas chaves e abri a porta com cuidado, a cena que eu vi me partiu o coração, Domi estava deitada no sofá abraçada com os gêmeos e uma carinha abatida, os três dormiam pesadamente e eu respirei fundo tentando controlar tudo que passava na minha cabeça.

– Que susto... – Ela fala baixinho abrindo os olhos. – Não pensei que ia vir pra casa, faz uma semana que eu não te vejo.

Ela tenta se levantar sem acordar às crianças então eu vou até ela pegando Arthur para que ela pudesse se levantar mais tranquilamente.

– Eu sei, desculpa por isso, você queria a minha ajuda e eu estava ocupado demais...

– Está tudo bem, não deram trabalho.

– Mesmo assim, eu estava com saudade de ficar com vocês, mas eu estava fugindo, estava com medo.

– Medo?

– De encarar você e ver que você tomou a sua decisão definitivamente, olhar pra você e não ver seus olhinhos brilhando quando olha para mim.

– Eu sei que você estava fugindo, o Lucarelli é um belíssimo de um fofoqueiro, só por isso eu não fiquei brava. – Ela fala e eu a olho surpreso, eu vou matar o meu amigo depois.

– Engraçado que eu todo mundo fica do seu lado.

– Claro que ficam, eu sou sempre a certa.

– Pior que você está certa de novo.

– Nós sentimos a sua falta. – Ela fala e eu sorrio.

– Você não tem ideia do quanto eu senti saudade de vocês.

– A cama é grande demais sem você, e eu não consigo imitar você cantando para as crianças no banho. – Ela sorri e eu a olho igual um idiota.

love again | bruno rezende Onde histórias criam vida. Descubra agora